A taça da Copa do Mundo ganhou valor fora de campo. Com a alta do ouro desde a final do Catar, em dezembro de 2022, o valor estimado do troféu saltou de R$ 1,91 milhão para R$ 4,28 milhões, segundo cálculo da Corretora Ourominas.
A estimativa foi feita por Mauriciano Cavalcante, consultor da Ourominas, com base no peso oficial da taça e na cotação do grama do ouro em dois momentos: a final da Copa de 2022 e junho de 2026.
Em 18 de dezembro de 2022, data da decisão entre Argentina e França, o grama do ouro valia R$ 310,02. Considerando o peso oficial de 6,175 quilos, o valor estimado da taça era de R$ 1.914.373,50.
Em 22 de junho de 2026, o grama do ouro estava cotado a R$ 692,80. Pela mesma metodologia, o valor estimado do troféu chegou a R$ 4.278.040,00. A diferença é de R$ 2.363.666,50, uma valorização de 123,47% desde a última Copa.
A conta não representa uma avaliação oficial da FIFA, nem um valor de venda ou de seguro do troféu. Trata-se de uma estimativa financeira baseada na cotação do ouro. A própria FIFA informa que a taça atual é feita de ouro 18 quilates, pesa 6,175 quilos, mede 36,8 centímetros e tem base de malaquita, uma pedra semipreciosa verde.
O detalhe técnico importa porque ouro 18 quilates não é ouro puro: a composição equivale a 75% de ouro fino. Por isso, uma conta mais conservadora, considerando apenas essa proporção sobre o peso total, colocaria o valor metálico da taça em cerca de R$ 3,2 milhões em junho de 2026. Ainda assim, o salto desde 2022 permanece praticamente o mesmo, já que a valorização acompanha a alta do grama do ouro no período.
Taça original não fica mais com os campeões
A taça atual é o segundo troféu da história da Copa do Mundo. O primeiro foi encomendado por Jules Rimet, então presidente da FIFA, antes do torneio inaugural de 1930, no Uruguai. Criada pelo escultor francês Abel Lafleur, a peça era originalmente chamada de Coupe du Monde de Football Association e passou a se chamar Jules Rimet em 1946, em homenagem ao dirigente.
Pelas regras da época, a seleção que conquistasse a Copa três vezes ficaria com o troféu em definitivo. Foi o que aconteceu com o Brasil em 1970, após o tricampeonato no México. A taça Jules Rimet foi levada para a sede da CBF, no Rio de Janeiro, mas foi roubada em 1983 e nunca mais foi encontrada.
Depois que o Brasil ficou com a Jules Rimet, a FIFA encomendou um novo troféu para a Copa de 1974. Foram apresentados 53 projetos por artistas de sete países. O desenho escolhido foi o do escultor italiano Silvio Gazzaniga, que criou a imagem de dois atletas erguendo o mundo.
Desde então, a taça original não fica mais com os campeões. Ela permanece sob posse da FIFA e é entregue ao capitão da seleção vencedora apenas durante a celebração da final. Depois, volta para a entidade. A seleção campeã recebe uma réplica, chamada de FIFA World Cup Winners’ Trophy.
Para Cavalcante, a alta do ouro ainda pode continuar até a próxima edição do torneio. “A tendência para a próxima Copa do Mundo, em 2030, é de uma valorização parecida, com o mesmo percentual ou até maior, pois os fatores existentes hoje podem perdurar por muitos anos”, afirma.
A expectativa está ligada ao cenário que sustentou o ouro nos últimos anos. O metal costuma ser procurado em períodos de incerteza geopolítica, inflação elevada, dúvidas sobre juros e busca por proteção patrimonial. Bancos centrais, fundos e investidores individuais também têm reforçado a demanda pelo ativo.
O World Gold Council, entidade internacional do setor, afirma que fatores geopolíticos devem seguir relevantes para a demanda por ouro em 2026 e nos próximos anos, com apoio de compras por bancos centrais, ETFs, barras e moedas. Ao mesmo tempo, preços muito altos tendem a pesar sobre a demanda por joias.
Na prática, a taça da Copa segue sem preço de venda. O valor esportivo, histórico e simbólico está fora de qualquer cotação. Mas, pelo mercado do ouro, o troféu que será erguido pelo campeão de 2026 já vale mais que o dobro do que valia na última final.