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Como os Agentes de IA e Trabalhadores Biônicos Vão Redefinir o Futuro dos Negócios

Agentes já processam reembolsos, faturas e pedidos de compra, mas sua atuação ainda permanece limitada a funções específicas

6 min

Empresas e seus parceiros de tecnologia financeira estão lançando uma nova geração de agentes de IA agêntica capazes de executar, de forma independente, as tarefas que lhes são atribuídas. A disseminação dessas ferramentas pelo mundo corporativo tornou uma pergunta ainda mais urgente: a inteligência artificial substituirá os trabalhadores humanos?

Como executivo de uma fintech que acaba de lançar um conjunto de agentes de IA agêntica voltados aos mercados de capitais e à gestão de patrimônio, posso garantir que tenho refletido bastante sobre essa questão. Ao analisá-la, percebi que estamos fazendo a pergunta errada. Em vez de questionarmos se a inteligência artificial substituirá profissionais, deveríamos pensar em como utilizar essa tecnologia para criar trabalhadores biônicos, capazes de combinar a própria inteligência e o bom senso com os recursos da IA.

Na década de 1970, uma das minhas séries de televisão favoritas era O Homem de Seis Milhões de Dólares. A produção acompanhava as aventuras de Steve Austin, piloto da Força Aérea dos Estados Unidos. Depois que Austin sofre um acidente durante um voo de teste, cientistas do governo reconstroem seu corpo com implantes biônicos que lhe proporcionam força, visão e velocidade sobre-humanas. O procedimento e a tecnologia custaram US$ 6 milhões (R$ 30,42 milhões).

A inteligência artificial está nos dando capacidades equivalentes no mundo dos negócios. Equipado com ferramentas “biônicas” que automatizam pesquisas, produção de textos e comunicação, análise de dados e atividades administrativas, o profissional comum de hoje pode ser considerado o equivalente a Steve Austin nos anos 1970.

Ao mesmo tempo, a ascensão da IA agêntica parece ter criado uma concorrência para essa força de trabalho composta por pessoas biônicas. Essa tecnologia permite que as empresas desenvolvam agentes que, após receberem um objetivo, conseguem planejar as etapas necessárias para alcançá-lo, acessar as ferramentas exigidas e concluir a atividade de maneira autônoma. Com as devidas permissões e mecanismos de controle, esses sistemas podem acessar bancos de dados, plataformas de gestão de relacionamento com clientes, e-mails, calendários e até sistemas de planejamento de recursos empresariais utilizados para administrar companhias.

Empregos são mais do que tarefas

Algumas grandes empresas já implementaram grupos de agentes de inteligência artificial para automatizar atividades recorrentes. Esses sistemas respondem a dúvidas de clientes e processam reembolsos. Algumas das minhas experiências pessoais foram péssimas, enquanto outras me impressionaram. Eles também solucionam falhas de tecnologia da informação em centrais de suporte, emitem pedidos de compra, processam faturas, lançam campanhas de marketing e geram potenciais clientes para equipes de vendas.

Como você certamente percebeu, todas essas atividades eram, até agora, realizadas por profissionais. Com os agentes assumindo esse volume de trabalho, haverá menos tarefas mecânicas e simples para os seres humanos executarem nessas funções específicas.

A expressão fundamental aqui é “funções específicas”. Embora possam ser altamente eficazes, os agentes de IA também atuam dentro de um escopo limitado. Em cada uma das atividades mencionadas, o sistema executa exatamente a missão atribuída — nada além e nada aquém disso.

No entanto, qualquer pessoa que já tenha trabalhado em uma empresa sabe que um emprego envolve muito mais do que uma lista de atribuições principais. Na gestão empresarial moderna, essa constatação é conhecida como “Falácia do Porteiro”: o erro de avaliar uma função com base apenas em sua tarefa mais visível, ignorando outros trabalhos menos evidentes e o valor adicional que ela gera.

A expressão, naturalmente, tem origem nos porteiros de edifícios. À primeira vista, eles parecem receber para abrir portas para moradores e visitantes. Na prática, porém, desempenham muitas outras atividades, ajudam os residentes a organizar aspectos de suas vidas e proporcionam ao prédio uma sensação de acolhimento, conforto e segurança.

Da mesma forma, profissionais de suprimentos, compras, contas a pagar, finanças, atendimento ao cliente, vendas, marketing e todas as demais áreas de uma organização exercem inúmeras funções e entregam um valor que vai muito além da relação de suas principais responsabilidades.

Quando ampliamos a perspectiva para compreender tudo o que esses empregos realmente envolvem, fica claro que os agentes de IA provavelmente não serão suficientes como substitutos integrais, capazes de eliminar completamente essas ocupações. Por outro lado, poderão elevar a produtividade desses profissionais a patamares nunca vistos — desde que sejam administrados por trabalhadores humanos aprimorados de maneira biônica.

Mais demanda por profissionais biônicos

Esses enormes ganhos de produtividade nos levam a outro princípio da administração e da economia: o Paradoxo de Jevons. Trata-se da ideia de que avanços de eficiência destinados a reduzir o consumo de determinado recurso podem diminuir tanto o custo de um produto ou serviço que a procura aumenta, resultando, no fim, em uma utilização ainda maior desse recurso.

Um dos exemplos mais claros desse fenômeno vem da indústria de computadores. Nos últimos 50 anos, a capacidade computacional tornou-se exponencialmente mais eficiente. Esses avanços poderiam levar à expectativa de que os gastos das empresas com computação tivessem caído de forma expressiva, reduzindo os custos corporativos.

Como todos sabemos, porém, isso não aconteceu. Atualmente, os orçamentos empresariais destinados à computação estão disparando por causa da crescente procura pelo processamento barato que as organizações passaram a utilizar em praticamente todos os aspectos de suas operações, incluindo a inteligência artificial.

Acredito que o mesmo acontecerá com os empregos humanos e a IA. À medida que a tecnologia baratear determinados tipos de trabalho, empresas e consumidores passarão a utilizá-los com maior frequência, aumentando a demanda total por essas atividades. Já estamos observando esse movimento em algumas áreas.

Há poucos anos, por exemplo, a inteligência artificial havia se tornado tão eficiente na leitura de resultados de tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias e outros exames que algumas pessoas começaram a prever o desaparecimento dos radiologistas.

O que ocorreu foi justamente o contrário. A tecnologia reduziu o custo desses exames, levando os médicos a solicitarem mais procedimentos, o que ampliou tanto a demanda quanto o número de vagas na radiologia. A Falácia do Porteiro também teve influência nesse caso, já que os radiologistas fazem muito mais do que simplesmente interpretar resultados.

De maneira empírica, tenho observado o mesmo processo em meu próprio trabalho e entre meus clientes. Conforme a inteligência artificial reduz custos, as empresas passam a desenvolver e implementar mais softwares, consumir um volume maior de pesquisas financeiras e realizar mais campanhas de marketing.

Nessas e em outras áreas, a única maneira de as organizações acompanharem esse avanço acelerado da demanda será combinar uma IA poderosa com as contribuições valiosas dos trabalhadores humanos biônicos.

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