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Quem é Jorge Mas, dono do Inter Miami de Messi, que vai construir gasoduto de R$ 6 bilhões na Argentina

Empresário cubano-americano vence a Techint em projeto estratégico, que liga Vaca Muerta a Sierra Grande, e mira investimentos em mineração, telecomunicações, energia renovável e logística

5 min

Jorge Mas, empresário cubano-americano com patrimônio estimado em US$ 1,3 bilhão (R$ 6,5 bilhões) e herdeiro de uma tradição familiar ligada à construção de infraestrutura nos Estados Unidos, conseguiu, depois de várias tentativas frustradas, dar finalmente um passo decisivo na Argentina. Sua empresa, a Pumpco, integrante do conglomerado MasTec, será responsável pela construção do gasoduto que ligará Vaca Muerta a Sierra Grande, uma obra de mais de 500 quilômetros que se tornará a espinha dorsal das exportações de gás natural liquefeito (GNL) para os mercados internacionais. O contrato, avaliado em US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bilhões), representa não apenas um marco para a política energética argentina, mas também a entrada oficial de Mas no país, onde ele já mira oportunidades em outros setores.

Filho de imigrantes que fundaram a MasTec, Mas nasceu em Miami e hoje comanda uma das principais empresas de engenharia e construção de dutos dos Estados Unidos, com receita anual superior a US$ 14 bilhões (R$ 70 bilhões). Formado em Engenharia Industrial pela Universidade de Miami, destacou-se por expandir os negócios da família para novas áreas, como telecomunicações, energias renováveis, infraestrutura de transporte e, mais recentemente, esportes. Seu nome se tornou conhecido na Argentina quando Lionel Messi decidiu se juntar ao Inter Miami, clube da Major League Soccer (MLS) do qual Mas é coproprietário ao lado de David Beckham. Essa ligação com o craque argentino deu visibilidade ao empresário no país, mas sua chegada a Sierra Grande agora o coloca no centro do cenário econômico.

O interesse de Mas pela Argentina não deve se restringir ao gás. O empresário acompanha de perto o desenvolvimento da mineração, especialmente de lítio e cobre, dois minerais considerados estratégicos para a transição energética global e que estão no centro de seus negócios. A especialidade da MasTec é justamente fornecer soluções de infraestrutura para a extração e o transporte de recursos naturais. Assim como fez ao se associar à construtora argentina Contreras Hermanos para o projeto do gasoduto, a possibilidade de formar parcerias com empresas locais para desenvolver corredores logísticos e plantas de processamento também está em seus planos.

Outro segmento estratégico para seus negócios é o de telecomunicações. A MasTec está entre os principais prestadores de serviços de infraestrutura para o setor nos Estados Unidos, e a expansão das redes 5G na Argentina representa uma oportunidade para replicar esse modelo. A necessidade de modernizar a conectividade em um país de dimensões continentais abre espaço para empresas com experiência na implantação de redes de grande escala. Mas já afirmou que a digitalização é um dos pilares de sua estratégia, o que pode transformar a Argentina em um laboratório para projetos avançados de conectividade.

As energias renováveis também fazem parte do radar do empresário. Nos Estados Unidos, Mas investiu em parques solares e eólicos, modelo que poderá reproduzir na Argentina, onde enxerga um ambiente favorável. A possibilidade de desenvolver projetos híbridos, combinando gás natural e fontes renováveis, está alinhada às tendências globais e à visão do empresário de criar ecossistemas energéticos integrados.

Por fim, a infraestrutura portuária representa outro eixo estratégico. O terminal de Sierra Grande será fundamental para a operação do gasoduto, mas Mas também avalia investimentos adicionais em logística portuária e transporte multimodal. A proposta é acompanhar o crescimento das exportações com soluções que integrem portos, ferrovias e rodovias, criando corredores logísticos mais eficientes para o escoamento da produção.

O gasoduto concedido à Pumpco, em consórcio com a italiana Bonatti e a argentina Contreras Hermanos, é considerado estratégico. A obra permitirá transportar o gás de Vaca Muerta até a costa atlântica da província de Río Negro, onde está prevista a construção de uma planta de liquefação destinada à exportação em larga escala. O projeto superou a proposta da Techint, que historicamente dominava esse tipo de empreendimento, abrindo espaço para uma concorrência internacional inédita no setor. Para Mas, trata-se da oportunidade de reproduzir na Argentina o modelo de expansão que consolidou nos Estados Unidos: grandes obras de infraestrutura energética que funcionam como plataforma para impulsionar outros negócios.

A chegada de Jorge Mas à Argentina traz implicações tanto políticas quanto econômicas. De um lado, reforça a confiança internacional na capacidade do país de atrair investimentos de grande porte. De outro, aumenta a concorrência em segmentos tradicionalmente dominados por empresas locais, o que pode dinamizar o mercado e criar novas oportunidades. A construção do gasoduto deverá gerar milhares de empregos diretos e indiretos nas províncias de Río Negro e Neuquén, com impactos ao longo de toda a cadeia de valor do setor energético.

Nesse contexto, Mas se apresenta como um empresário pragmático, que prioriza parcerias com empresas locais para garantir legitimidade política e conhecimento do mercado. Muito mais do que apenas o bilionário por trás do clube de Messi, o empresário inicia na Argentina uma estratégia na qual o gasoduto representa apenas o primeiro passo rumo a investimentos em mineração, telecomunicações, energias renováveis e logística portuária.

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