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Por que 12 estados tentam barrar fusão entre Paramount e Warner Bros.

Ação movida por 12 estados dos EUA questiona a aquisição de US$ 111 bilhões e pede que o negócio seja suspenso até o fim do processo

4 min

Uma coalizão formada por procuradores-gerais de 12 estados entrou com uma ação judicial na segunda-feira (13) para barrar a fusão entre Paramount e Warner Bros., contestando a aquisição de US$ 111 bilhões (R$ 567,21 bilhões).

Segundo o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, o negócio é “ilegal” e pode prejudicar os cinemas e os consumidores. Para ele, a fusão resultaria em “preços mais altos, menor qualidade e menos conteúdo para cinema e televisão”, prejudicando o público ao elevar os preços e reduzir a variedade e a qualidade dos filmes.

O meganegócio proposto uniria dois dos cinco maiores estúdios de Hollywood. De acordo com a ação judicial, isso daria a uma única empresa o controle de quase um terço dos filmes lançados nos cinemas e de quase um terço de todo o conteúdo exibido na TV por assinatura básica.

O processo também alerta que a fusão pode provocar o “declínio da exibição de filmes nos cinemas”, afetando as salas de cinema e as distribuidoras de canais de TV por assinatura básica.

A operação bilionária já havia sido aprovada pelo governo Trump em junho, cerca de quatro meses após a Paramount superar a concorrente Netflix na disputa pela compra da empresa. A coalizão de estados pediu que as duas companhias não concluam a transação até o término do processo judicial.

“David Ellison pode achar que esta é uma oferta que não podemos recusar. Mas estou aqui para dizer que ele está errado”, afirmou Bonta durante uma coletiva de imprensa na segunda. Ele também acusou o governo Trump de não aplicar adequadamente a legislação antitruste ao aprovar o negócio. “Hoje, estamos defendendo um mercado livre e justo, não um mercado manipulado. Porque os Estados Unidos não têm reis, nem no governo nem na economia.”

Em nota enviada à Forbes, a Paramount afirmou que a ação apresentada “distorce a jurisprudência consolidada sobre leis antitruste” e alegou que ela se baseia em uma “interpretação equivocada” da indústria do entretenimento.

Segundo Melissa Zukerman, diretora de comunicação da Paramount, a fusão criaria “uma empresa de mídia mais forte, bem capitalizada e com foco na criatividade, em melhor posição para competir com companhias como a Netflix, que passaram a dominar o setor em termos de audiência, conteúdo premium e talentos criativos”.

A empresa também prometeu “defender vigorosamente” a operação. Em resposta, Bonta afirmou que a ação é resultado de uma investigação de seis meses e disse que a defesa apresentada pela Paramount “não me surpreende, mas mantemos integralmente nossa ação”.

Quais estados estão processando a fusão entre Paramount e Warner Bros.?

Além da Califórnia, procuradores-gerais democratas de outros 11 estados aderiram ao processo. São eles: Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington.

Questionado sobre possíveis críticas de que a ação teria motivação política, Bonta respondeu que procuradores-gerais republicanos são bem-vindos para integrar a coalizão, citando o apoio bipartidário em outras ações antitruste contra empresas como a Ticketmaster.

“Há procuradores-gerais republicanos que têm sido críticos a essa proposta de fusão. É lamentável que eles ainda não tenham se juntado a nós neste caso”, disse Bonta, acrescentando que “ainda não é tarde” para que qualquer um deles participe da ação judicial.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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