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Ibovespa Cai 1,52% com Recuo do Petróleo; Dólar Fecha a R$ 5,08

Sinais de uma possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã derrubaram o Brent, pressionaram a Petrobras e levaram a bolsa brasileira aos 174 mil pontos

6 min

O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (24) em queda de 1,52%, aos 174.041,95 pontos, pressionado pelas ações da Petrobras, de bancos e de outras empresas ligadas a commodities. A bolsa brasileira destoou do comportamento de outros ativos domésticos depois que sinais de uma possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã derrubaram os preços do petróleo no exterior.

O índice terminou o pregão na mínima do dia. Na máxima, alcançou 176.719,62 pontos. Apesar da queda desta sexta-feira, acumulou avanço de 0,19% na semana. O volume financeiro somou R$ 16,63 bilhões.

O dólar à vista apresentou oscilação limitada e fechou com leve baixa de 0,06%, cotado a R$ 5,0814. A moeda norte-americana acumulou queda de 0,58% na semana e de 7,43% no ano.

Durante o pregão, a divisa variou entre R$ 5,0496 e R$ 5,0907. O contrato futuro para agosto, o mais negociado na B3, recuava 0,01% no fim da tarde, a R$ 5,0905.

Perspectiva de negociação derruba o petróleo

Os preços do petróleo recuaram depois que fontes informaram que a China iniciou uma tentativa de reabrir as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. O Paquistão também estaria buscando uma alternativa diplomática, na esteira da iniciativa chinesa.

O Brent encerrou a sessão em queda de 3,88%, a US$ 96,78 por barril, depois de superar os US$ 100 na quinta-feira pela primeira vez desde maio. Mesmo com a correção, o contrato acumulou valorização próxima de 10% na semana.

O petróleo WTI caiu 3,12%, a US$ 89,31 por barril. Na semana, porém, avançou 8,27%.

Os preços haviam disparado diante da troca de ataques entre Estados Unidos e Irã, da redução do tráfego no Estreito de Ormuz e das ofensivas dos houthis contra navios no Mar Vermelho. A perspectiva de uma saída diplomática levou investidores a realizar parte dos lucros recentes.

“Não há nada que este mercado ame mais do que a esperança”, afirmou John Kilduff, sócio da Again Capital. “Ninguém quer ser enganado, então qualquer indício de que a situação possa se estabilizar será bem-vindo.”

Apesar do alívio, o mercado continua atento às restrições de oferta. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu uma “punição militar severa” ao Irã e aos houthis após ataques contra dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.

O Irã vinha pressionando o grupo a fechar a passagem de Bab el-Mandeb, segunda rota marítima mais importante para o transporte de energia depois do Estreito de Ormuz. Os houthis também anunciaram um bloqueio naval à Arábia Saudita, que passou a utilizar oleodutos para contornar as restrições no Golfo.

Dados preliminares da Kpler mostraram que apenas três navios por dia atravessaram o Estreito de Ormuz nos últimos três dias. Em Bab el-Mandeb, o número de embarcações de commodities subiu de 26 para 32 em 23 de julho.

“Em mares favoráveis, os navios ainda estão circulando. Portanto, não se trata de um bloqueio total, como alguns poderiam ter temido”, disse Giovanni Staunovo, analista do UBS.

O JPMorgan calcula que cada mês adicional de interrupção no fornecimento pode acrescentar entre US$ 7 e US$ 8 ao preço do Brent. Se as restrições durarem três meses, a média mensal poderia chegar a US$ 114 por barril.

As tensões no fornecimento também se estenderam ao Leste Europeu. A Rússia afirmou ter atacado três portos ucranianos, incluindo instalações de carga, descarga e armazenamento de combustíveis. No Cazaquistão, empresas petrolíferas reduziram temporariamente a produção após supostos ataques de drones ucranianos levarem ao fechamento do principal terminal de exportação do país no Mar Negro.

Petrobras e bancos pressionam o Ibovespa

A queda do petróleo atingiu diretamente as empresas do setor listadas na B3. As ações preferenciais da Petrobras recuaram 1,72%, enquanto as ordinárias perderam 2,36%. PetroReconcavo caiu 2,75% e Prio teve baixa de 2,84%.

Entre os bancos, as ações preferenciais do Itaú Unibanco recuaram 1,08%. Bradesco caiu 1,28%, Santander Brasil perdeu 1,09% e Banco do Brasil encerrou em baixa de 2,77%.

A Vale cedeu 0,58%, acompanhando o minério de ferro. O contrato mais negociado para setembro na bolsa de Dalian caiu 0,13%, a US$ 110,11 por tonelada, e acumulou perda de 2,37% na semana.

A maior queda do Ibovespa foi da ISA Energia, que despencou 7,16% após o conselho de administração aprovar a precificação de uma oferta primária de ações a R$ 27 por papel.

A Caixa Seguridade perdeu 5,21%, depois que o JPMorgan rebaixou a recomendação das ações de neutra para “underweight”, equivalente a uma indicação de desempenho abaixo da média do mercado. Os analistas avaliaram que a companhia vinha superando o índice sem uma revisão correspondente das estimativas de lucro.

A MBRF caiu 4,81%. O BTG Pactual afirmou esperar resultados semelhantes aos do trimestre anterior, com continuidade da queda das margens no mercado doméstico diante dos preços menores da carne suína.

Tarifas dos Estados Unidos ficam no radar

Os investidores também avaliaram as tarifas de 10% a 12,5% impostas pelos Estados Unidos a produtos de 60 parceiros comerciais. O governo norte-americano alegou falhas na proibição e na fiscalização de importações associadas ao trabalho forçado.

Para o Brasil, a alíquota foi definida em 12,5%. A medida se soma à tarifa de 25% que passou a atingir parte dos produtos brasileiros em 22 de julho, sob a justificativa de práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos.

O governo brasileiro classificou a nova cobrança como arbitrária e injustificada. No mercado, porém, a percepção predominante é de efeito limitado sobre a bolsa.

“Acreditamos que as novas tarifas impostas pelo governo norte-americano devem ter um impacto limitado no Ibovespa, uma vez que o movimento já havia sido amplamente precificado pelo mercado ao longo das últimas semanas”, afirmou Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.

A combinação entre as tarifas e a instabilidade no Oriente Médio manteve o dólar próximo da estabilidade no Brasil. No exterior, o índice que compara a moeda norte-americana com uma cesta de seis divisas avançava 0,02%, aos 101,470 pontos, no fim da tarde.

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