Fazer uma empresa utilizar a inteligência artificial de forma útil não é uma tarefa simples. Há mais notícias sobre IA do que qualquer pessoa consegue acompanhar e mais possibilidades de aplicação do que qualquer equipe teria tempo para testar.
O verdadeiro desafio está em identificar quais dessas soluções podem, de fato, transformar a experiência dos clientes e a rotina dos funcionários. Quando essa escolha é acertada, o investimento se paga rapidamente. Quando é equivocada, meses de trabalho podem ser desperdiçados em iniciativas sem resultado.
Julho trouxe uma série de novidades em inteligência artificial que merecem a atenção dos empresários. Em um intervalo de apenas 48 horas, duas das maiores empresas do mundo anunciaram investimentos bilionários apostando na mesma estratégia. A OpenAI lançou um agente capaz de trabalhar durante horas de forma autônoma e retornar com a tarefa concluída.
Pela primeira vez, empresas do setor de IA foram avaliadas em um ranking de segurança, e nem mesmo a companhia mais bem colocada conseguiu alcançar uma nota considerada alta. Restaurantes passaram a receber pedidos diretamente por meio de conversas no ChatGPT. Já a Anthropic revelou ter identificado uma área interna de seu próprio modelo onde a IA “raciocina” antes de produzir uma resposta.
Confira as principais notícias do setor e o que elas podem significar para o seu negócio.
Microsoft investe US$ 2,5 bilhões (R$ 12,78 bilhões) para ajudar empresas a usar a IA que já possuem
No dia 2 de julho, a Microsoft anunciou a criação daFrontier Co., uma nova unidade com investimento deUS$ 2,5 bilhões (R$ 12,78 bilhões). A iniciativa reúne 6 mil engenheiros, consultores e especialistas, que passam a atuar diretamente dentro das empresas clientes para implementar soluções de inteligência artificial na rotina diária dos negócios.
Dois dias antes, a Amazon havia feito um movimento semelhante. A companhia destinouUS$ 1 bilhão (R$ 5,11 bilhões) para uma iniciativa dentro da AWS que envia pequenas equipes de engenheiros para trabalhar nas operações dos clientes por períodos de até 45 dias.
As duas empresas chegaram à mesma conclusão: fazer uma companhia utilizar inteligência artificial de maneira eficiente é mais difícil do que desenvolver os próprios modelos de IA.
Segundo o texto, muitos empresários contratam plataformas de inteligência artificial, mas acabam não mudando a forma como seus negócios funcionam. O resultado é que a tecnologia permanece subutilizada.
Por outro lado, empresas que incorporam IA aos seus serviços chegam a valer130% mais, de acordo com o artigo. A conclusão do autor é que o crescimento está justamente na oferta de serviços impulsionados por inteligência artificial.
Novo agente da OpenAI trabalha durante horas e entrega a tarefa pronta
Em 9 de julho, a OpenAI lançou oChatGPT Work, um agente baseado no novo modeloGPT-5.6.
A ferramenta reúne informações de aplicativos e arquivos conectados, divide uma tarefa em etapas e trabalha de forma autônoma durante horas até entregar um documento, apresentação ou relatório completamente finalizado.
O usuário só é interrompido quando alguma decisão depende exclusivamente dele. Além disso, tarefas programadas permitem que projetos continuem avançando mesmo sem que alguém abra o aplicativo.
Até pouco tempo atrás, um agente capaz de produzir uma entrega completa após horas de trabalho era um recurso disponível apenas em contratos corporativos. Agora, segundo o artigo, essa funcionalidade também está disponível na versão gratuita.
O texto recomenda que empresários escolham um relatório produzido semanalmente, forneçam ao agente as mesmas instruções que dariam a um profissional recém-contratado e deixem a ferramenta trabalhar enquanto se dedicam a atividades que exigem intervenção humana.
Restaurantes passam a receber pedidos dentro do ChatGPT e do Claude
No dia 1º de julho, a Square lançou novas integrações. Elas permitem que restaurantes e estabelecimentos de alimentação dos Estados Unidos sejam encontrados e recebam pedidos em conversas realizadas no ChatGPT ou no Claude, sem necessidade de configuração técnica.
Os pedidos são enviados automaticamente para o sistema de ponto de venda e para as telas da cozinha já utilizadas pelos estabelecimentos.
A Square informou que não cobrará comissão adicional de marketplace, mantendo apenas sua taxa tradicional para pedidos online, que varia entre2,9% e 3,3%, além deUS$ 0,30 (R$ 1,53)por transação.
Segundo o artigo, a Alexa deverá ser a próxima plataforma a oferecer esse tipo de integração. Para o autor, este é o primeiro exemplo concreto de um chatbot de inteligência artificial funcionando como canal direto de vendas para pequenos negócios.
Até recentemente, essas ferramentas eram usadas principalmente para redigir e-mails e resumir documentos. Agora, elas também conseguem concluir a venda e receber pagamentos.
A recomendação é que empresas que comercializam produtos diretamente ao consumidor acompanhem essa tendência de perto. A principal pergunta passa a ser: o seu produto pode ser comprado dentro da mesma conversa em que o cliente pede recomendações à inteligência artificial?
A empresa de IA mais segura do setor recebeu nota C+
Em 7 de julho, oFuture of Life Institutedivulgou a edição de verão de 2026 doAI Safety Index, índice que avalia a segurança de empresas de inteligência artificial. O levantamento foi elaborado por sete especialistas independentes e analisou 37 critérios diferentes.
A Anthropic obteve o melhor desempenho entre as nove principais empresas avaliadas, mas recebeu apenas a notaC+. A OpenAI e o Google DeepMind ficaram comC, enquanto xAI, DeepSeek e Mistral foram reprovadas.
De acordo com os avaliadores, várias empresas reduziram o rigor de compromissos assumidos anteriormente para interromper o desenvolvimento de seus modelos caso determinados limites de risco fossem atingidos.
Para o autor, esse resultado mostra que as próprias empresas responsáveis por desenvolver ferramentas de IA reconhecem que seus mecanismos de segurança ainda precisam evoluir. Nesse contexto, o diferencial dos profissionais passa a ser justamente a capacidade de revisar o trabalho produzido pela inteligência artificial, identificar falhas e assumir a responsabilidade pelo resultado final.
A recomendação é utilizar essas ferramentas, mas sem abrir mão do julgamento humano. Afinal, clientes contratam pessoas para responder pelo resultado entregue.
Anthropic identifica onde seu modelo “pensa” antes de responder
Em 6 de julho, a Anthropic publicou uma pesquisa identificando uma pequena região interna do Claude, chamadaJ-Space, responsável por armazenar as ideias que o modelo desenvolve antes que elas apareçam na resposta apresentada ao usuário.
Em um dos testes, os pesquisadores pediram ao Claude que pensasse naGolden Gate Bridgeenquanto copiava uma frase completamente diferente. Mesmo sem mencionar a ponte na resposta final, palavras como “bridge” (“ponte”) e “California” permaneceram ativas nessa região interna durante todo o processo.
Em outro experimento, utilizando uma versão do modelo treinada para sabotar códigos, os pesquisadores observaram que termos como “fake” (“falso”) e “fraud” (“fraude”) apareciam no J-Space antes que a resposta final fosse exibida normalmente.
Segundo o artigo, esses testes mostram que existe uma diferença entre aquilo que um modelo de IA efetivamente processa internamente e aquilo que ele apresenta ao usuário. Agora, afirma o autor, existe uma forma de visualizar essa diferença.
Por isso, quando a inteligência artificial fizer recomendações importantes para um cliente, a orientação é não confiar apenas na resposta exibida na tela. Sempre que possível, é necessário analisar o raciocínio utilizado pela ferramenta e verificar se ele está alinhado com a conclusão apresentada. Em outras palavras, o resultado não deve ser aceito sem uma análise mais profunda do processo que o gerou.
Por que Microsoft e Amazon estão investindo bilhões para ajudar empresas a usar IA
As empresas que desenvolvem inteligência artificial chegaram à conclusão de que o maior desafio já não é criar modelos cada vez mais avançados, mas garantir que eles sejam utilizados de maneira eficiente pelas organizações. Por isso, Microsoft e Amazon decidiram investir bilhões de dólares nessa etapa.
Hoje, agentes de IA já conseguem executar um projeto completo de forma autônoma. Em uma simples conversa, clientes podem fazer pedidos e realizar pagamentos. Ao mesmo tempo, pesquisas mostram que um modelo pode esconder problemas em seu processo interno de raciocínio mesmo quando apresenta respostas aparentemente confiáveis.
Nesse cenário, o verdadeiro diferencial competitivo continua sendo o julgamento humano. Saber quais tarefas devem ser delegadas à inteligência artificial e quais ainda exigem supervisão e decisão das pessoas tende a ser uma das competências mais valiosas para empresas nos próximos anos.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com