O Petróleo Brent abriu essa semana em forte alta, subindo cerca de 3,1% para US$ 78,38 o barril, enquanto o WTI avançou 3,2% para US$ 73,70, após novos ataques reacenderem preocupações sobre o tráfego comercial no Estreito de Hormuz.
O preço à vista chegou a US$ 78,31 por barril, uma alta de cerca de US$ 7,24 em relação ao ano anterior no mesmo período.
No meio da semana, o rali se sustentou. A commodity alcançou US$ 81,62 no dia 13/07, e por 15/07 o preço já estava em US$ 85,84, alta de 0,59% ante o pregão anterior — patamar de máxima em um mês.
Segundo a Reuters, o Irã pediu aos houthis que ficassem prontos para fechar a rota do Mar Vermelho caso os EUA ataquem a infraestrutura iraniana, e os EUA intensificaram ataques contra o Irã, incluindo um petroleiro perto do principal terminal de exportação do país. Em resposta, o Irã atacou bases dos EUA no Kuwait e na Jordânia, e o tráfego de navios-tanque pelo Estreito de Hormuz caiu para a mínima em dois meses, apenas sete embarcações cruzaram o estreito na quarta-feira, ante 13 no dia anterior.
A agência de notícia também reportou que o carregamento de petróleo foi suspenso em todos os terminais de exportação do Iraque na quinta-feira, após um drone atingir um petroleiro.
Na semana, os dois contratos acumulam ganhos de cerca de 16%, com o Brent rumo à terceira alta semanal seguida e o WTI à segunda.
Hoje, os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em alta de US$3,87 por barril, ou 4,59%, para US$88,10 a barrel. Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA terminaram em alta de US$3,54, ou 4,48%, US$82,49.
Ibovespa
O Ibovespa fechou quase estável nesta sexta-feira (17), com Petrobras atenuando a pressão negativa principalmente dos bancos, mas confirmou a primeira perda semanal em um mês.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,06%, a 173.714,08 pontos, acumulando declínio de 2,33% na semana. Na máxima do dia, chegou a 174.504,63 pontos. Na mínima, a 173.285,28 pontos.
O volume financeiro no pregão somou R$23,86 bilhões, em sessão ainda marcada pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.
A última sessão da semana na B3 teve como pano de fundo o desempenho negativo de praças acionárias no exterior, onde o norte-americano S&P 500 recuou 1%, pressionado por nova queda de ações de fabricantes de chips.
Na pauta local, o IBC-Br, sinalizador do desempenho do PIB calculado pelo Banco Central, mostrou uma desaceleração na atividade econômica brasileira em maio um pouco menor do que as expectativas.
Economistas do Bank of America destacaram que, de acordo com o IBC-Br, a atividade econômica vem oscilando desde fevereiro de 2026, após uma expansão mais acentuada entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.
“O efeito de algumas das medidas de estímulo implementadas pelo governo ainda pode sustentar algum crescimento nos próximos meses, já que elas só recentemente começaram a produzir efeitos”, afirmaram em relatório a clientes.
Os economistas do BofA afirmaram que continuam projetando crescimento do PIB de 2,3% em 2026 e que o IBC-Br de maio é consistente com a expectativa do banco de mais um corte de0,25 ponto percentual na taxa Selic em agosto.
Destaques
• PETROBRAS PN subiu 2,53% e PETROBRAS ON avançou 2,62%, endossadas pela alta do petróleo no exterior, onde o barril do Brent fechou em alta de 4,59%, a US$88,10.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,39%, com o sinal negativo dominando os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN recuou 0,65%, BANCO DO BRASIL ON cedeu 1,3% e SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 0,67%.
• VALE ON terminou com variação negativa de 0,05%, em mais um dia negativo para o setor no exterior. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado em Dalian subiu 0,53%.
• CSN ON recuou 0,98%, tendo no radar dados sobre a produção de aço no Brasil no mês passado, bem como relatório do Safra cortando o preço-alvo do papel de R$11,30 para R$6,10, com manutenção da recomendação neutra. CSN MINERAÇÃO ON caiu 2,2%, com o mesmo relatório do Safra reduzindo o preço-alvo de R$5,80 para R$5,40 e reiterando “underperform”. Na contramão, USIMINAS PNA avançou 4,18%, após quatro quedas seguidas, e GERDAU PN fechou com acréscimo de 0,54%. Na véspera, o UBS BB citou em relatório a clientes que a Gerdau anunciouaumento de preço de aço longo na América do Norte.
• VAMOS ON encerrou com acréscimo de 0,32%, perdendo o fôlego após avançar mais de 4% na máxima do dia. A companhia de aluguel e gestão de frotas de veículos pesados reportou prévia de resultado do segundo trimestre, com receita líquida de R$1,55 bilhão, alta de10,1%.A empresatambém reiterou previsões para o ano.
• MRV&CO ON caiu 3,31%, em pregão negativo para construtoras, tendo como pano de fundo o avanço nas taxas futuras de juros. O índice do setor imobiliário na B3 fechou em baixa de 1,82%.
Dólar
O dólar fechou a sexta-feira em alta leve ante o real, acompanhando o viés positivo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior, após Estados Unidos e Irã intensificarem ataques no Oriente Médio.
A queda das ações de fabricantes de chips também pressionou os mercados globais, com investidores em busca de ativos mais seguros, como o dólar.
O dólar à vista encerrou o dia no Brasil com alta de 0,25%, aos R$5,1109.
No acumulado da semana, a moeda ficou praticamente estável, com variação positiva de 0,06%. No ano, o dólar passou a acumular baixa de 6,89%.
Às 17h06, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — tinha variação negativa de 0,04% na B3, aos R$5,1260.
O dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,1346 (+0,71%) às 10h35, em meio à busca global pela segurança da moeda norte-americana. À tarde, a moeda à vista quase eliminou os ganhos, ao atingir a mínima de R$5,1050 (+0,13%) às 14h49, com alguns investidores zerando parte das posições em dólar na reta final da semana. Ainda assim, a divisa fechou em leve alta.
No Brasil, destaque ainda para os desdobramentos do anúncio de que os EUA cobrarão tarifa de 25% sobre um conjunto de produtos brasileiros. Durante a tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que somente falará da tarifa após uma manifestação do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o assunto.
“Enquanto ele não falar, eu não falarei, porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, disse Lula.
Pela manhã, o Banco Central informou que seu Índice de Atividade (IBC-Br) subiu 0,1% em maio na série com ajuste sazonal, desacelerando ante a alta revisada de 0,4% em abril. Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters projetavam resultado zero em maio. Em relação a maio de 2025, o IBC-Br subiu 0,8% na série sem ajuste sazonal.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.
Às 17h11, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,02%, a 100,730.