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Ibovespa Cai Mais de 1% após Tarifas dos EUA Ao Brasil

Apesar da reação negativa do mercado, a queda foi liderada por Vale e Itaú, empresas pouco expostas às novas tarifas; analistas avaliam que as exceções reduziram os efeitos sobre a B3

8 min

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, pressionado principalmente pelas ações das blue chips Vale e Itaú Unibanco, com a penúltima sessão da semana também marcada pela repercussão do anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos para o Brasil. O índice recuou 1,24%, a 173.825,27 pontos, tendo marcado 173.536,57 na mínima e 176.011,31 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 18,92 bilhões.

Os EUA anunciaram no final da noite de quarta-feira a imposição de tarifasde 25% sobremuitasimportações do Brasil, ao mesmo tempo em que divulgaram uma lista de exceções mais ampla do que o esperado. As novas tarifas devem entrar em vigor em 22 de julho.

Na visão de analistas, os impactos econômicos tendem a ser limitados na economia e na bolsa paulista. “As tarifas impactam pontualmente alguns setores de forma muito forte, mas, quando olhamos para a bolsa no consolidado, esse impacto não é tão significativo”, destacou o analista João Daronco, da Suno Research, em e-mail para comentar a notícia.

Ele chamou a atenção para o fato de que grandes empresas listadas na B3 como Vale e Suzano têm suas operações mais relacionadas com a China do que com os EUA, assim como os bancos – que têm peso relevante no Ibovespa – têm pouca relação com a América do Norte. 

“Ao olhar alguns ativos que poderiam ter mais impacto, como carnes e aeronaves, caso de Embraer e de alguns frigoríficos, fica evidente que a exclusão deles da lista acaba por diminuir ainda mais o impacto possível que essa nova tarifa teria dentro do Ibovespa”, acrescentou.

Para a equipe do JPMorgan, o atual cenário sugere que os impactos econômicos das tarifas sobre o Brasil tendem a ser limitados, “embora uma escalada de medidas de retaliação entre os dois países possa ampliar esses custos”.

Eles também avaliam que os efeitos políticos podem ser mais relevantes, especialmente no contexto das eleições no Brasil em outubro, conforme relatório enviado a clientes nesta quinta-feira.

No exterior, o S&P 500 recuou 0,53%, pressionado por ações de fabricantes de chips, com uma série de dados econômicos dos EUA também sob os holofotes.

O barril do petróleo Brent caiu 0,82%, a US$ 78,95, revertendo a alta registrada em parte do pregão, quando teve suporte em notícia de que o Irã pediu ao movimento houthi do Iêmen que esteja pronto para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho se os EUA atacarem infraestrutura energética iraniana.

Destaques

• VALE ON recuou 2,05%, acompanhando tom mais negativo de outras mineradoras no exterior, em sessão de estabilidade nos preços futuros do minério de ferro na China. No setor, CSN ON perdeu 2,67%, USIMINAS PNA caiu 3,66% e GERDAU PN fechou com declínio de 1,2%, enquanto CSN MINERAÇÃO ON subiu 4,01%.

• PETROBRAS PN perdeu 1,72%, conforme os preços do petróleo reverteram a alta. No setor, BRAVA ON cedeu 2%. A companhia divulgou no final da quarta-feira que a CVM autorizoua retomada da oferta pública (OPA) para aquisição do controle da companhia pela Ecopetrol, que havia sido suspensa. A liberação ocorreu em reunião da CVM no dia 14, quando a ação da Brava subiu 6,49%.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,37%, em dia majoritariamente negativo no setor. BRADESCO PN perdeu 1,02%, SANTANDER BRASIL UNIT recuou 0,63% e BANCO DO BRASIL ON encerrou com variação positiva de 1,02%. O governo brasileiro publicou medida provisória sobre renegociaçãode dívidas rurais, confirmando que os juros cobrados serão de até 12%, com prazo de pagamento de até 10 anos.

• BRASKEM PNA cedeu 4,84%, no terceiro pregão seguido de queda, abandonando a tentativa de recuperação e passando a acumular declínio no mês, enquanto investidores seguem atentos às negociações da petroquímica com credores financeiros.

• COPEL ON recuou 2,8%, após o conselho de administração aprovar uma atualizaçãode parâmetros que orientam sua estrutura de capital e sua política de dividendos. O parâmetro para alavancagem financeira passou de 2,8 vezes dívida líquida/Ebitda para 2,9 vezes, enquanto a distribuição anual de proventos segue pautada pelo mínimo de 75% do lucro líquido.

• WEG ON perdeu 1,74%, tendo de pano de fundo o anúncio sobre as tarifas pelos EUA. Analistas do UBS BB veem um impacto “marginalmente negativo” para a companhia, citando que os 25% estavam em linha com o seu cenário base. O BTG Pactual afirmou em relatório nesta semana que espera que a WEG divulgue no próximo dia 22 um resultado fraco no segundo trimestre, refletindo o baixo crescimento da receita e margens pouco inspiradoras.

• ULTRAPAR ON avançou 2,86%, marcando uma máxima histórica intradia acima de R$32. Analistas do Citi reiteraram recomendação de compra e elevaram o preço-alvo da ação para R$35, enquanto esperam um resultado positivo para o segundo trimestre, puxado principalmente pelo desempenho de Ipiranga.

• SUZANO ON fechou negociada em alta de 0,53%, tendo no radar a inclusão da celulose na lista de exceções de novas tarifas comerciais impostas pelos EUA a determinados produtos brasileiros. No setor, KLABIN UNIT apurou leve recuo de 0,17%.

• MOVIDA ON, que não está no Ibovespa, subiu 0,11%. A companhia de aluguel de veículos, gestão de frotas e venda de seminovos divulgou prévia de resultados com lucro líquido de R$135,6 milhões no período de abril a junho, o maior verificado em um único trimestre em quatro anos e acima dos R$68 milhões registrados um ano antes. Na máxima do dia, porém, avançou mais de 6%.

• ONCOCLÍNICAS ON, que não está no Ibovespa, perdeu 4,49%, após informar na noite de quarta-feira que recebeu uma ofertanão vinculante da empresa de private equity IG4 Capital para um possível negócio de R$500 milhões, envolvendo a subscrição de debêntures conversíveis e a criação de um direito de usufruto sobre ações da empresa. Na véspera, os papéis fecharam com queda de mais de 7%.

Dólar sobe, mas fica abaixo de R$ 5,10

O dólar fechou a quinta-feira em alta no Brasil, pouco abaixo dos R$ 5,10, refletindo o avanço da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior e as preocupações em torno da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,40%, aos R$ 5,09. No ano, a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 7,12% ante o real.

Às 17h08, o dólar futuro para agosto – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – subia 0,35% na B3, aos R$ 5,11.

Pela manhã, os EUA informaram que foram feitos 208 mil pedidos de auxílio-desemprego no país na semana passada, menos que os 217 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Em outra divulgação, os EUA informaram que as vendas no varejo subiram 0,2% em junho, em linha com o esperado.

Após os números, que sugerem uma economia resiliente nos EUA, os rendimentos dos Treasuries ganharam força, atingindo os picos do dia, e o dólar avançou ante as demais divisas, incluindo o real.

No Brasil, este movimento teve respaldo ainda das preocupações do mercado em torno da tarifa de 25% dos EUA sobre uma série de produtos brasileiros a partir de 22 de julho, conforme anunciado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês).

Ainda que a lista de exceções seja mais ampla que o esperado, a tarifação de produtos como etanol, máquinas agrícolas, papel e aço tem potencial para afetar setores específicos da economia brasileira, impactando o fluxo de dólares para o país.

“Mas a movimentação (do dólar ante o real) hoje é mais por conta do fator externo do que qualquer outra coisa”, pontuou Jonathan Joo Lee, head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset.

“Com certeza (a tarifação) é uma pressão para eventual piora do real, mas o movimento de hoje não se resume a isso. O DXY (índice do dólar) está com tendência de alta”, reforçou.

Após marcar a cotação mínima intradia de R$ 5,08 (+0,08%) às 9h01, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a máxima de R$ 5,11 (+0,73%) às 14h13, em um momento em que a moeda norte-americana já havia firmado ganhos ante outras divisas no exterior.

“Por mais que os EUA tenham isentado da tarifa vários produtos, ter tarifa nunca é bom”, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

“Mas este anúncio dos EUA já era esperado. Então, (a tarifa) tem importância na composição da cotação de hoje, mas não foi um efeito tão forte não”, avaliou Jefferson, acrescentando que o exterior foi, de fato, o principal vetor para o avanço do dólar.

No fim da tarde, o dólar seguia em alta ante moedas pares do real como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h12, o índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – subia 0,28%, a 100,740.

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações no Brasil, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.

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