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Quem o BC Ouve para Decidir sobre Juros? Galípolo Rebate Críticas

Presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, explica quais levantamentos são considerados pela autoridade monetária e destaca que todos apontam inflação acima da meta

3 min

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (24) que a economia brasileira tem se mostrado resiliente aos choques geopolíticos que pressionam os preços globais.

A avaliação foi feita no painel Política Monetária no Brasil, no segundo dia da Expert XP, no São Paulo Expo, em conversa com Caio Megale, economista-chefe da XP.

Após o petróleo romper novamente a marca dos US$ 100, os choques de oferta volta, ao centro do debate. Galípolo lembrou que o risco relevante são os efeitos de segunda ordem quando a alta de um item se espalha pelos demais preços da economia. O BC acompanha o impacto sobre oferta e demanda de combustíveis, sobre os indicadores econômicos em geral e sobre as expectativas de mercado. O mercado de trabalho, segundo ele, é o principal termômetro dessa análise.

A taxa de desocupação ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor patamar para o período desde o início da série da PNAD Contínua, em 2012, e abaixo dos 6,2% de um ano antes. A população ocupada chegou a 102,7 milhões de pessoas, um acréscimo de 840 mil em doze meses, enquanto o contingente de desocupados recuou 9,3%, para 6,1 milhões.

No mesmo bate papo, boa parte do tempo foi dedicada a um ponto que costuma render críticas à autoridade monetária: quem o Banco Central ouve antes de decidir os juros?

Galípolo apresentou as ferramentas de pesquisa da instituição e rebateu a ideia de que o colegiado se guia apenas pelo mercado financeiro. Segundo ele, comércio, serviços, indústria de transformação e agronegócio também alimentam os levantamentos que subsidiam as decisões de política monetária.

As duas sondagens do BC

O Banco Central mantém duas pesquisas que ajudam a formar o quadro de expectativas. A mais conhecida é o Focus, boletim semanal que capta as projeções de bancos, corretoras e gestoras para inflação, juros, câmbio e PIB. A outra é a Firmus, de coleta trimestral, que ouve empresas de fora do setor financeiro sobre os próprios negócios e sobre as principais variáveis macroeconômicas.

Para Galípolo, a Firmus aproxima o BC do setor produtivo e agrega valor justamente por captar a percepção de quem vive a economia real.

As duas sondagens hoje apontam na mesma direção: inflação acima da meta. Na edição mais recente do Focus, divulgada em 20 de julho, a mediana do IPCA para 2026 está em 5,15%. Na Firmus publicada em 26 de junho, com 349 empresas ouvidas entre 11 e 29 de maio, a mediana subiu de 4% para 5%. Os dois números ficam acima do teto do regime de meta contínua, de 4,5%, a meta central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo.

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