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Ciclone-bomba Passa Nesta Sexta (7) e Deixa Rastro de Estragos e Prejuízos

Ventos chegam a 109 km/h em Santos e afetam porto

9 min

O Brasil entrou em alerta para a passagem de um ciclone extratropical, com potencial para ser classificado como ciclone-bomba, provocando temporais e ventos intensos em diferentes regiões do país.

Desde quinta-feira (6), o fenômeno já deixou uma pessoa morta, dezenas feridos e danos em 118 municípios do Rio Grande do Sul. Também já provocou um tornado, queda de granizo e destelhamentos. Nesta sexta-feira (7), o risco se desloca principalmente para o Sudeste, onde as rajadas podem chegar a 110 km/h e levaram cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro a suspender aulas e emitir novos alertas à população.

O sistema pode receber a classificação de ciclone-bomba caso seja confirmada uma queda muito acentuada da pressão atmosférica em seu centro em um intervalo de aproximadamente 24 horas. A definição depende, portanto, da evolução e da velocidade de intensificação do fenômeno.

Apesar dos alertas, as operações no Aeroporto Santos Dumont seguiam normalmente nesta sexta. Segundo a Infraero, o terminal operava em condições visuais e, até então, não havia registro de impactos ou prejuízos nas operações.

Ainda não é possível estimar o impacto econômico total provocado pelo ciclone-bomba, já que o fenômeno continua avançando pelo país e seus efeitos ainda serão registrados nesta sexta e durante o final de semana.

Prejuízos milionários

Além dos riscos à população e à infraestrutura urbana, episódios dessa magnitude podem gerar grandes perdas econômicas. A última passagem de um ciclone-bomba pelo Brasil ocorreu entre 30 de junho e 1º de julho de 2020, quando o fenômeno atingiu a Região Sul.

Somente no meio rural de Santa Catarina, os prejuízos daquele evento foram estimados em R$ 587,4 milhões, segundo levantamento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

O montante considerou danos à agricultura, pecuária, pesca e maricultura. Ainda houve perdas envolvendo máquinas, benfeitorias e imóveis rurais. O cálculo, porém, não representou o impacto econômico total do ciclone, uma vez que não incorporou integralmente prejuízos em áreas urbanas, indústrias e infraestrutura.

Na ocasião, 257 municípios catarinenses foram afetados, o equivalente a aproximadamente 87% do estado. Os danos chegaram a 47.247 estabelecimentos agropecuários, pescadores e maricultores.

Quais áreas estão sob maior risco?

A região Sul está entre as áreas mais afetadas pelo sistema. Há previsão de temporais em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, acompanhados de possibilidade de granizo e rajadas de vento que podem variar entre 90 km/h e 110 km/h. Os maiores acumulados de chuva devem atingir principalmente a metade oeste, o sul e o litoral sul gaúcho. Em alguns pontos, os volumes podem se aproximar de 100 milímetros em um curto intervalo.

A combinação de chuva volumosa e ventos fortes eleva o risco de alagamentos, enxurradas, deslizamentos e aumento rápido do nível de córregos e rios menores. Também são possíveis destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e quedas de árvores, postes e estruturas.

Tornado deixa morte e estragos

Os impactos mais graves foram registrados no Rio Grande do Sul. Na quinta, um tornado atingiu a região entre os municípios de Pedro Osório e Pelotas. O fenômeno esteve associado a uma supercélula formada durante o período de forte instabilidade atmosférica e provocou danos em diferentes pontos do estado. Foram registrados destelhamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Até o momento, os eventos meteorológicos relacionados ao sistema deixaram uma pessoa morta, cinco feridas e provocaram danos em 118 municípios gaúchos. A morte de um homem foi registrada em Montenegro, após a queda de uma árvore.

Entre a noite de quinta e a manhã desta sexta, quase 500 mil unidades ficaram sem luz no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Já na tarde desta sexta, 240 mil clientes ainda estão sem o fornecimento, segundo dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A Defesa Civil também contabilizou alagamentos e danos em residências e escolas em municípios como Uruguaiana, Erechim, Caçapava do Sul e Chuí. Em Novo Hamburgo, em torno de 120 casas tiveram os telhados danificados. A instabilidade ainda provocou queda de granizo em localidades como Fazenda Vilanova e Bom Retiro do Sul.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alertas para o Rio Grande do Sul diante da possibilidade de novos temporais. As rajadas podem superar 90 km/h, e as condições de instabilidade devem permanecer até sábado.

Santos registra ventos de 109 km/h

O litoral paulista também está sentindo os efeitos da forte ventania. Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião, Bertioga e Itanhaém suspenderam as aulas da rede municipal nesta sexta como medida preventiva diante da previsão de rajadas superiores a 60 km/h. Em Santos, os ventos chegaram a 109 km/h, segundo a Defesa Civil. A rajada foi registrada por volta das 7h e, apesar da intensidade, o episódio teve curta duração.

“Diante das condições climáticas adversas na Baixada Santista, com fortes ventos, a navegação no canal do Porto de Santos foi suspensa às 6h45 desta sexta (7). A partir das 8h20, em virtude da melhora das condições meteorológicas, com ondas de 0,70m e ventos de 13 nós, foi possível reabrir o canal de navegação para a circulação de embarcações”, comentou o a administração do Porto Santos em nota à Forbes Brasil.

Entre as regiões de São Paulo que receberam alertas da Defesa Civil estão Taciba, Ipaussu, Piraju, Assis, Palmital, Maracaí, Itaí, Paranapanema, Taguaí, Taquarituba, Santa Cruz do Rio Pardo, Bernardino de Campos, Cerqueira César, Itaberá, Avaré, Itapeva, Angatuba, Itatinga, São Miguel Arcanjo, Itapetininga, Guapiara, Capão Bonito, Ribeirão Branco, Guareí, Ribeirão Grande, Eldorado, Sarapuí, Pilar do Sul, Piedade e Ibiúna, além do Litoral Sul e da Baixada Santista.

Diante do risco de novas ocorrências provocadas pelos ventos fortes, a Enel São Paulo reforçou a operação e divulgou orientações de segurança aos consumidores para situações de interrupção no fornecimento de energia elétrica. A distribuidora informou que ampliou as equipes operacionais e a estrutura dos canais de atendimento nos 24 municípios de sua área de concessão. A companhia também participa do Gabinete de Crise do governo de São Paulo e acompanha a evolução das condições meteorológicas em conjunto com a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, a CET e outros órgãos públicos.

Durante eventos meteorológicos severos, a Enel recomenda que ocorrências relacionadas à falta de energia sejam registradas, preferencialmente, pelos canais digitais da companhia, como site, aplicativo e WhatsApp.

Em situações de tempestades e ventos intensos, a distribuidora recomenda alguns cuidados para reduzir o risco de acidentes:

  • Não se aproxime de cabos de energia rompidos ou caídos;
  • Evite contato com estruturas metálicas, como postes, semáforos, pontos de ônibus, portões e grades, principalmente em locais alagados;
  • Retire aparelhos eletrônicos das tomadas e mantenha os equipamentos afastados da água;
  • Procure abrigo em um local seguro, distante de postes, árvores, fiações e outras estruturas que possam ser atingidas pela ventania;
  • Evite permanecer em áreas com grande concentração de árvores durante tempestades, devido ao risco de quedas.

Ventania suspende aulas no Rio de Janeiro

Já no Rio de Janeiro, a previsão de ventos fortes levou as autoridades municipais e estaduais a suspenderem as aulas da rede pública nesta sexta-feira. A medida foi adotada diante da possibilidade de rajadas superiores a 90 km/h. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) também interrompeu as atividades presenciais.

A cidade do Rio entrou em Estágio 2, nível que indica risco de ocorrências de alto impacto. Os alertas foram enviados aos celulares da população, enquanto as autoridades recomendaram cautela nos deslocamentos e atenção a locais expostos à ventania.

Ao todo, cerca de 89 mil unidades consumidoras estão sem luz no Rio e em São Paulo. O Rio de Janeiro concentra a maior parte das interrupções, com 54,8 mil clientes afetados — 33,3 mil atendidos pela Light e outros 21,5 mil pela Enel Rio.

Na manhã desta sexta, a Prefeitura e o governo estadual também recomendaram a antecipação do encerramento de atividades não essenciais. A orientação buscou reduzir a circulação de pessoas durante o período de maior risco e permitir o retorno antecipado para casa. A medida ocorreu após o registro de ventos de 74 km/h na região de Costa Verde.

Como se forma um ciclone-bomba?

A formação de um ciclone-bomba está relacionada à interação entre massas de ar com características muito diferentes. O encontro de uma massa de ar frio com outra mais quente e úmida cria condições favoráveis ao desenvolvimento e à intensificação de uma área de baixa pressão.

Conforme a pressão atmosférica diminui no centro do sistema, cresce a diferença em relação às regiões ao redor. Esse chamado gradiente de pressão acelera a circulação do ar e pode produzir ventos muito intensos em uma extensa área.

Quando a pressão central do ciclone cai de maneira rápida em aproximadamente 24 horas, ocorre um processo conhecido como ciclogênese explosiva. É essa intensificação acelerada que pode levar um ciclone extratropical a ser classificado como ciclone-bomba.

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