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Eventos Climáticos Extremos Estão se Tornando uma Crise da Força de Trabalho

Intempéries sempre foram tratadas como questão ambiental, mas agora elas também vêm se tornando um desafio de saúde pública

8 min

Empresários passaram os últimos anos absorvendo uma disrupção da força de trabalho após a outra: uma pandemia global, escassez de mão de obra, instabilidade nas cadeias de suprimento, aumento dos custos com saúde e mudanças nas expectativas relacionadas à flexibilidade e ao bem-estar. E à medida que ondas de calor, furacões, enchentes e tempestades severas se tornam mais frequentes e mais disruptivas, está claro que o próximo grande desafio já chegou. Trata-se dos eventos climáticos extremos.

Os números chamam atenção. Cerca de quatro em cada cinco trabalhadores dos Estados Unidos relatam ter enfrentado pelo menos uma interrupção relacionada ao clima no trabalho no último ano. Quase dois terços dos trabalhadores afirmam que essas interrupções prejudicaram sua produtividade, desde condições inseguras e atrasos no deslocamento até fechamento de escolas e desafios relacionados aos cuidados com familiares. Ainda assim, a preparação dos empregadores não acompanhou a evolução do risco. Apenas 4% dos empregadores avaliaram as ameaças relacionadas ao clima que afetam sua força de trabalho.

Essa diferença entre exposição e preparação deveria preocupar todos os CEOs, líderes de benefícios corporativos, profissionais de saúde e segurança ocupacional, executivos de recursos humanos, gestores de risco e formuladores de políticas públicas do país. Os Estados Unidos já acumularam perdas de US$ 12,4 bilhões (R$ 62,7 bilhões na cotação atual) em desastres relacionados ao clima e ao tempo apenas em 2026. E esse valor considera apenas os danos a residências, estradas, empresas e infraestrutura.

Os prejuízos que se acumulam dentro da força de trabalho, como horas de trabalho perdidas, menor produtividade, aumento dos custos com saúde, instabilidade no quadro de funcionários e crescimento dos riscos de segurança, são mais difíceis de perceber, mas não menos reais. Os custos diretos com saúde associados às mudanças climáticas, por exemplo, são estimados em mais de US$ 800 bilhões por ano (R$ 4,05 trilhões) nos Estados Unidos. E interrupções provocadas por fenômenos como calor extremo foram estimadas em US$ 100 bilhões (R$ 506 bilhões) em 2021, valor que deverá crescer para US$ 500 bilhões por ano (R$ 2,53 trilhões) até 2050.

O Risco Climático É Um Risco Humano

Por muito tempo, os eventos climáticos extremos foram tratados como uma questão ambiental. Mais recentemente, passamos a entendê-los como uma questão de saúde pública. Para os empregadores, porém, eles agora representam algo ainda mais imediato: uma questão de força de trabalho e produtividade.

Calor, fumaça de incêndios florestais, furacões, enchentes, má qualidade do ar e tempestades severas influenciam se os trabalhadores conseguem se deslocar com segurança, manter a saúde durante o expediente, cuidar de suas famílias e desempenhar suas funções quando chegam ao trabalho. E os efeitos não ficam restritos a uma única função ou departamento.

Uma onda de calor pode começar como uma preocupação de segurança ocupacional para uma equipe da construção civil. Mas rapidamente se transforma em uma questão de benefícios quando os trabalhadores sofrem desidratação ou sobrecarga cardiovascular. Torna-se uma questão de absenteísmo quando escolas fecham ou sistemas de transporte param de funcionar. Vira uma questão de saúde mental quando famílias enfrentam deslocamento forçado, danos às suas casas ou estresse financeiro. E transforma-se em uma questão de continuidade dos negócios quando a disponibilidade de funcionários se torna imprevisível, as operações desaceleram e as cadeias de suprimento são interrompidas.

Vimos isso acontecer em tempo real depois que o Furacão Helene atingiu o Sudeste dos Estados Unidos em 2024. Grandes empregadores em diversas áreas do oeste da Carolina do Norte perderam semanas de operação, e os trabalhadores enfrentaram não apenas danos às suas residências, mas também efeitos em cascata sobre cuidados infantis, transporte e saúde mental que persistiram muito depois de as águas das enchentes baixarem. As empresas que se recuperaram mais rapidamente foram aquelas que já haviam incorporado flexibilidade em suas políticas de licença, remuneração e comunicação.

A Preparação Precisa se Tornar Parte da Estratégia de Gestão da Força de Trabalho

Historicamente, muitas empresas trataram a preparação para eventos climáticos como uma função ligada às instalações, à sustentabilidade ou à resposta a emergências. Isso já não é suficiente.

Preparação, resposta e recuperação precisam fazer parte da estratégia de gestão da força de trabalho, incorporadas ao desenho dos benefícios, às políticas de licença, à saúde e segurança ocupacional, às comunicações e ao planejamento de continuidade dos negócios.

A pergunta central é simples: os empregadores sabem quais trabalhadores estão em risco, quais são esses riscos e quais mecanismos de apoio existem antes que a próxima interrupção aconteça?

A boa notícia é que os empregadores não precisam começar do zero. No início deste ano, a Health Action Alliance (HAA) lançou o programa Extreme Weather + Work para ajudar empregadores a se prepararem melhor para os crescentes impactos dos eventos climáticos extremos sobre a força de trabalho.

O copresidente da Comissão Nacional sobre Clima e Saúde da Força de Trabalho da HAA, que atua como conselho consultivo dessa nova iniciativa, reúne empregadores, especialistas em saúde pública e líderes empresariais para desenvolver ferramentas práticas e orientações baseadas em evidências. A iniciativa oferece recursos gratuitos, incluindo um projetor de custos de saúde relacionados ao clima, um sistema de avaliação da saúde climática e da saúde dos trabalhadores e guias de liderança específicos para diferentes funções, projetados para ajudar empregadores a projetar custos e se antecipar aos riscos relacionados ao clima.

Essa orientação prática é importante. Os empregadores não precisam de mais um alerta abstrato sobre riscos climáticos. Eles precisam de um manual de ação. Precisam de ferramentas que os ajudem a identificar trabalhadores e regiões expostas, antecipar impactos sobre a saúde e a produtividade, desenvolver benefícios que aumentem a resiliência e capacitar gestores para se comunicarem de forma eficaz antes e durante interrupções.

O Que os Empregadores Podem Fazer Agora

Aqui estão quatro medidas práticas que qualquer empregador pode começar a adotar imediatamente:

Avaliar os riscos: identificar quais trabalhadores estão expostos ao calor, fumaça, enchentes, tempestades ou interrupções no deslocamento e quais locais de trabalho são mais vulneráveis. Considerar como condições de saúde, responsabilidades de cuidado com familiares ou instabilidade habitacional ampliam essa exposição.

Tornar a preparação uma responsabilidade interfuncional: isso não pode ficar sob responsabilidade de uma única equipe. Recursos humanos, benefícios, saúde e segurança ocupacional, operações, gestão de riscos, segurança corporativa e comunicação têm um papel a desempenhar, e precisam estar alinhados antes do próximo evento, não depois.

Atualizar políticas antes da próxima emergência: revisar protocolos de segurança para calor extremo, flexibilidade para trabalho remoto, licenças remuneradas, comunicação de emergência, equipes de contingência, apoio ao transporte e cobertura de saúde para necessidades relacionadas a eventos climáticos.

Ouvir os trabalhadores: os funcionários geralmente são os primeiros a perceber onde as políticas falham, e nossas pesquisas mostram que eles veem os empregadores como atores centrais na proteção de sua saúde e segurança.

Os Empregadores Que se Prepararem Serão os Líderes

Preparação não é apenas uma responsabilidade corporativa. É também uma boa decisão de negócios. Empresas que planejam com antecedência estarão mais bem posicionadas para proteger seus trabalhadores, manter operações, reduzir custos evitáveis com saúde e reter talentos. As que esperarem acabarão reagindo a cada crise à medida que ela surgir, frequentemente enfrentando custos humanos e financeiros maiores.

Nossa força de trabalho sempre se adaptou a condições em mudança. Mas a adaptação tem limites. Não é possível reorganizar uma força de trabalho no meio de um furacão nem treinar equipes durante uma onda de calor.

Os eventos climáticos extremos já estão remodelando a forma como os americanos trabalham. Os empregadores que se prepararem para essa realidade liderarão a próxima década do trabalho. Os que não se prepararem passarão essa década reagindo aos acontecimentos.

Publicado originalmente na Forbes EUA

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