Nesta sexta-feira (7), o mercado de trabalho americano surpreendeu negativamente com a divulgação do payroll. A economia dos Estados Unidos fechou 23 mil vagas fora do setor agrícola em julho. O dado veio muito abaixo da expectativa do mercado que variava de 10 mil e 140 mil novos empregos.
Segundo Andressa Durão, economista do ASA, o número negativo no mês foi causado por uma forte queda do emprego público (-53 mil vagas). A média móvel do emprego privado desacelerou de 80 mil para 40 mil.
Outro ponto foi a baixa da taxa de desemprego, que passou de 4,2% para 4,1%. Esse movimento foi influenciado pela redução da taxa de participação da força de trabalho, que caiu para 61,4%, o menor nível em cinco anos. Ou seja, apesar da menor criação de vagas, menos pessoas estavam buscando emprego, ajudando a sustentar a taxa de desemprego.
Já a demanda interna cresceu no ritmo mais rápido em mais de três anos no segundo trimestre, mesmo com o conflito no Oriente Médio já no sexto mês.
Além disso, o Bureau of Labor Statistics (BLS) também revisou para baixo os dados de junho. O mês, que havia sido divulgado com criação de 57 mil vagas, teve o número recalculado para uma perda de 20 mil postos. A revisão foi classificada como acentuada pelo próprio relatório.
Expectativas
Apesar do dado mais fraco, há alguns pontos positivos no relatório. O crescimento dos salários segue resiliente. A alta foi de 3,2%, abaixo da expectativa de 3,5%, mas ainda em uma trajetória próxima da inflação, indicando manutenção do poder de compra dos trabalhadores.
“A leitura geral é que o mercado de trabalho americano continua saudável, mas mostra sinais de desaceleração em um ritmo maior do que o esperado anteriormente. Para os mercados, o dado é positivo porque reduz o risco de uma economia superaquecida e de uma postura mais agressiva do Fed”, comenta William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
O resultado reacende as dúvidas sobre uma possível alta de juros pelo Federal Reserve em setembro. Antes da divulgação do payroll, o mercado financeiro já precificava uma alta de juros pelo Fed em setembro. Na semana passada, o banco central americano manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75%. Três membros do comitê de política monetária discordaram da decisão e defenderam alta de 0,25 ponto percentual.