Quão difícil é entrar atualmente na listaForbes 400, que reúne as pessoas mais ricas dos Estados Unidos? Basta considerar o seguinte: hoje há um recorde de 590 bilionários norte-americanos que simplesmente não são ricos o suficiente para fazer parte do ranking.
Com o boom da inteligência artificial e dos data centers a todo vapor e o mercado acionário dos Estados Unidos próximo de uma máxima histórica, agora é preciso ter um patrimônio recorde de US$ 4,4 bilhões (R$ 22,57 bilhões) para figurar entre as 400 pessoas mais ricas do país.
São US$ 600 milhões (R$ 3,08 bilhões) a mais do que no ano passado e US$ 2,7 bilhões (R$ 13,85 bilhões) acima do valor exigido há uma década. No total, os integrantes da Forbes 400 deste ano estão mais ricos do que nunca, com patrimônio conjunto de US$ 8 trilhões (R$ 41,04 trilhões), ante US$ 6,6 trilhões (R$ 33,86 trilhões) em 2025.
Os ganhos expressivos começam no topo do ranking. Elon Musk já era, no ano passado, o norte-americano mais rico de todos os tempos, com uma fortuna de US$ 428 bilhões (R$ 2,20 trilhões).
Desde então, ele mais do que dobrou seu patrimônio nos últimos 12 meses, ficando US$ 480 bilhões (R$ 2,46 trilhões) mais rico depois de abrir o capital de sua fabricante de foguetes SpaceX, em junho, no maior IPO da história — operação que também fez dele, por um breve período, o primeiro trilionário do planeta.
Musk agora possui um patrimônio estimado em US$ 908 bilhões (R$ 4,66 trilhões) — impressionantes US$ 530 bilhões (R$ 2,72 trilhões) a mais do que o segundo colocado da lista, Jeff Bezos, da Amazon. O próprio Bezos está US$ 137 bilhões (R$ 702,81 bilhões) mais rico do que há um ano e subiu duas posições no ranking, impulsionado pela valorização das ações da gigante do comércio eletrônico e por uma avaliação muito maior de sua própria empresa de foguetes, a Blue Origin.
A diferença entre as fortunas de Musk e Bezos agora equivale a mais de três vezes e meia o patrimônio de Warren Buffett — ou à riqueza combinada dos 105 bilionários que ocupam as últimas posições da Forbes 400 deste ano.
O ranking
O cofundador da AlphabetLarry Pageocupa a terceira posição na lista deste ano, com patrimônio de US$ 278 bilhões (R$ 1,43 trilhão), graças à valorização de quase 60% das ações da controladora do Google, em um ano de forte desempenho do Google Cloud e das ferramentas de inteligência artificial Gemini, do Google. Seu cofundador,Sergey Brin, que destina uma parcela maior de seu patrimônio à filantropia e já se divorciou duas vezes, aparece em quinto lugar, com US$ 256 bilhões (R$ 1,31 trilhão).
Entre os dois, na quarta posição, está Michael Dell, cuja Dell Technologies registra um salto nos pedidos de servidores para inteligência artificial. No total, as 20 pessoas mais ricas dos Estados Unidos ficaram quase US$ 1 trilhão (R$ 5,13 trilhões) mais ricas no último ano.
Juntas, agora acumulam um patrimônio recorde de US$ 4 trilhões (R$ 20,52 trilhões). Quinze delas são centibilionárias, termo usado para quem possui patrimônio líquido de pelo menos US$ 100 bilhões (R$ 513 bilhões). A Forbes calculou as fortunas com base nos preços das ações em 4 de setembro de 2026.
Estreando na lista
Apesar do valor recorde necessário para entrar no ranking, 34 estreantes conseguiram conquistar uma vaga.
Entre os novos nomes estão mais de uma dúzia de magnatas da inteligência artificial, incluindo o estreante mais jovem, Steven Hao, de 30 anos, cofundador da Cognition AI, com US$ 5,8 bilhões (R$ 29,75 bilhões); seis cofundadores da Anthropic, desenvolvedora do Claude, cada um com patrimônio estimado em US$ 15,5 bilhões (R$ 79,52 bilhões), incluindo Daniela Amodei, que agora é a segunda mulher mais rica dos Estados Unidos entre aquelas que construíram a própria fortuna; e Greg Brockman, cofundador da OpenAI, gigante por trás do ChatGPT, que é o estreante mais rico deste ano, com patrimônio estimado em US$ 25,5 bilhões (R$ 130,82 bilhões).
Mas a inteligência artificial está longe de ser o único caminho para alcançar uma fortuna bilionária atualmente.
Outros estreantes incluem David MacNeil, com US$ 5 bilhões (R$ 25,65 bilhões), cuja WeatherTech vende tapetes, protetores solares e outros acessórios automotivos; Robert Low, com US$ 5,6 bilhões (R$ 28,73 bilhões), que acumulou sua fortuna nos setores de transporte rodoviário e logística; e o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, que conduziu sua empresa de Wall Street, a Cantor Fitzgerald, a um investimento na Tether, companhia de criptomoedas em rápido crescimento, antes de assumir o cargo público. Atualmente, sua fortuna é estimada em US$ 7,3 bilhões (R$ 37,45 bilhões).
Omaior ganho em valores absolutosfoi registrado por Musk, mas o maior avanço percentual ficou comJosh Kushner, investidor de venture capital e filho do magnata imobiliário Charles Kushner — além de cunhado de Ivanka Trump. Seu patrimôniodisparou mais de 220%, chegando a US$ 16,7 bilhões (R$ 85,67 bilhões) neste ano, depois que sua empresa de venture capital, a Thrive Capital, quase triplicou os ativos sob gestão graças a investimentos bem-sucedidos em OpenAI e SpaceX.
Mais ricas
Há 62 mulheres na Forbes 400 de 2026, o equivalente a aproximadamente 16% do ranking, mesmo número registrado no ano passado. A mulher mais rica dos Estados Unidos continua sendo Alice Walton, única filha do cofundador do Walmart, Sam Walton (morto em 1992).
As ações da gigante varejista avançaram mais de 10% desde o ano passado, ajudando Walton a ampliar sua vantagem sobre a segunda mulher mais rica do país, Julia Koch, com patrimônio estimado em US$ 84,6 bilhões (R$ 434 bilhões), herdeira da fortuna do conglomerado Koch, Inc.
A mulher mais rica entre aquelas que construíram a própria fortuna continua sendoDiane Hendricks, com US$ 23,6 bilhões (R$ 121,07 bilhões). Ela é cofundadora da ABC Supply, empresa de Wisconsin especializada no fornecimento de materiais para telhados. Hendricks é uma das apenas 13 mulheresself-madepresentes na lista deste ano, número inalterado em relação a 2025.
Idade
Neste ano, dez integrantes da Forbes 400 têm menos de 40 anos, ante apenas quatro no ano passado, já que o boom da inteligência artificial impulsionou sete jovens novos bilionários para o ranking.
Entre os dez mais jovens estão Hao, Brockman, quatro cofundadores da Anthropic e Palmer Luckey, que criou o headset de realidade virtual Oculus ainda na adolescência, vendeu sua empresa para o Facebook e, desde então, multiplicou sua fortuna com a Anduril, startup de tecnologia de defesa baseada em inteligência artificial.
Ointegrante mais velhoda lista é o magnata do setor madeireiroArchie Aldis Emmerson, de 97 anos. Aidade médiados participantes é de 70 anos. No total,71% dos integrantes construíram a própria fortuna, em vez de herdá-la, mesmo percentual registrado em 2025.
Sobe e desce
Dos 360 bilionários que apareceram tanto na lista de 2025 quanto na de 2026, três quartos estão mais ricos do que há um ano. Apenas 81 ficaram mais pobres, entre eles Larry Ellison, que registrou a maior perda em valores absolutos.
Com patrimônio de US$ 204 bilhões (R$ 1,05 trilhão), Ellison perdeu US$ 72 bilhões (R$ 369,36 bilhões), à medida que investidores da Oracle se mostraram menos entusiasmados com a onda de investimentos em inteligência artificial financiados por dívida realizada pela empresa de software.
Já a maior perda percentual foi registrada porMichael Saylor, com patrimônio de US$ 4,6 bilhões (R$ 23,60 bilhões). Sua grande aposta no Bitcoin contribuiu para uma queda de 57% nas ações de sua companhia de capital aberto, a Strategy, ao longo do último ano, em meio à desvalorização da criptomoeda.
O presidenteDonald Trumpcaiu 44 posições neste ano, passando do 201º lugar no ano passado para o 245º, em meio à redução do valor de sua memecoin $TRUMP, negociada publicamente, e da Trump Media & Technology Group, controladora da Truth Social. A fortuna de Trump agora é estimada em US$ 7 bilhões (R$ 35,91 bilhões), abaixo dos US$ 7,3 bilhões (R$ 37,45 bilhões) registrados há um ano.
Filantropia
Trump faz parte dos 44% dos integrantes da Forbes 400 que doaram menos de 1% de suas fortunas, segundo a investigação anual da Forbes sobre as doações filantrópicas realizadas ao longo da vida de cada participante do ranking.
No ano passado, 39% da lista havia doado menos de 1% — o que significa que, embora o patrimônio dos norte-americanos mais ricos tenha disparado, sua generosidade não aumentou.
No total, quase 80% dos integrantes do ranking doaram menos de 5% de suas riquezas, embora o número de grandes doadores esteja crescendo. Neste ano, a Forbes identificou 13 bilionários que já destinaram pelo menos 20% de seus patrimônios à filantropia, conquistando a rara nota 5 no índice de doações da publicação.
Quem ficou de fora?
Trinta e quatro integrantesdo ranking do ano passado ficaram de fora da lista deste ano. Entre eles está o lendário investidor ativista e integrante de longa dataCarl Icahn, cujas ações da Icahn Enterprises, empresa de capital aberto, mantiveram nos últimos 12 meses a trajetória de queda que já se estende por vários anos.
Outro nome que deixou o ranking foiDavid Baszucki, cofundador e CEO da Roblox, companhia de capital aberto que vem registrando menos usuários e gastos menores em sua plataforma de jogos voltada ao público infantil, fatores que ajudaram a derrubar suas ações em 65%.
Também ficaram de foraCameron e Tyler Winklevoss. A corretora de criptomoedas Gemini, fundada pelos irmãos e que abriu seu capital em setembro de 2025, levou os dois à lista daquele ano. Desde então, porém, a empresa perdeu 85% de seu valor em meio a fortes prejuízos e à queda no volume de negociações, eliminando ambos do ranking de 2026.
Outros seis integrantes da lista de 2025 morreram, incluindo o magnata da mídiaDonald Newhouse, que tinha mais de 90 anos, eLeonid Radvinsky, proprietário da OnlyFans, que morreu de câncer em março, aos 43 anos.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com