Não há maneira melhor de vislumbrar o futuro do que olhar para os jovens. Isso é particularmente verdadeiro quando se observa a lista Forbes 400, que reúne as pessoas mais ricas dos Estados Unidos. A revolução da inteligência artificial (IA) está transformando o ranking e levando magnatas cada vez mais jovens para o clube mais exclusivo do país em um ritmo impressionante.
No ano passado, apenas quatro bilionários com menos de 40 anos tinham patrimônio suficiente para entrar na Forbes 400. Neste ano, são dez.
Sete pessoas na faixa dos 30 anos entraram na lista pela primeira vez neste ano — apesar de ser necessário um patrimônio líquido recorde de US$ 4,4 bilhões (R$ 22,44 bilhões) para alcançar o corte — e todas construíram suas fortunas com o boom da IA.
Quatro desses sete vêm de uma única empresa: a Anthropic, fundada em 2021, quando sete funcionários da OpenAI deixaram a companhia convencidos de que ela estava desenvolvendo IA rápido demais, sem levar em consideração segurança ou confiança. Agora, quatro deles estão entre os dez integrantes mais jovens da Forbes 400 deste ano — outros dois estão no início dos 40 anos e também são novatos no ranking, enquanto um é cidadão canadense.
Todos os sete cofundadores — incluindo Tom Brown (39 anos), Daniela Amodei (39), Jack Clark (37) e Sam McCandlish (36) — agora têm patrimônio estimado em US$ 15,5 bilhões (R$ 79,05 bilhões) cada e aparecem empatados na 75ª posição da lista. A Anthropic, criadora do modelo de IA Claude, foi avaliada mais recentemente em US$ 96,5 bilhões (R$ 492,15 bilhões), após uma rodada de financiamento de US$ 6,5 bilhões (R$ 33,15 bilhões) em maio. No início deste ano, os sete cofundadores se comprometeram a doar 80% de suas fortunas no futuro.
A OpenAI também vai bem. O cofundador e presidente Greg Brockman, de 38 anos, é o novo integrante mais rico da Forbes 400. Ele entrou para o ranking depois de admitir, sob juramento, durante um julgamento em maio — como parte da batalha judicial da empresa responsável pelo ChatGPT contra Elon Musk — que sua participação na OpenAI vale mais de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões). A OpenAI foi avaliada em US$ 852 bilhões (R$ 4,35 trilhões) em março, e tanto a OpenAI quanto a Anthropic protocolaram de forma confidencial, neste verão, pedidos para eventualmente abrir o capital.
Depois vem Palmer Luckey, da Anduril, o segundo integrante mais jovem da lista, aos 33 anos. A fabricante de drones autônomos levantou US$ 5 bilhões (R$ 25,5 bilhões) com investidores de capital de risco em maio, em uma operação que avaliou a empresa em US$ 61 bilhões (R$ 311,1 bilhões).
O integrante mais jovem da Forbes 400 de todos é Steven Hao, de 30 anos, cofundador e diretor de tecnologia da Cognition, empresa que desenvolveu o Devin, um software de engenharia de IA. Em setembro, a Cognition anunciou uma rodada privada de financiamento de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões), com uma avaliação de US$ 48 bilhões (R$ 244,8 bilhões), menos de três anos após sua fundação.
Apenas três bilionários que estavam entre os dez mais jovens da Forbes 400 em 2025 mantiveram suas posições neste ano: Edwin Chen (38), fundador da empresa de treinamento de IA Surge AI; Vlad Tenev (39), cofundador do aplicativo de negociação Robinhood; e Lukas Walton (também 39), herdeiro da fortuna do Walmart.
Walton é o único dos dez que herdou sua fortuna e, com um patrimônio estimado em US$ 44,4 bilhões (R$ 226,44 bilhões), é o mais rico do grupo. Ele é seguido por Brockman, com patrimônio estimado em US$ 25,5 bilhões (R$ 130,05 bilhões).
Ao todo, os dez bilionários mais jovens do ranking Forbes 400 deste ano têm patrimônio combinado de US$ 169 bilhões (R$ 861,9 bilhões), abaixo dos US$ 357 bilhões (R$ 1,82 trilhão) de 2025. A queda se deve quase inteiramente ao fato de alguns magnatas muito ricos — entre eles o cofundador e CEO da Meta, Mark Zuckerberg, de 42 anos (patrimônio estimado em US$ 212 bilhões; R$ 1,081 trilhão), o investidor de capital de risco Josh Kushner, de 41 anos (US$ 16,7 bilhões; R$ 85,17 bilhões), e o cofundador do Airbnb, Nathan Blecharczyk, de 43 anos (US$ 11,9 bilhões; R$ 60,69 bilhões) — terem ultrapassado o limite de idade para figurar entre os dez mais jovens.
A lista reúne pessoas de 30 anos, como o novato Hao, até o magnata do setor madeireiro Archie Aldis Emmerson, de 97 anos, com uma fortuna de US$ 6 bilhões (R$ 30,6 bilhões). A idade média é de 70 anos.
Confira os dez integrantes mais jovens da Forbes 400 de 2026, listados do mais velho para o mais jovem.
10. Lukas Walton, 39 anos
Patrimônio líquido: US$ 44,4 bilhões (R$ 226,44 bilhões)
Fonte da riqueza: Walmart
Neto do fundador do Walmart, Sam Walton (morto em 1992), e único filho de John Walton (morto em 2005), Lukas Walton herdou cerca de um terço do patrimônio do pai, principalmente em ações do Walmart. Ele administra a Builders Vision, empresa de investimentos e filantropia sediada em Chicago que administra mais de US$ 15 bilhões (R$ 76,5 bilhões) em ativos voltados para energia limpa, alimentos sustentáveis e conservação dos oceanos. Em junho, adquiriu uma participação minoritária no Chicago Bulls, da NBA.
9. Vlad Tenev, 39 anos
Patrimônio líquido: US$ 7,1 bilhões (R$ 36,21 bilhões)
Fonte da riqueza: Robinhood
Tenev nasceu na Bulgária, filho de dois funcionários do Banco Mundial, e conheceu seu cofundador e também integrante da Forbes 400, Baiju Bhatt (41 anos), na Universidade Stanford. Em 2013, os dois lançaram a Robinhood, aplicativo que eliminou as comissões sobre operações com ações e levou o restante do setor de corretagem a seguir o mesmo caminho.
Eles abriram o capital da empresa em 2021, e a participação de aproximadamente 6% de Tenev representa a maior parte de sua fortuna. O negócio que mais cresce atualmente na Robinhood é o de mercados de previsão, nos quais os usuários compram contratos relacionados a eventos futuros, incluindo eleições, decisões do Federal Reserve, esportes e até o clima.
No segundo trimestre deste ano, os mercados de previsão geraram mais de US$ 156 milhões (R$ 795,6 milhões) em receita, superando com folga as operações com ações e criptomoedas. Tenev também preside a Harmonic, uma startup de IA que fundou em 2023 e que tem como foco o raciocínio matemático.
8. Tom Brown, 39 anos
Patrimônio líquido: US$ 15,5 bilhões (R$ 79,05 bilhões)
Fonte da riqueza: Anthropic
Brown estudou ciência da computação e ciência cognitiva no MIT e foi um dos primeiros 20 funcionários da OpenAI. Ele foi o principal autor do artigo de 2020 que apresentou o GPT-3, modelo de linguagem que demonstrou que esses sistemas poderiam escrever de forma fluente e desencadeou o atual boom de investimentos em inteligência artificial.
Em 2021, Brown deixou a OpenAI com outros seis colegas para fundar a Anthropic, laboratório de IA concorrente que desenvolve o chatbot Claude. Na empresa, ele supervisiona a infraestrutura computacional usada para treiná-lo.
7. Daniela Amodei, 39 anos
Patrimônio líquido: US$ 15,5 bilhões (R$ 79,05 bilhões)
Fonte da riqueza: Anthropic
Amodei se formou na Universidade da Califórnia em Santa Cruz e trabalhou na empresa de pagamentos Stripe antes de ingressar na OpenAI, onde supervisionava as áreas de segurança e políticas. Em 2021, deixou a empresa com seu irmão Dario — hoje CEO da Anthropic e também novato na Forbes 400 deste ano, aos 43 anos — e outros cinco colegas para fundar a Anthropic.
Ela atua como presidente e presidente do conselho da empresa, supervisionando as áreas de pesquisa, engenharia, produto e operações comerciais.
6. Edwin Chen, 38 anos
Patrimônio líquido: US$ 18 bilhões (R$ 91,8 bilhões)
Fonte da riqueza: Surge AI
Chen cresceu em uma cidade da Flórida com 3.400 habitantes, onde seus pais, imigrantes taiwaneses, administravam um restaurante chinês-tailandês. Ele estudou matemática, linguística e ciência da computação no MIT antes de trabalhar no Google, Facebook e Twitter.
Em 2020, fundou a Surge AI, empresa que emprega pessoas para rotular dados, além de avaliar e corrigir respostas geradas por IA para treinar modelos. Clientes como Google e Anthropic ajudaram a levar a receita anual da Surge para mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões), sem financiamento de empresas de capital de risco. Estima-se que Chen detenha cerca de 75% da companhia.
5. Greg Brockman, 37 anos
Patrimônio líquido: US$ 25,5 bilhões (R$ 130,05 bilhões)
Fonte da riqueza: OpenAI
Brockman deixou tanto Harvard quanto o MIT sem concluir a graduação. Aos 25 anos, tornou-se diretor de tecnologia da empresa de pagamentos Stripe e, aos 28, cofundou a OpenAI com Elon Musk e o CEO Sam Altman como uma organização sem fins lucrativos, em 2015.
Como presidente da companhia, Brockman supervisiona a infraestrutura por trás dos modelos da OpenAI e, desde julho, também a área de produtos — tornando-se o segundo na hierarquia da empresa antes de uma possível abertura de capital.
Em 2024, Musk processou Brockman e Altman por causa da transformação da OpenAI em uma empresa com fins lucrativos, o que levou à divulgação da participação acionária de Brockman em maio. Brockman também revelou possuir quase US$ 500 milhões (R$ 2,55 bilhões) em ações da Stripe, além de pequenos investimentos na fabricante de semicondutores Cerebras e na fornecedora de capacidade computacional CoreWeave, ambas fornecedoras da OpenAI.
4. Jack Clark, 37 anos
Patrimônio líquido: US$ 15,5 bilhões (R$ 79,05 bilhões)
Fonte da riqueza: Anthropic
Clark cobria inteligência artificial como repórter da Bloomberg antes de ingressar na OpenAI como diretor de políticas. Desde que deixou a OpenAI com seus cofundadores da Anthropic, em 2021, tornou-se um dos defensores mais conhecidos da regulamentação governamental da IA no setor.
Atualmente, dirige o centro de estudos interno da Anthropic, que pesquisa os efeitos da tecnologia sobre a sociedade, e escreve uma newsletter sobre o setor amplamente lida.
3. Sam McCandlish, 36 anos
Patrimônio líquido: US$ 15,5 bilhões (R$ 79,05 bilhões)
Fonte da riqueza: Anthropic
McCandlish obteve um Ph.D. em física teórica em Stanford antes de ingressar na OpenAI, onde trabalhou com leis de escala — a descoberta de que os sistemas de IA ficam previsivelmente mais inteligentes à medida que recebem mais dados e capacidade computacional.
Depois de cofundar a Anthropic, atuou como diretor de tecnologia até outubro, quando passou a ocupar o cargo de arquiteto-chefe. Agora, supervisiona a forma como os modelos da empresa são desenvolvidos e treinados.
2. Palmer Luckey, 33 anos
Patrimônio líquido: US$ 5,9 bilhões (R$ 30,09 bilhões)
Fonte da riqueza: Anduril
Luckey construiu um dos primeiros headsets de realidade virtual ainda adolescente e, aos 21 anos, vendeu sua empresa, a Oculus, para o Facebook por US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões) em dinheiro e ações. Ele deixou a companhia, hoje conhecida como Meta, em 2017, em meio à repercussão causada por seu apoio ao presidente Donald Trump.
Naquele ano, fundou a Anduril, que fabrica drones e sensores autônomos, além do software equipado com IA que os coordena. Em março, o Exército dos Estados Unidos concedeu à Anduril um contrato de dez anos para software, hardware e serviços relacionados, no valor de até US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões).
Dois meses depois, a Anduril levantou US$ 5 bilhões (R$ 25,5 bilhões) em uma rodada que avaliou a empresa em US$ 61 bilhões (R$ 311,1 bilhões).
1. Steven Hao, 30 anos
Patrimônio líquido: US$ 5,8 bilhões (R$ 29,58 bilhões)
Fonte da riqueza: Cognition
Hao e seus dois cofundadores da Cognition conquistaram medalhas de ouro na Olimpíada Internacional de Informática, campeonato mundial de programação competitiva. Hao ganhou a sua em 2014.
Depois, trabalhou como engenheiro na startup de rotulagem de dados Scale AI, cofundada pelo bilionário Alex Wang, de 29 anos (patrimônio estimado em US$ 3,2 bilhões; R$ 16,32 bilhões), e que pertence 49% à Meta desde 2025. Hao deixou a empresa antes disso para fundar a Cognition, em 2023.
O principal produto da companhia é o Devin, um agente de IA capaz de escrever e corrigir códigos, usado por clientes como Citibank e a fintech Ramp. Em setembro, a Cognition levantou US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões) em uma rodada que avaliou a empresa em US$ 48 bilhões (R$ 244,8 bilhões), tornando bilionários os três cofundadores.
Hao — diretor de tecnologia da Cognition e maior acionista entre os fundadores — é o único rico o suficiente para entrar na Forbes 400 deste ano.
Reportagem publicada originalmente em Forbes.com