A MRV&Co teve lucro líquido ajustado de R$ 116,6 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$ 153,7 milhões registrado no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela companhia nesta segunda-feira (9).
O resultado positivo foi impulsionado pelos números da MRV Incorporação, cujo lucro disparou para R$ 268 milhões no quarto trimestre, alta de 242,9% na comparação anual. A receita operacional líquida também cresceu 26,7% no período, para R$ 2,79 bilhões. A margem bruta alcançou 31%, o melhor patamar da empresa nos últimos 26 trimestres.
No consolidado, a MRV&Co registrou receita líquida de R$ 3,04 bilhões no quarto trimestre, acima da estimativa média dos analistas, de R$ 2,85 bilhões, segundo dados da LSEG. “Tivemos também uma diluição de despesas comerciais e administrativas, o que contribuiu para uma melhora significativa do lucro”, disse o diretor financeiro da MRV&Co, Ricardo Paixão, em entrevista à Reuters.
A companhia já vê continuidade da tendência positiva no primeiro trimestre deste ano. “Estamos vendo um começo de ano melhor que o do ano passado. Olhando as estatísticas de operação por dia útil, vemos uma melhoria substancial em relação a 2025”, disse Paixão, citando como um dos fatores o programa Minha Casa, Minha Vida.
“No Brasil temos um déficit habitacional enorme e um programa habitacional que funciona muito bem, o Minha Casa, Minha Vida. Ele foi ajustado e aprimorado com frequência. Por isso, enxergamos que as condições do programa no início de 2026 estão melhores do que no ano passado.”
Elevação de faixas é vista como positiva
Ao comentar o programa habitacional, a MRV considera positiva a proposta do governo federal de elevar as faixas de renda para enquadramento no programa, que podem chegar a até R$ 13 mil. A decisão será tomada pelo Conselho Curador do FGTS em reunião marcada para 24 de março.
“Estamos confiantes na aprovação. Faz todo sentido. É uma correção da inflação acumulada ao longo dos últimos períodos. O grande ganho é para o cliente, porque a capacidade de compra muda muito. O mesmo cliente, com a mesma renda, poderá comprar um apartamento de valor mais alto”, disse Paixão.
A proposta prevê elevar a faixa 1 dos atuais R$ 2.850 para R$ 3.200. Na faixa 2, o limite subiria de R$ 4.700 para R$ 5 mil, enquanto a faixa 3 passaria de R$ 8.600 para R$ 9.600. A quarta e última faixa de renda do programa subiria de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
Isenção de IR e reforma tributária
Em janeiro, passou a vigorar a nova regra do Imposto de Renda da pessoa física, que amplia a faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais e reduz a cobrança para pessoas com remuneração de até R$ 7 mil. Segundo o executivo, os efeitos da mudança já começam a aparecer nas operações da companhia, ainda que de forma moderada.
“A gente se apropriou um pouco disso até agora. Parte dessa maior disponibilidade líquida já se converteu especificamente em aumento da capacidade de crédito concedida pela Caixa no momento da compra do imóvel. É uma mudança bem relevante, que deve melhorar ainda mais a capacidade de compra do cliente daqui para frente”, afirmou.
Enquanto isso, os impactos da reforma tributária também já estão sendo avaliados pela empresa. “No nosso segmento fica um pouco mais complicado do que era antes, porque há todo um arcabouço novo que não existia. Mas entendemos que, no final das contas, o efeito líquido tende a ser muito parecido”, disse Paixão.
A guerra no Oriente Médio tem levantado temores no mercado em relação à trajetória dos juros. Ainda assim, a construtora não vê mudanças em suas projeções caso as taxas permaneçam elevadas por mais tempo.
“Independentemente de a Selic estar em 15% ou 12%, ela continuará alta. Nossa prioridade é melhorar a lucratividade e gerar caixa para reduzir a dívida. Nosso caminho não muda com uma taxa um pouco mais alta ou um pouco mais baixa. A prioridade continua sendo a geração de caixa”, afirmou Paixão.