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Materiais Viram ‘Vilão’ da Inflação da Construção Civil e Têm Maior Alta desde 2022

Materiais de construção saltam para o topo das preocupações do setor, impulsionados por conflitos no Oriente Médio

3 min

A inflação e a pressão de custos no ramo da construção civil, via de regra, estavam associadas ao preço da mão de obra. No entanto, a alta substancial dos preços dos materiais os tornou a variável de maior preocupação no momento atual — funcionando como um possível detrator para resultados de incorporadoras em 2026.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) de abril fechou em 1,04% no mês e 6,28% em 12 meses, maior nível desde novembro de 2025. Dentro do índice, os materiais de construção subiram 1,35% em abril, primeira variação mensal acima de 1 p.p. desde junho de 2022.

Já a mão de obra acumula alta de 8,71% em 12 meses, pressionando o índice cheio desde outubro de 2022.

A alta de 1,35% em um único mês rompe com o padrão que era de uma mão de obra sempre figurando como maior custo e com preços subindo mais.

Segundo analistas do BB Investimentos, o movimento de inflação dos preços de materiais está vinculado aos impactos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e seus efeitos na cadeia produtiva.

“Os custos médios de materiais vinham apresentando alguma estabilidade, enquanto a mão de obra apurada pelo INCC-M gerava uma pressão adicional, constantemente acima do indicador cheio desde outubro de 2022”, diz a casa.

Os especialistas apontam que embora seja difícil prever “se esses impactos serão mantidos na cadeia produtiva por tempo suficiente para desacelerar a atividade de maneira mais estrutural, sinais mistos aparecem quando adicionamos à análise outros dados pertinentes ao setor”.

Principais problemas da construção civil

A força de trabalho segue no centro das preocupações do setor: a falta ou o alto custo de mão de obra não qualificada e qualificada ocupam, respectivamente, a 3ª e a 4ª posições entre os principais problemas da indústria da construção, segundo a Sondagem elaborada pelo CBIC e pela CNI.

Mas a grande mudança no ranking veio do topo.

As taxas de juros elevadas ultrapassaram a carga tributária e assumiram a 1ª posição, citadas por mais de 34% dos empresários — reflexo direto de um ciclo de afrouxamento monetário que avança mais devagar do que o mercado esperava.

A surpresa do trimestre, porém, foi justamente a inflação do custo de matéria-prima.

O fator pulou da 13ª para a 6ª posição em apenas um trimestre, com a fatia de empresários que o citam saltando de 6,1% no 4T25 para 16% no 1T26. O movimento antecipou a alta que o INCC-M de abril confirmaria nos preços dos materiais de construção — e deve permanecer no radar do setor ao longo de 2026.

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