Você já olhou para uma extensão plana aparentemente infinita — pradaria, planície de sal, bacia desértica — e não se sentiu liberto, mas sim… inquieto? Você não está sozinho.
No século XIX, dizia-se que muitos colonizadores americanos nas Grandes Planícies sofriam do que ficou conhecido como a “Loucura das Pradarias” (Prairie Madness), uma tensão psicológica causada pelo isolamento, pela monotonia e pela perturbadora ausência de quebras visuais.
A mente, ao que parece, quer contornos. O olho procura um lugar para pousar. O “nada”, quando se estende longe o suficiente, pode ser muito difícil de se observar.
E assim, vamos às montanhas. Pegando emprestada uma frase muito repetida de um dos grandes poetas da natureza, John Muir: “As montanhas estão chamando”.
Exatamente isso, pois que outro nome se poderia dar a essa atração pelas alturas? O fascínio de subir parece menos uma preferência do que uma herança, um reconhecimento ancestral oculto no corpo, como se o espírito humano sempre tivesse compreendido que as montanhas guardam um significado que vai além da geologia.
Grandeza em meio ao granito
Por que mais as civilizações teriam construído sobre imponentes paredões rochosos, essas paisagens extremas tão frequentemente hostis à vida comum? Machu Picchu, erguida no alto da Cordilheira dos Andes por volta do século XV, não foi apenas um feito da engenharia inca, mas uma declaração de ordem cósmica; seus terraços, templos e linhas de visão unindo o império à montanha, a agricultura à astronomia.
Na Grécia Antiga, a Acrópole de Atenas ergueu-se de um afloramento rochoso acima da cidade, transformando a elevação em fortaleza e símbolo, um lugar de onde a pedra, a adoração e a identidade cívica podiam observar a vida cotidiana lá embaixo.
As montanhas tornavam a vida mais difícil, certamente. Mas também tornavam a busca por significado mais fácil. Construir sobre elas era reivindicar refúgio, perspectiva e proximidade com os céus, como se a própria sobrevivência ganhasse grandeza quando encenada contra o impossível.
É natural, então, que se um dia colocamos nossos deuses nos cumes, as casas de montanha eventualmente se tornariam uma das maiores expressões do mercado de luxo. O antigo valor espiritual simplesmente aprendeu a linguagem do metro quadrado e das vistas panorâmicas.
Em Aspen, os preços pedidos no segmento ultra-prime (altíssimo luxo) chegaram a aproximadamente US$ 80.000 por metro quadrado, enquanto Gstaad registra uma média de cerca de US$ 60.000 (aproximadamente € 51.500) por metro quadrado.
As transações individuais são igualmente monumentais. Uma das vendas de maior repercussão do ano passado foi a compra, por US$ 120 milhões, do antigo Mosteiro de St. Benedict pelo CEO da Palantir, Alex Karp — um refúgio alpino de 3.700 acres perto de Aspen, que se tornou uma das negociações de propriedades residenciais de montanha mais caras já registradas.

Tais cifras podem parecer loucura, e talvez o chamado das montanhas sempre tenha contido um toque disso. Mas, diferentemente do vazio perturbador das pradarias, o feitiço da montanha não é de esgotamento, mas de engrandecimento. Somos atraídos pelos picos não porque eles nos lisonjeiam, mas porque nos colocam na proporção exata. Sob a sombra deles, a vida parece muito mais consequente.
Uma Seleção de 10 Espetaculares Casas de Montanha

West Glacier, Montana, Estados Unidos
Valor: US$ 6,5 milhões
Situada ao longo de 72 pés (cerca de 22 metros) da margem do Lago McDonald na Apgar Village, esta cabana de dois quartos pertence a uma categoria cada vez mais rara de propriedades privadas históricas (legacy inholdings) dentro do milhão de acres de natureza selvagem protegida do Glacier National Park.
As vistas imponentes para as montanhas evidenciam uma escala monumental, enquanto a própria cabana mantém um tom discretamente intimista. Janelas do chão ao teto, um fogão a lenha, um mirante no mezanino e um deck de frente para o lago mantêm a residência adequadamente modesta, deixando que o parque forneça a grandiosidade.

Collonges-sous-Salève, França
Valor: US$ 3,6 milhões
Aos pés do Mont Salève, esta villa contemporânea ocupa o invejável meio-termo entre o silêncio da montanha e a elegância de Genebra. As vistas alpinas são a companhia constante da propriedade, contemplando o lago, a cordilheira de Jura, o Salève e o famoso Jet d’Eau de Genebra, tanto a partir dos interiores quanto dos terraços ao ar livre.
Distribuída por três andares, a casa é organizada tanto para o conforto diário quanto para receber convidados, com amplos espaços de estar e jantar, sala de cinema, suíte de hóspedes, terraços, spa e sauna. Escondido no piso inferior, há ainda um bar e adega rústicos em estilo carnotzet para um tipo de refúgio mais intimista e de convívio.

Whistler, Colúmbia Britânica, Canadá
Valor: US$ 12,4 milhões
Em Kadenwood, bairro de Whistler onde o conceito ski-in/ski-out (acesso direto às pistas de esqui a partir de casa) é menos uma comodidade e mais um princípio fundamental, esta elegante residência de 8.000 pés quadrados (cerca de 743 m²) leva essa ideia à sua conclusão mais indulgente. Uma gôndola privada e uma trilha de esqui com acesso direto fazem com que os habituais rituais de pegar shuttles e carregar equipamentos pareçam encantadoramente obsoletos. Com banho a vapor, sauna e banheira de hidromassagem esperando no final do dia, a propriedade entende o ritmo completo da vida nas montanhas.

Princeville, Havaí, Estados Unidos
Valor: US$ 14 milhões
Nem todas as montanhas são cobertas de neve. Algumas se erguem em dobras verdejantes acima do Pacífico, onde a cena tem menos a ver com o drama alpino e mais com a abundância tropical. Situada no topo de Hanalei Ridge, no Litoral Norte de Kauai, esta propriedade de 5.834 pés quadrados (cerca de 542 m²) troca as pistas de esqui pelas ondas, com uma vista que se estende pelo oceano. Hanalei Bay fornece a alma de cidade voltada para o surfe, enquanto a vizinha Princeville traz campos de golfe, resorts e os rituais mais tranquilos da altitude da ilha.

Queenstown, Otago, Nova Zelândia
Valor: Preço sob consulta
Esta residência elevada em Queenstown ocupa uma posição na primeira fila em um dos enclaves mais exclusivos e disputados da Nova Zelândia, com vistas ininterruptas do Lago Hayes e das montanhas ao redor.
Originalmente construída como a casa pessoal de um respeitado construtor local, ela carrega a substância de uma residência feita para durar: materiais resistentes, métodos de construção primorosos e uma planta baixa que equilibra privacidade com áreas de convivência.

Kutchan, Hokkaido, Japão
Valor: Preço sob consulta
Em um mês de janeiro típico, o resort japonês de Niseko recebe quase 15 pés (cerca de 4,5 metros) de neve, mais do que qualquer outra região de esqui no mundo. Essa abundância é a base de sua mitologia, rendendo-lhe o apelido de “Reino da Neve Fofa” (Kingdom of Powder). Situada em uma área privada de 1.000 metros quadrados em uma floresta de bétulas prateadas, esta villa de propriedade plena (freehold) se abre para a imponente presença do Monte Yōtei.
A residência de 259 metros quadrados e quatro quartos é definida pela moderação, com linhas limpas, amplos painéis de vidro e uma composição minimalista. De dia, a arquitetura emoldura a paisagem coberta de neve. À noite, brilha contra ela como uma lanterna.

Santa Fé, Novo México, Estados Unidos
Valor: US$ 3,1 milhões
A aproximadamente 8.000 pés (cerca de 2.438 metros) de altitude, esta villa no topo da colina cria um espetáculo de altitude ao melhor estilo de Santa Fé. As vistas da montanha, do pôr do sol e das luzes da cidade são a atração óbvia, mas a casa responde com um teatro próprio, exibindo influências italianas, indígenas (Pueblo) e espanholas, portas em arco, gesso aplicado à mão, ardósia indiana, colunas de calcário e corredores com abóbadas cruzadas.
Um pátio envidraçado com uma fonte em cascata traz a paisagem ao redor para o interior, enquanto uma varanda de 100 pés (cerca de 30 metros) de extensão volta seu olhar para o exterior.

Teresópolis, Rio de Janeiro, Brasil
Valor: US$ 3,29 milhões
Enquanto as residências em resorts de esqui muitas vezes apostam em experiências contemporâneas e sofisticadas, muitas casas de montanha extraem sua força de algo mais selvagem. Em Teresópolis, esta vasta fazenda fica na divisa do maior parque estadual do Rio de Janeiro, transformando a terra protegida no luxo definitivo da propriedade. Abrangendo cerca de 11,06 milhões de metros quadrados, é menos uma propriedade rural e mais um mundo privado, onde a floresta, o pasto e o ar da montanha se reúnem com força indomável.

Reith bei Kitzbühel, Tirol, Áustria
Valor: US$ 15,1 milhões
A identidade da Áustria há muito tempo é desenhada em forma de montanhas, com os Alpes servindo tanto como pano de fundo quanto como caráter nacional. Em Reith, perto de Kitzbühel, este moderno chalé tirolês traduz essa herança para uma forma contemporânea. Em seus cerca de 576 metros quadrados (6.200 pés quadrados), madeira de demolição, pedras naturais e vigas aparentes trazem a arquitetura vernacular alpina para o interior, enquanto paredes de vidro e um amplo terraço ao redor mantêm os picos circundantes sempre ao alcance.

Telluride, Colorado, Estados Unidos
Valor: US$ 7,75 milhões
A cidade de Telluride fica dentro de um cânion fechado (box canyon), cercada por todos os lados pelas Montanhas San Juan. Esta casa feita sob medida, com quase 7.000 pés quadrados (cerca de 650 m²), captura essa sensação de isolamento e a eleva — literal e figurativamente —, com um panorama de 300 graus para as montanhas a partir de uma rua sem saída (cul-de-sac) a oeste da cidade. Como ocorre com as melhores casas alpinas, as montanhas não são apenas uma paisagem passiva. Nas proximidades, o Telluride Ski Resort oferece infraestrutura de esqui de classe mundial.
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Reportagem originalmente publicada em Forbes.com