A Forbes Brasil acompanhou, na última quarta-feira (21), a abertura do Women’s Pavilion na Expo 2025 Osaka, Kansai — marcando a segunda colaboração entre a Cartier e a Expo Mundial, após o êxito da estreia em Dubai, em 2020. Sob o tema Projetando a Sociedade Futura para Nossas Vidas, a Expo, que segue até 13 de outubro, espera receber 28,2 milhões de visitantes.
Referência no universo do luxo, a maison francesa vem demonstrando, ao longo de sua trajetória, um compromisso que transcende a beleza material: trata-se de uma atuação consistente voltada para o impacto positivo. Um dos pilares dessa missão é a Cartier Women’s Initiative, criada em 2006 para reconhecer e apoiar mulheres empreendedoras que utilizam o poder dos negócios como ferramenta de transformação. Em 19 anos de atuação, o programa já impulsionou 330 fellows de 66 países, destinou mais de US$ 12 milhões em financiamento e formou uma comunidade global com mais de 500 agentes de mudança.
Esse olhar voltado à equidade de gênero se estende também à estrutura interna da empresa: atualmente, 61% dos mais de 10 mil colaboradores da Cartier são mulheres, assim como 60% dos líderes de equipe e 58% da alta gestão — incluindo subsidiárias. Entre as gestoras responsáveis por equipes com mais de dez pessoas, 46% também são mulheres. Números que refletem, na prática, os valores de inclusão e representatividade que a marca defende.
Durante a cerimônia de inauguração em Osaka, June Miyachi, presidente e CEO da Cartier Japão, destacou a liderança feminina por trás da criação do Women’s Pavilion: “A construção do pavilhão foi realizada por muitas mulheres, incluindo a arquiteta Yuko Nagayama, Es Devlin, diretora artística global, e a equipe da construtora Obayashi, também liderada por mulheres — algo bastante singular no Japão.”
Sobre o impacto da iniciativa, June reforçou: “Com o apoio da ONU Mulheres, o pavilhão mostra como a igualdade de gênero é fundamental para o sucesso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. As histórias aqui expostas provam que pequenas ações diárias podem promover mudanças reais — e esperamos que isso inspire todos os visitantes.”
Para Cyrille Vigneron, presidente da Cartier Culture and Philanthropy, o Women’s Pavilion representa uma celebração coletiva: “Este espaço homenageia todas as mulheres e o papel que elas podem desempenhar, ao lado de homens comprometidos, na construção do nosso futuro comum. Por meio dessa plataforma extraordinária, a Cartier e a Expo 2025 Osaka convidam os visitantes a embarcar em uma jornada transformadora — pessoal e coletiva.”
Arquitetura que conversa

O Women’s Pavilion acolhe os visitantes com uma arquitetura que reflete o espírito do Japão: equilíbrio entre tradição e modernidade. Inspirada na arte japonesa do Kumiko e assinada pela arquiteta Yuko Nagayama, a fachada curva e translúcida incorpora o conceito de “WA” — harmonia e conexão —, também nome do espaço no segundo andar, dedicado a painéis, encontros e discussões ao longo da programação oficial.
Apresentada originalmente na Expo 2020 Dubai, a estrutura foi adaptada para a edição de Osaka com materiais reciclados. Ao fim da exposição, o pavilhão será reaproveitado na Green Expo 2027, em Yokohama. O entorno paisagístico é formado por árvores locais, que serão replantadas nas montanhas da região após o encerramento da Expo — um gesto que simboliza os ciclos regenerativos da natureza.

A experiência imersiva do pavilhão foi concebida por Es Devlin, aclamada artista e cenógrafa britânica. Curadora da exposição, ela propõe uma jornada sensorial por meio da perspectiva de três mulheres excepcionais de três continentes diferentes,entre elas, a escritora Banana Yoshimoto, que adotou esse nome inspirado na flor da bananeira. Filha do poeta e intelectual Takaaki Yoshimoto, ela ganhou destaque ainda jovem com o romance Kitchen, obra que lhe rendeu o prêmio literário Izumi Kyoka e a consagrou como uma das principais vozes da literatura japonesa contemporânea.

A entrada do pavilhão, marcada por um jardim, leva à instalação Seu Nome, onde cada visitante é convidado a adicionar sua própria voz e nome ao espaço. Esse gesto simples traduz o espírito de conexão e propósito coletivo que define o pavilhão das mulheres.
Diálogo aberto

No segundo andar, o espaço WA funciona como uma ágora de ideias, onde se desenrolam conversas, painéis e exposições dedicados a seis temas centrais: Mãe Natureza, Negócios & Tecnologia, Educação & Políticas Públicas, Artes & Cultura, Filantropia e Papéis & Identidades. Ali, lideranças, ativistas e especialistas se reúnem para debater e propor soluções colaborativas aos desafios contemporâneos.
Os primeiros WA Dialogues aconteceram já na abertura, com temas como filantropia transformadora, inclusão sistêmica e prosperidade coletiva. Participaram nomes como Cyrille Vigneron (Cartier Culture & Philanthropy), Kirsi Madi (ONU Mulheres), Dr. Anino Emuwa (100 Women@Davos), Safeena Husain (Educate Girls) e Benjamin Omondi Mboya (Ujamaa), com mediação da escritora e ativista britânica Sandi Toksvig.
Cerimônia com arte, tradição e propósito

A inauguração oficial reuniu 1.600 convidados de diferentes países, entre autoridades, executivos, artistas e imprensa. No centro da cerimônia, performances artísticas que uniram tradição e inovação: o poeta JJ Bola, em leitura de seu poema Something Beautiful, abriu o evento com uma reflexão potente sobre identidade e esperança, acompanhado por trilha original de Kieran Brunt.
No encerramento, a composição inédita The Flower of the Human Heart ganhou vida com a união de corais japoneses e internacionais, tambores Wadaiko, a cantora folk Anna Sato, dois jovens solistas e trajes tingidos manualmente em 19 tons tradicionais pela casa têxtil Hosoo, de Kyoto. A encenação foi concebida por Es Devlin.

Um jantar no castelo
Após a cerimônia, os convidados seguiram para um jantar no Castelo de Osaka, com menu assinado por Kei Kobayashi — o primeiro chef japonês a conquistar três estrelas Michelin na França. A noite foi marcada ainda por uma apresentação rara da família Kongo, referência na dança Noh, que incluiu a participação simbólica de uma flautista mulher em uma arte tradicionalmente masculina.
Para além da Expo

O Women’s Pavilion segue aberto até outubro, com uma agenda vibrante de exposições, diálogos e experiências imersivas. A missão é continuar impulsionando conversas que ultrapassem fronteiras e inspirem ações concretas.
Como definiu Cyrille Vigneron: “Quando mulheres prosperam, a humanidade prospera”.