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“O Verão Que Mudou Minha Vida”: Como Autora Best-Seller Criou Série de Sucesso

Jenny Han conta como transformou romances adolescentes em fenômenos do streaming e reflete sobre carreira de showrunner e escritora

6 min

A multifacetada e premiada Jenny Han conquistou seu primeiro grande sucesso como autora de livros para jovens adultos com a trilogia “O Verão Que Mudou Minha Vida“, lançada entre 2009 e 2011. Graças à adaptação da série para o streaming, cuja terceira e última temporada estreia nesta quarta-feira (16) no Prime Video, os livros retornaram à lista de best-sellers do New York Times em dezembro de 2022 e permanecem nela desde então.

Sua segunda trilogia, “Para Todos os Garotos que Já Amei“, também foi bem recebida quando lançada em 2014 e foi a primeira a ser adaptada para as telas. Em 2018, a Netflix comprou os direitos para filmar a história adolescente estrelada por Lana Condor e Noah Centineo, transformando-a em uma franquia cinematográfica de sucesso internacional.

Em 2023, a Netflix estendeu seu contrato com Han para lançar o spin-off da trilogia “Para Todos os Garotos” — “Com Carinho, Kitty“, que foi indicada ao Kids Choice Awards. Han admite que a protagonista Kitty Song Covey é sua favorita entre as personagens e foi inspirada em sua própria irmã mais nova.

Após o sucesso da trilogia da Netflix, a Amazon Prime colaborou com Han para adaptar a trama do triângulo amoroso de “O Verão Que Mudou Minha Vida” em uma série de três temporadas. As duas primeiras viralizaram em redes sociais como o TikTok, com milhares de vídeos, bilhões de visualizações e incontáveis fãs debatendo a eterna questão: time Conrad ou time Jeremiah?

A discussão fez tanto sucesso que até mesmo grandes marcas entraram na conversa. Craig Brommers, CMO da American Eagle, afirmou que a campanha de roupas inspirada na série foi a mais lucrativa da empresa até hoje.

Como surgiu o best-seller

A inspiração de Han para escrever “O Verão Que Mudou Minha Vida” veio do tempo que passou como babá enquanto cursava seu mestrado em Nova York, cuidando de uma adolescente chamada Claire (a quem dedicou o livro).

Agora que sua série foi publicada há 16 anos, a autora expressa gratidão por ter uma conexão com toda uma geração de leitoras. “Pessoas que tinham 10, 11, 12 anos naquela época agora são mulheres que trabalham, o que é muito legal — ter o privilégio de fazer parte da juventude de alguém e, agora, da jornada dessa pessoa como jovem adulta”, diz. “É muito especial quando recebo mensagens. Me sinto muito honrada por continuar fazendo parte da vida de alguém.”

Han admite que, embora esteja empolgada com uma nova geração de leitoras conhecendo seu trabalho e redescobrindo seus livros, ela está “tentando encontrar maneiras de se conectar com aquelas leitoras ‘originais’ que ainda estão por aí.”

“Antes de ‘Para Todos os Garotos que Já Amei’ — e com certeza antes das séries —, quando eu estava apenas escrevendo os livros, eu realmente sentia que conhecia minhas leitoras e que elas me conheciam.”
Jenny Han

O que começou como uma conexão íntima com o público se transformou em 7,5 milhões de seguidores entre Instagram e TikTok. Esse crescimento mudou a forma como Han posta nas redes e se conecta com sua audiência. “Acho que depois que ‘Com Carinho, Kitty’ foi lançada, ganhei um milhão de seguidores em algumas semanas. E agora é muito mais gente, então tento publicar muito mais conteúdo sobre a série do que sobre mim mesma.”

Por dentro da conexão com os fãs

Apesar de suas redes estarem em plena expansão, a autora faz questão de se manter próxima e acessível.

“Quando as pessoas sentem que me conhecem, elas realmente conhecem. Existem partes da minha vida que mantenho só para mim, mas acho que as partes que compartilho são muito verdadeiras.”
Jenny Han

Han faz pequenas aparições em todos os seus filmes e séries — sua favorita é uma fala em “Com Carinho, Kitty”. Mas ela se sente mais confortável nos bastidores, comandando tudo.

Embora tenha uma grande audiência nas redes sociais, Han considera essencial estabelecer limites. Ela saiu do X (antigo Twitter) anos antes do recente êxodo em massa: “Não acho saudável saber o que todo mundo pensa sobre mim o tempo todo. Esse não é um bom lugar para mim.”

Com mais responsabilidade e sucesso, precisou aprender a cuidar mais de si mesma. “Nos últimos anos, tenho trabalhado sem parar em ‘O Verão Que Mudou Minha Vida’ e ‘Com Carinho, Kitty’, então não sobra muito tempo para mais nada”, conta. “Tenho sorte por realmente amar o que faço, mas quero continuar fazendo esse trabalho. E, para isso, é preciso reservar um tempo para mim mesma, proteger minha saúde mental e regar o próprio jardim. Se você não continuar reabastecendo esse tanque, vai acabar esvaziando.”

De autora best-seller a showrunner

A transição de Han de autora — um trabalho que exige muita solidão — para showrunner responsável por trabalhar com equipes e produções a colocou rapidamente na posição de líder, um papel que ela parece gostar. “Acho que um bom líder é alguém decisivo e atencioso. É importante pedir a opinião e os insights dos outros, porque você sabe que não sabe tudo e que essas pessoas estão ali por um motivo”, diz. “É isso que eu mais amo no cinema: todo mundo é um atirador de elite na sua área específica.”

Na hora de tomar decisões, Han também abraça o equilíbrio entre firmeza e flexibilidade. “Sou bem decidida e geralmente falo: ‘vamos em frente’. Mas também não tenho problema em mudar de direção quando algo não está funcionando.”

Ao tentar equilibrar as expectativas dos fãs e dos executivos dos estúdios, Han também aprendeu a manter seu próprio processo criativo em meio ao barulho externo. “Tento proteger minha criatividade pessoal. Se quero me permitir ousar criativamente e correr riscos, fazendo o que acho melhor para a história, preciso ouvir minha própria voz”, afirma. “Quando você escreve com a porta escancarada, corre o risco de ouvir demais as vozes alheias. Quando não sigo meu coração e minha consciência, e fico escutando os outros, acabo fazendo algo com o qual não concordo totalmente e me arrependo depois.”

No início da carreira, Han foi pressionada a escrever Belly, a protagonista de “O Verão Que Mudou Minha Vida”, como uma personagem branca. Foi só quando recebeu propostas para adaptar o livro para uma série que conseguiu lutar para que a personagem principal fosse eurasiática, como sempre havia imaginado.

“Nunca me arrependo quando sigo meu coração. Sempre dou esse conselho a outros autores: façam o que for preciso para proteger a paz interior do autor.”
Jenny Han

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