A etóloga e ativista dos direitos dos animais Jane Goodall morreu aos 91 anos na manhã desta quarta-feira (1º), segundo comunicado do Jane Goodall Institute. De acordo com a instituição, fundada pela britânica em 1977 para apoiar suas pesquisas com chimpanzés, Goodall faleceu de causas naturais. Ela estava na Califórnia como parte de sua turnê de palestras nos Estados Unidos.Primatóloga de renome mundial, Jane Goodall transformou a compreensão sobre o comportamento dos chimpanzés, mostrando que eles possuem hábitos semelhantes aos humanos. Como mulher em uma academia majoritariamente masculina, ela desafiou a comunidade científica e se tornou uma defensora global da conservação ambiental.
Além de seus trabalhos de pesquisa e programas de preservação, criou o programa Roots & Shoots, voltado à educação ambiental de crianças e jovens, presente em mais de 100 países. Ao longo da carreira, Jane Goodall publicou mais de 30 livros, incluindo o best-seller “Reason for Hope: A Spiritual Journey”, de 1999, e diversos títulos infantis. Goodall também atuava como Mensageira da Paz da ONU.

“As descobertas da Dra. Goodall como etóloga revolucionaram a ciência, e ela foi uma incansável defensora da proteção e da restauração do nosso mundo natural”, afirma o comunicado do instituto.
Como Jane Goodall fez história na ciência
Nascida em Londres em 1934, Jane Goodall viajou para o Quênia em 1957, onde conheceu o antropólogo Louis Leakey, que a orientou em suas pesquisas com chimpanzés. Sem formação universitária até então, ela desenvolveu uma abordagem baseada na observação diária e decidiu dar nomes aos chimpanzés em vez de números.
Nos anos 1960, na Tanzânia, Goodall foi a primeira a documentar comportamentos dos chimpanzés anteriormente considerados exclusivos dos humanos. Seus estudos mostraram que esses animais possuem personalidades próprias, emoções, laços familiares e ainda são capazes de fabricar e usar ferramentas.
“Os chimpanzés abriram a porta para o fato de que não somos únicos, somos parte do reino animal”, disse em entrevista à Forbes US em 2024. “Agora, a porta está aberta e a ciência aceita que os animais têm consciência e emoções, então este é o momento mais empolgante para estudar o comportamento animal em toda a minha vida.”