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Oscar 2026: Chloé Zhao Pode Ser a Primeira Mulher a Receber Duas Estatuetas de Melhor Direção

Uma das três diretoras premiadas em quase um século, venceu por “Nomadland” em 2021 e pode repetir o feito neste ano com “Hamnet”

4 min

A Academia de Hollywood anunciou na quinta-feira (22) os indicados ao Oscar 2026. A chinesa Chloé Zhao é a única mulher entre os cinco candidatos ao prêmio de Melhor Direção, por “Hamnet: A vida antes de Hamlet”.

Em 2025, a francesa Coralie Fargeat (“A Substância”) também foi a única indicada ao prêmio, assim como Justine Triet (“Anatomia de uma Queda”), em 2024. Em 2023, não houve nenhuma mulher entre os candidatos a Direção.

A cerimônia de entrega está marcada para o dia 15 de março, e Zhao pode se tornar a primeira mulher a receber duas estatuetas de Melhor Direção na história da premiação.

Na categoria, concorre com Josh Safdie, diretor de “Marty Supreme”; Paul Thomas Anderson, de “Uma batalha após a outra”; Joachim Trier, “Valor sentimental”; e Ryan Coogler, “Pecadores”.

A chinesa também é a única diretora mulher entre os longas indicados à categoria principal, de Melhor Filme. Seu longa ainda recebeu outras seis indicações, entre elas Melhor Roteiro Adaptado, Figurino e Atriz (Jessie Buckley).

Baseado no livro de Maggie O’Farrell, o longa retrata o William “pré-Shakespeare” e mostra como o dramaturgo e sua esposa enfrentaram o luto pela morte precoce de um filho.

“Hamnet” já recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama neste ano. “Nomadland”, da mesma diretora, também foi premiado em 2021. O mais recente longa de Zhao também foi o grande vencedor do Festival de Toronto, escolhido por voto popular.

Mulheres no Oscar de Melhor Direção

Em quase um século de Oscar, cineastas mulheres concorreram ao prêmio de Melhor Direção dez vezes – esta indicação de Zhao é a 11ª e Jane Campion também foi indicada duas vezes –, e somente três levaram a estatueta. As vitórias femininas representam apenas 3% do total na categoria.

A cineasta norte-americana Kathryn Bigelow se tornou a primeira mulher a receber o Oscar de Melhor Direção, na 82ª edição da premiação, em 2010, por “Guerra ao Terror”, que também levou prêmios de Melhor Filme, com Bigelow na produção, e em outras quatro categorias.

Steve Granitz/WireImage
Kathryn Bigelow, primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Direção, por “Guerra ao Terror”

Mais de uma década depois, em 2021, a estatueta foi para Zhao, a segunda mulher a receber o Oscar na categoria e a primeira não-branca, por “Nomadland”, que também levou o maior prêmio da noite, o de Melhor Filme.

No ano seguinte, mais uma mulher foi premiada, a diretora neozelandesa Jane Campion por seu trabalho no filme “Ataque dos Cães”. Campion também foi a primeira mulher a receber duas indicações para o Oscar de Melhor Direção, sendo a primeira delas na 66ª edição da premiação, pelo filme “O Piano”.

jane campion
Getty ImagesJane Campion levou Oscar de Melhor Direção por “Ataque dos Cães”, em 2022

A cineasta italiana Lina Wertmüller foi a primeira mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção, na 49ª edição do prêmio, por “Pasqualino Sete Belezas”, mas não levou a estatueta.

Santi Visalli/Getty Images
Lina Wertmuller, primeira mulher a ser indicada ao Oscar de Melhor Direção, no set de “Pasqualino Sete Belezas”

Por mais diretoras mulheres

O progresso feminino nos bastidores da indústria estagnou. É o que mostra um relatório assinado por Martha Lauzen, diretora executiva do Center for the Study of Women in Television and Film da San Diego State University.

O levantamento analisou os 250 filmes de maior bilheteria de 2024 e os dados refletem um retrocesso da participação feminina em cargos de diretores, roteiristas, produtores, produtores executivos, editores e diretores de fotografia.

No entanto, a presença de mulheres na cadeira de direção provoca um efeito cascata, abrindo espaço para mais mulheres em posições de destaque em toda a produção cinematográfica. Além de impulsionarem outras profissionais da indústria, as diretoras trazem novas perspectivas, abordagens e experiências para o cinema.

Filmes como “A Substância”, de Coralie Fargeat, e “Babygirl”, de Halina Reijn, são exemplos de como as diretoras imprimem seu olhar e suas vivências, trazendo histórias mais autênticas e personagens complexas, ampliando a representatividade nas telas.

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