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Sobrevivente de Ataque de Tubarão Doa R$ 2 Milhões para Combater Desigualdade no Esporte Paralímpico

Medalhista paralímpica dos EUA busca reduzir barreiras financeiras e ampliar a equidade na natação até os Jogos de Los Angeles

5 min

Depois de sobreviver a um ataque de tubarão e ganhar duas medalhas de prata na Paralimpíada de Paris, a americana Ali Truwit vai doar US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões) à Fundação Olímpica e Paralímpica dos Estados Unidos.

O valor, concedido por meio da fundação da atleta, a STYT (Stronger Than You Think), será destinado a nadadores paralímpicos dos EUA que ficarem entre o primeiro e o terceiro lugar ou quebrarem recordes mundiais em competições-chave de natação. Os recursos serão distribuídos até os Jogos Paralímpicos de 2028, incluindo o Para Pan Pacific de 2026 e etapas da World Series nas temporadas de 2027 e 2028.

A trajetória de Ali Truwit

Ex-nadadora universitária com quatro títulos pela Universidade de Yale, Truwit viu sua vida mudar drasticamente quando perdeu o pé e parte da perna em um ataque de tubarão apenas dois dias depois da sua formatura.

Apenas 15 meses depois, decidiu competir nos Jogos Paralímpicos de 2024 em Paris. Além de conquistar duas medalhas de prata, fundou a organização sem fins lucrativos STYT para apoiar pessoas que enfrentam a perda de membros e promover a educação em segurança aquática. Sua história também foi retratada no documentário “Stronger Than You Think”, que estreou no Newport Beach Film Festival, na Califórnia, em 2025.

Michael Reaves/Getty ImagesAli Truwit durante as Seletivas Paralímpicas de Natação dos Estados Unidos de 2024

Em comunicado à imprensa, Truwit afirmou que participar dos Jogos Paralímpicos foi “uma das coisas mais curativas” em sua recuperação após o ataque.

“A experiência me ajudou a focar em tudo o que ainda posso fazer, em vez do que não posso.”

Essa vivência foi uma das principais inspirações para decidir retribuir e oferecer incentivo e apoio aos nadadores paralímpicos para os jogos de Los Angeles em 2028.

A desigualdade financeira no esporte paralímpico

Ali Truwit destacou no comunicado que vivenciou de perto as exigências financeiras de ser uma atleta profissional. “Existem os custos de treinamento, fortalecimento, recuperação, fisioterapia, nutrição e muito mais.”

Apesar das demandas financeiras significativas, muitos atletas paralímpicos continuam sendo mal remunerados no mundo todo. De acordo com uma análise da CNN Sports, embora muitos países não ofereçam prêmios em dinheiro para seus medalhistas, entre os que oferecem, apenas 40% concedem bônus iguais para medalhistas olímpicos e paralímpicos.

Em alguns países, medalhistas de ouro paralímpicos recebem apenas 1% do valor pago aos atletas olímpicos. Em alguns casos, ganham menos do que medalhistas de prata em Jogos Olímpicos. Mesmo algumas das nações que mais pagam ainda remuneram atletas paralímpicos de forma significativamente inferior aos olímpicos.

A pesquisa Athlete Listening Survey, do USOPC (Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos), realizada em parceria com o Conselho Consultivo de Atletas e a consultoria independente Prevention Strategies, revelou que, em 2025, mais da metade dos atletas olímpicos e paralímpicos tinham renda anual de US$ 50 mil (R$ 259 mil) ou menos.

Roy Rochlin/New York Road Runners/Getty ImagesAli Truwit correndo a Maratona de Nova York de 2025

O impacto da falta de recursos

Como consequência, muitos atletas paralímpicos mantêm empregos fora do esporte. É o caso, por exemplo, da esgrimista paralímpica Ellen Geddes, da judoca paralímpica Maria Liana Mutia e do medalhista de bronze no taekwondo paralímpico Evan Medell, que tinham outros empregos enquanto perseguiam suas carreiras esportivas.

Atletas paralímpicos costumam dedicar horas por dia para treinar e se recuperar adequadamente, além de viajar com frequência para competir. “Quando precisam manter um ou mais empregos fora do esporte, isso pode prejudicar o treinamento e a recuperação ou, em alguns casos, comprometer a capacidade de comparecer a consultas médicas e atender necessidades de saúde relacionadas à deficiência.”

O que é necessário para fechar a lacuna

A iniciativa de Truwit representa um avanço significativo rumo à equidade de remuneração no esporte paralímpico. No entanto, também evidencia o quanto ainda precisa ser feito para garantir que esses atletas recebam uma compensação justa e possam competir sem barreiras financeiras. “Para fechar essa lacuna, é importante ter mais patrocínios, contratos de publicidade e cobertura da mídia. Afinal, o interesse pelo esporte paralímpico existe.”

Uma pesquisa da Nielsen Sports, realizada para o IPC (Comitê Paralímpico Internacional), mostrou que os Jogos Paralímpicos de Paris 2024 alcançaram 763,3 milhões de horas de audiência global — um aumento de 83% em relação a Tóquio 2020. Esse público crescente representa uma oportunidade clara para ampliar investimentos, apoio e visibilidade do esporte paralímpico.

Além disso, Truwit afirma que mais recursos em competições mundiais nos anos que não são olímpicos ou paralímpicos e um foco no financiamento de treinamentos e viagens em nível de elite, semelhantes aos olímpicos, são essenciais para apoiar os atletas ao longo de todo o ciclo competitivo. “Espero que a STYT estimule iniciativas semelhantes em outros esportes paralímpicos, criando um efeito multiplicador de conscientização, empolgação e audiência do movimento paralímpico, o que, por sua vez, impulsionará mais oportunidades financeiras para atletas.”

“Essa expansão pode fortalecer a equidade no cenário paralímpico e olímpico mais amplo, tanto financeiramente quanto no reconhecimento de que somos atletas profissionais de elite.”

*Liz Elting é colaboradora da Forbes USA. Ela é fundadora de uma empresa bilionária, filantropa, mãe e autora best-seller.

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