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A Mulher Que Levou a Noruega de Volta para a Copa do Mundo

Primeira mulher a presidir a Federação Norueguesa de Futebol, ex-jogadora e advogada recolocou a seleção masculina no Mundial após 28 anos

4 min

O Brasil enfrenta a Noruega no próximo domingo (5) e os holofotes estão na estrela Erling Haaland, que já marcou 5 gols nesta que é a sua primeira Copa do Mundo. No entanto, por trás do retorno do país ao torneio masculino após um hiato de 28 anos, está Lise Klaveness, primeira mulher a assumir como presidente da NFF (Federação Norueguesa de Futebol).

No cargo desde 2022, a executiva, advogada e ex-jogadora também é membro do Comitê Executivo da UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) desde abril de 2025.

Ao longo da carreira, Klaveness abriu portas para novos talentos no esporte e se tornou um dos principais nomes da liderança feminina e da cobrança por transparência no futebol.

Do gramado ao tribunal

Durante 14 anos como jogadora profissional, Klaveness acumulou 73 partidas pela seleção nacional da Noruega. Foi vice-campeã do UEFA Women’s EURO em 2005 e finalista da Taça UEFA Feminina de 2007 pelo clube sueco Umeå FC, ano em que também marcou um gol na Copa do Mundo Feminina, em uma partida contra Gana.

Lise Klaveness participou de duas Copas do Mundo Femininas como jogadora da Noruega
Getty ImagesLise Klaveness participou de duas Copas do Mundo Femininas pela seleção da Noruega

Enquanto atuava no esporte, ingressou na Universidade de Oslo e concluiu o mestrado em direito em 2007. Trabalhou por oito anos como advogada, foi juíza assistente no Tribunal Distrital de Oslo e atuou como conselheira jurídica no Banco Central da Noruega.

Como integrante do comitê de gestão do sindicato norueguês de atletas, especializou-se em direito do trabalho e mediação de conflitos. Na mídia, foi a primeira mulher a comentar jogos de futebol masculino na televisão norueguesa.

Uma voz feminina na FIFA

A transição para a gestão esportiva ocorreu em 2018, ao assumir a diretoria técnica da NFF. Quatro anos depois, foi eleita para presidir a federação.

A executiva aproveitou a visibilidade do cargo para mostrar sua voz. No congresso da FIFA de 2022, em Doha, Klaveness exigiu reparações às famílias de trabalhadores imigrantes mortos nas obras do Catar, cobrou segurança para a comunidade LGBTQIAP+ e criticou a inércia da FIFA diante da invasão russa à Ucrânia.

“Não pode haver espaço para empregadores que não garantam a liberdade e a segurança dos trabalhadores da Copa do Mundo. Não pode haver espaço para líderes que não acolhem o futebol feminino”, disse.

A postura rendeu-lhe o Fritt Ord Tribute pela defesa da liberdade de expressão, prêmio cujo valor financeiro doou integralmente a organizações de apoio a refugiados.

Klaveness também liderou as críticas à criação do “Prêmio da Paz da FIFA“, instituído sem aval do conselho administrativo e entregue ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o sorteio dos grupos para o Mundial de 2026.

Ela apoiou uma denúncia no Comitê de Ética contra Gianni Infantino por quebra de neutralidade política. Apesar das críticas, o prêmio continua em vigor.

Gestão nos bastidores do futebol da Noruega

À frente da NFF, Klaveness mudou o cenário da transição dos jovens talentos para o profissionalismo.

No país, a lei proíbe que crianças menores de 13 anos participem de campeonatos com rankings ou “peneiras” seletivas. Elas jogam futebol apenas por diversão nos clubes de seus próprios bairros.

O mérito de Klaveness foi organizar o passo seguinte. Ela reformulou a estrutura dos clubes profissionais e melhorou o nível dos treinadores em todo o país. Dessa forma, quando o jovem completa 13 anos e sai do time do bairro, ele encontra um caminho estruturado para virar profissional, com treinos alinhados ao estilo da seleção principal.

A gestão de Klaveness também atua para reter e direcionar as receitas comerciais geradas pela visibilidade do futebol masculino diretamente para o desenvolvimento técnico de jovens nas comunidades e no fortalecimento do futebol feminino regional.

Além disso, sob sua liderança, a NFF tornou-se um projeto-piloto líder da iniciativa “Football for the Goals” da ONU (Organização das Nações Unidas), para engajar os clubes do país a adequarem suas gestões aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

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