Relacionamento é a base do negócio de Bruna Vicente, fundadora da BVolt. Não dá para dizer que a empreendedora de 29 anos conquistou clientes como TAG Heuer, Lacoste e Morumbis e recebeu astros como Bruno Mars e Post Malone sem estratégia, mas é fato que o famigerado networking é algo natural para ela, que começou a carreira aos 16 anos como promoter de baladas em São Paulo.
Na época, não tinha nem idade para frequentar esses espaços e já era contratada para levar o público para a noite paulistana. Bruna queria mesmo ser atriz, mas depois de algumas experiências em agências, nasceu a sua própria. “Sempre fui muito observadora e percebia a estratégia por trás de cada experiência”, conta em entrevista ao podcast Under 30 – A Jornada, apresentado por Johnnie Walker*.
Começou aos 20 anos já com um grande projeto para um grande cliente: “Era obcecada pelo Coachella e queria muito fazer uma casa onde levaria artistas para viver uma experiência”, lembra. Em 2019, o Grupo Boticário comprou a ideia. “Não tinha equipe. Criei a estrutura para atender eles.”
Quando veio o segundo cliente, a Guerlain, já tinha três pessoas. Hoje, consolida a BVolt como um “laboratório de ideias”. A empresa navega pelo universo de relações públicas e assessoria de imprensa, com um olhar voltado para o mercado de influência. A fundadora divide o negócio em três núcleos principais: marcas, projetos especiais e experts, o braço de gestão de carreira. Entre 2023 e 2025, alcançou faturamento acumulado de R$ 27,5 milhões.
Bruna conta os perrengues que envolvem seu trabalho, como um problema (rapidamente resolvido) com a casa em que Post Malone estava hospedado no Brasil, ou os desafios de executar uma estratégia de três eventos em São Paulo e Salvador para a Fenty Beauty, de Rihanna, em 16 dias úteis e produzir o maior evento da Fendi na América do Sul em menos de um mês para comemorar os 25 anos da icônica bolsa Baguette. “Foram 300 convidados com looks exclusivos; a agência virou um grande vestiário e as celebridades iam provar e fazer os ajustes.”
Também faz um trabalho de hospitalidade, recebendo grandes artistas no Brasil e traduzindo o melhor do país. “O Bruno Mars me perguntou qual era o ‘sapato do passinho’ do Brasil. Mostrei a Kenner, que era nossa cliente. Ele pediu 20 pares e gravou um vídeo usando”, conta sobre o melhor case até então.
O preço do sucesso
Bruna cresceu rápido em um mercado disputado. Ainda assim, a idade nunca foi uma questão — pelo menos não depois de ela mostrar a que veio. “Sempre me dediquei o dobro e fiz questão de ser muito responsável para provar que não era sobre a minha idade, e sim sobre o que prometia e entregava.”
O ritmo de trabalho 24/7 tem um preço. “Tive um burnout em 2022, mas só consegui entender o que tinha acontecido comigo dois anos depois”, conta. Percebeu, então, que precisava delegar e buscar ajuda multidisciplinar. “Sempre tive muita consciência da loucura que é a minha vida.”
Com os pés no presente e os olhos no futuro, Bruna planeja dar o próximo passo rumo à internacionalização da Bvolt, com o objetivo de abrir escritórios nos Estados Unidos e na Europa. A agência já transita entre esses mercados devido ao perfil global de seus clientes. “Vejo a BVolt como uma ponte, tanto do Brasil para fora, quanto de fora para dentro.”
Confira a entrevista na íntegra no novo episódio do podcast Under 30 – A Jornada:
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