CEO explica como a startup Gabriel pretende usar tecnologia a favor da segurança

Erick Coser fala sobre a nova fase da empresa de sistemas de monitoramento após aquisição da Retina Vision .

Luiz Gustavo Pacete
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Divulgação

Erick Coser e Otávio Miranda, fundadores da Gabriel

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A startup Gabriel, que desenvolve tecnologia de reconhecimento e monitoramento para câmeras de segurança, anunciou a aquisição da Retina Vision, empresa especializada em inteligência artificial fundada por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo). O grupo de cientistas foi responsável por criar uma tecnologia que ensina, por meio de visão computacional, câmeras de segurança a lerem placas, detectarem carros roubados e emitirem alertas em tempo real.

Esse movimento faz parte de um aporte recebido em outubro do ano passado de R$ 66 milhões em rodada Series A que foi liderada pelo SoftBank. Compatível com mais de 6 mil tipos de câmeras de segurança, a plataforma da Retina Vision usa técnicas de deep learning para escalar o monitoramento.

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“Na USP, aprendemos a pensar soluções para problemas reais e colocar isso à prova. Criamos uma tecnologia de monitoramento inteligente, precisa e de baixo custo de aplicação, que auxilia objetivamente na gestão de segurança dos bairros”, afirma o físico e pesquisador Paulo Henrique Silveira, um dos fundadores da Retina Vision e que, agora, faz parte da equipe da Gabriel liderando os esforços em visão computacional da empresa.

Erick Coser, CEO da Gabriel, fala à Forbes Brasil sobre o próximo passo de aquisições da startup. Hoje, a Gabriel opera em Pinheiros e Jardins, em São Paulo, além de Ipanema, Leblon, Lagoa, Copacabana, Botafogo, Flamengo, Gávea, Jardim Botânico e São Conrado, no Rio.

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Forbes Brasil – Quais os desafios atuais para resolver um problema tão complexo que é o da violência?

Erick Coser – Problemas de segurança pública envolvem uma miríade de causas e as soluções demandam participação de vários atores, do governo à sociedade civil. O contexto é complexo, em especial no Brasil, e a Gabriel se posiciona como um ator que sabe que enfrenta um problema multifacetado. Precisamos ser uma empresa de tecnologia, de centro de operações, de relacionamento com o governo e de vendas. Em inglês, chamam isso de full stack operator: operador de ponta a ponta. Só foi possível fazer isso porque os fundos de venture capital no Brasil passaram a tomar apostas audaciosas na última década. Hoje, há pessoas dispostas a bancar grandes apostas. O nosso sucesso nos últimos dois anos está ligado a essa coragem.

FB – Como tem sido esse processo de expansão? Existem novas aquisições no radar?

E – A Gabriel está em franca expansão: nós crescemos sete vezes em 2021, ampliamos os bairros de atuação no Rio de Janeiro e passamos a operar também em São Paulo. Nosso foco para 2022 é adensar as áreas onde já atuamos e expandir geograficamente, a partir de bairros limítrofes. Hoje, o foco da Gabriel é em tecnologia, área que corresponde ao nosso maior time. Temos visto outras empresas que poderiam melhorar ainda mais o nosso produto e o serviço prestado aos nossos clientes. Há planos para novas aquisições este ano e estamos fazendo buscas ativas, mas tudo vai ser divulgado no momento adequado.

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FB – O que você enxerga de tendência quando falamos de tecnologia e segurança?

E – O mundo trava um debate entre privacidade, que é obviamente importante, e transparência nas ruas, que é fundamental para encontrar soluções para problemas de segurança. A Gabriel propõe uma espécie de caminho do meio: monitorar espaços públicos, com ética e responsabilidade, sem violar direitos. Cabe à sociedade debater com seriedade o tema para encontrar o equilíbrio mais eficiente. Entendemos também que hipervigilância é um problema e os supostos ganhos não fazem sentido diante das possíveis consequências sociais. A tecnologia é poderosíssima para detectar padrões e anomalias, mas ainda é horrível para compreender contextos. Por isso, acreditamos que a análise humana também é fundamental. Ligar os dois é o caminho para, de fato, oferecer inteligência e construir soluções. Um exemplo claro de como só tecnologia nem sempre é o mais eficiente é o reconhecimento facial, que muitas empresas apresentam como uma solução mágica.

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