A Pax, empresa de inteligência artificial voltada para segurança pública, levantou US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) em uma captação liderada pelos fundos Greenoaks e Benchmark, investidores do Vale do Silício conhecidos por terem puxado as apostas iniciais em empresas como Uber, Instagram, Revolut e Anthropic.
A startup foi fundada por David Peixoto, executivo que ajudou a levar a Arco Educação até sua abertura de capital na Nasdaq e depois cofundou a edtech isaac. O time da Pax reúne engenheiros formados em instituições como Stanford, Harvard, MIT, ITA e USP, parte deles deixou carreiras em grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos para voltar ao Brasil e desenvolver a plataforma de IA da companhia.
No mercado de tecnologia, uma rodada seed, termo em inglês para “semente”, é a fase inicial de investimento em startups. É quando fundos apostam em empresas ainda jovens, muitas vezes antes de atingirem grande escala, mas com potencial de crescimento acelerado. O tamanho da rodada costuma ser menor do que em estágios mais avançados, o que faz a captação da Pax chamar atenção na América Latina.
A aposta dos investidores acontece em um momento em que a inteligência artificial começa a avançar também sobre áreas historicamente pouco digitalizadas, como a segurança pública.
A Pax desenvolve uma plataforma que conecta câmeras, registros policiais e bases criminais para gerar inteligência em tempo real para forças de segurança. A empresa afirma que, em sua primeira operação em larga escala, em Luziânia (GO), a tecnologia esteve associada a uma queda de 27% nos crimes violentos em seis meses.
Segundo a companhia, a eficiência policial dobrou no período, enquanto a sensação de segurança da população aumentou 59%, de acordo com levantamento do instituto Real Time Big Data.
Ao longo do último ano, as forças de segurança que utilizam a plataforma ajudaram a esclarecer mais de 2 mil casos criminais em mais de 30 cidades brasileiras, incluindo homicídios, roubos à mão armada e furtos de veículos.
A captação acontece em um cenário de baixa resolução de crimes no Brasil. Hoje, menos de 40% dos homicídios são solucionados no país, segundo dados do Instituto Sou da Paz. A média mundial é de 63%, enquanto a europeia chega a 92%.
“O gargalo da investigação é um problema de dados”, afirma Peixoto, fundador e CEO da Pax. “Construímos a Pax do zero para conectar informações do mundo real e torná-las úteis em tempo real. O policial decide. A plataforma potencializa a capacidade dele.”
Hoje, segundo a empresa, grande parte do trabalho investigativo ainda depende de tarefas manuais, como análise de imagens, cruzamento de placas e consultas a sistemas desconectados. A proposta da Pax é usar IA para transformar esses dados em um sistema integrado de inteligência capaz de gerar pistas investigativas e alertas em tempo real.
“Pergunte aos brasileiros qual problema eles mais querem ver resolvido, e a resposta número um será a violência”, afirma Andrew Cohen, sócio da Greenoaks. “Hoje, os roubos de veículos despencaram no primeiro estado em que a Pax opera, e os policiais já não conseguem imaginar trabalhar sem a plataforma.”
Os investidores também carregam histórico relevante em empresas de tecnologia e segurança. A Greenoaks já investiu em nomes como Coupang, Brex, Revolut, Flock Safety e Anthropic. Já a Benchmark ficou conhecida por apostas iniciais em Uber, eBay, Instagram e Snap.
Segundo dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a violência custa cerca de 3,5% do PIB da América Latina, o equivalente a US$ 241 bilhões em 2025 (R$ 1,2 trilhão).
“Por décadas, o crime na América Latina pareceu inevitável”, afirma Peixoto. “Acreditamos que ele é inaceitável e tem solução. Estamos apenas começando.”