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Robôs Humanoides Acabam de Realizar uma Cirurgia Ao Vivo Pela Primeira Vez na História

Os robôs conduziram colecistectomias laparoscópicas, ou seja, a remoção da vesícula biliar

5 min

Em um marco inédito no mundo, dois robôs humanoides realizaram uma cirurgia em um paciente vivo. Os robôs conduziram colecistectomias laparoscópicas, ou seja, a remoção da vesícula biliar: eles retraíram tecidos, dissecaram, grampearam e retiraram a vesícula do leito hepático.

Mas há dois grandes poréns: o paciente era um porco e os robôs foram totalmente teleoperados por cirurgiões humanos treinados. Outra ressalva: como dá para ver na imagem acima, os robôs estavam presos por cabos de segurança para que não corressem o risco de cair acidentalmente e ferir o paciente suíno.

Ainda assim, é uma conquista impressionante e um marco histórico importante.

Trata-se, essencialmente, de um experimento realizado por uma equipe da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD). O objetivo: entender se os robôs humanoides são úteis para expandir o atendimento médico na ausência física de médicos humanos. A resposta definitiva? Ainda não… mas provavelmente em breve.

O Desafio dos Modelos Prontos para o Uso

“O formato humanoide oferece um potencial único, principalmente para auxiliar em tarefas cirúrgicas”, relatou a equipe em sua visão geral no GitHub. “Tradicionalmente, os sistemas robóticos para cirurgia são plataformas construídas sob medida, como o Sistema Cirúrgico da Vinci, da Intuitive Surgical, e ainda não está claro o quão próximos os sistemas humanoides atuais estão de atender aos requisitos de precisão, controle e segurança de uma cirurgia minimamente invasiva.”

O que eles descobriram é realmente significativo: um robô humanoide concluiu um procedimento cirúrgico real em tecido vivo. Dito isso, os humanos ainda estavam profundamente envolvidos, e o artigo da equipe na revista Nature afirma que ainda existem “desafios técnicos fundamentais que precisam ser superados antes da implementação clínica”.

A equipe da faculdade de medicina da UC San Diego e do ARClab (um laboratório de robótica avançada da universidade) não construiu um robô do zero para esse trabalho. Em vez disso, eles usaram dois modelos comerciais comuns do Unitree G1. Eles são robôs pequenos e baratos para os padrões da categoria: têm entre 1,20 e 1,50 metro de altura, pesam apenas cerca de 32 quilos e podem ser adquiridos por menos de 20 mil dólares.

É provável que esses robôs específicos estivessem equipados com as mãos destras “Dex3” da Unitree, que vêm com polegar, indicador e dedo médio, cada um com múltiplas articulações motorizadas. Eles também possuem articulação extra no pulso e na cintura, tornando essa versão capaz de segurar e manipular ferramentas. O modelo também vem de fábrica com LiDAR 3D e uma câmera de profundidade — recursos extremamente úteis para tarefas cirúrgicas.

Isso por si só já é motivo para otimismo, se você tem interesse em ver robôs humanoides realizando cirurgias em um futuro próximo: eles usaram um robô básico e superbarato. Se tivessem usado um robô mais avançado — talvez o Neo, da 1X, que conta com mãos com 25 graus de liberdade motorizados –, a cirurgia seria ainda mais viável.

Humanoides vs. Sistemas Dedicados

Dito isso, a grande referência aqui é o da Vinci, da Intuitive Surgical, o sistema robótico que define a categoria há duas décadas e está presente em milhares de salas de cirurgia. Porém, o da Vinci é uma plataforma fixa, construída para um propósito específico. Ele é levado sobre rodas até o local, acoplado, e faz uma única coisa extremamente bem. Ele não sai andando pelos corredores e provavelmente está fora do orçamento de um hospital de cidade pequena, já que custa na casa dos milhões de dólares.

A aposta nos humanoides é outra.

É pouco provável que um robô de uso geral supere o da Vinci em uma cirurgia, mas ele poderia, em tese, se locomover por um hospital feito para humanos, usar ferramentas projetadas para mãos humanas e assumir várias tarefas físicas em vez de apenas uma.

Além disso, cerca de metade do mundo vive em locais com escassez de cirurgiões. Os chamados “desertos médicos” não são um problema exclusivo do mundo em desenvolvimento: regiões rurais nos EUA e no Canadá rotineiramente mandam pacientes para viagens de horas de duração para fazer procedimentos que um robô e um especialista remoto poderiam resolver localmente.

Isso sem falar em outros casos extremos: uma equipe isolada durante o inverno na Antártida… um astronauta na Estação Espacial Internacional… ou viajantes em uma futura missão rumo a Marte.

Um humanoide de baixo custo e uso geral que possa ser teleoperado por um especialista a milhares de quilômetros de distância não é apenas um “brinquedinho” de hospital. Ele pode se tornar uma infraestrutura essencial para lugares onde a medicina hoje simplesmente não consegue chegar.

No fim das contas, aprendemos que até mesmo robôs humanoides básicos e baratos conseguem realizar uma cirurgia. Hoje é de forma teleoperada, com certeza. Amanhã… quem sabe? Talvez tenhamos robôs que poderão baixar um modelo de IA de fundação voltado para a física cirúrgica por uma pequena taxa e — e num passe de mágica, pronto: você tem um cirurgião.

Com os custos e a disponibilidade da saúde no nível em que estão hoje, isso com certeza é, no mínimo, um ponto positivo em potencial.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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