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Satélites Registram o Eclipse Solar Total Diretamente do Espaço

Satélites meteorológicos Meteosat, da Europa, revelaram imagens impressionantes

4 min

Após a divulgação de fotos incríveis do eclipse solar total, tiradas diretamente da rota de totalidade, começou a circular imagens do fenômeno via satélite, apresentando o momento exato da sombra central da Lua sobre o planeta.

A fase total durou até 2 minutos e 18 segundos, mas só pôde ser contemplada ao longo de uma estreita faixa que se estendeu do Ártico russo, Groenlândia, Islândia, Espanha e uma pontinha de Portugal.

A sombra central mais escura da Lua, conhecida como umbra, tinha apenas cerca de 290 quilômetros de largura. Ao redor dela ficava a penumbra, uma área bem mais ampla onde os observadores viram apenas um eclipse parcial.

A sombra da Lua cruzou a Terra em uma velocidade que ultrapassou facilmente os 1.600 km/h, dependendo do local. Do espaço, a cena parecia uma mancha escura deslizando gradualmente pelo planeta.

https://www.youtube.com/watch?v=C56htLYTeNc

A Europa vista do espaço

Enquanto o observatório DSCOVR registrou o clássico e icônico retrato do nosso planeta, os satélites meteorológicos Meteosat, da Europa, revelaram algo igualmente impressionante: o movimento.

Posicionados em uma órbita geoestacionária a 35.786 quilômetros de altitude acima da Linha do Equador, os satélites Meteosat monitoram a Europa e a África sem parar. Durante o eclipse de quarta-feira, as câmeras registraram a sombra da Lua varrendo a Groenlândia antes de alcançar a Islândia e o norte da Espanha. O resultado foi uma sequência em time-lapse de tirar o fôlego, na qual a umbra parece deslizar velozmente sobre a paisagem.

Por que a sombra da Lua parece tão pequena?

Uma das maiores surpresas nessas fotografias registradas por satélite é o quão miúda a sombra da Lua parece. A umbra, esse centro escuro e denso, costuma ter apenas cerca de 290 quilômetros de largura, apesar da própria Lua medir impressionantes 3.475 quilômetros de diâmetro.

Esse feixe fino acontece porque a projeção cônica da sombra da Lua vai se estreitando à medida que se aproxima da Terra. Tudo o que fica de fora desse pequeno círculo é a penumbra, onde quem está no chão assiste apenas a um eclipse parcial.

Por que a sombra se move tão rápido?

Para quem está em terra firme assistindo ao espetáculo, a fase total do eclipse costuma passar num piscar de olhos. E, quando olhamos lá de cima, fica fácil entender o porquê.

A Lua viaja ao redor da Terra a cerca de 3.700 km/h, enquanto o nosso planeta gira logo abaixo dela. A combinação desses movimentos com a geometria do eclipse faz a sombra passar pela superfície terrestre em uma velocidade que pode passar dos 1.600 km/h. O ritmo varia ao longo do trajeto: a sombra é mais veloz quando atinge a Terra de raspão (no nascer e no pôr do sol) e fica ligeiramente mais lenta no meio do caminho.

Uma visão planetária do fenômeno

A união de satélites meteorológicos geoestacionários com observatórios do espaço profundo proporciona aos cientistas uma visão panorâmica e inédita de um dos eventos astronômicos mais pontuais da natureza. Juntos, os satélites GOES, Meteosat e DSCOVR criaram um registro praticamente contínuo do eclipse a partir de três pontos de vista totalmente diferentes no espaço.

Diferente das fotos tiradas com o pé no chão, essas imagens revelam o eclipse como um evento em escala verdadeiramente planetária, mostrando a sombra cruzar montanhas, oceanos e litorais em pouco mais de uma hora e meia. As imagens também escancaram o quão estreita a faixa de totalidade realmente é quando comparada à imensidão da Terra.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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