Agricultura de baixo carbono ganha novos desafios até 2030

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Conservação e produtividade, acho que tem de ser o nosso mantra“, diz a ministra Tereza Cristina

Preparar o Brasil para os desafios de uma agenda voltada à política de carbono tem sido tarefa de primeira ordem para a número um do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a agrônoma Tereza Cristina e sua equipe de cientistas. Hoje (20), eles apresentaram as bases que vão nortear até 2030 os conceitos do ABC+ (Plano Setorial de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária). “Conservação e produtividade, acho que tem de ser o nosso mantra”, afirmou a ministra.

A elaboração do documento envolveu uma ampla consulta a técnicos, pesquisadores, consultores e outros parceiros, com os trabalhos iniciados em julho de 2020 e liderados pela Coordenação-Geral de Mudanças do Clima do Departamento de Produção Sustentável do ministério. Em julho, o ABC+ entrará em consulta pública, quando a sociedade civil poderá contribuir com sugestões de aprimoramento. Nos últimos dez anos, as práticas agrícolas com baixa emissão de carbono passaram a ser adotadas em 52 milhões de hectares no País, o que corresponde a 1,5 vezes o tamanho da Alemanha. O ABC+ é uma atualização do Plano ABC, executado entre os anos de 2010 e 2020, e que se tornou referência de política pública para o setor agropecuário.

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De acordo com a coordenadora-geral de Mudanças do Clima do Mapa, Fabiana Villa Alves, entre os conceitos adotados no ABC+ está o chamado AIP (Abordagem Integrada da Paisagem), que estimula o uso eficiente das aptidões de uma determinada área. “Estamos pensando em ações customizadas para os seis biomas brasileiros”, afirma Fabiana.

A segunda base conceitual está em ações que visam a eficiência produtiva e a rentabilidade em áreas impactadas pela mudança do clima. Como a adoção e manutenção de práticas conservacionistas, sistemas integrados, melhoramento genético e aumento da diversidade biológica dos cultivos, mais gestão integrada do risco, de previsão climática e zoneamento territorial, análise do desempenho socioeconômico e ambiental, além de assistência técnica.

Wenderson Araujo/Trilux/CNA
Wenderson Araujo/Trilux/CNA

Plantio direto, em sistemas integrados, é uma das ferramentas para sequestrar carbono na natureza

A política prevê ainda apoiar os gestores públicos na formulação de planos de ação estaduais, alinhados às características, capacidade técnica e perfil produtivo de cada região. Também fomentar junto às organizações da sociedade civil, instituições financeiras e de pesquisa, ações conjuntas. “Com essas ferramentas, o Mapa busca fortalecer as ações de transferência e difusão de tecnologias, capacitação e assistência técnica e gerencial. Os resultados da última década demonstram claramente que, quando o produtor recebe os incentivos financeiros e técnicos corretos, ele adota as tecnologias”, afirma Fabiana.

A ministra Tereza Cristina destacou que o acompanhamento do plano ABC, até agora, mostra que para cada R$ 1 colocado no programa pelo governo o produtor investiu R$ 7 de recursos próprios. “É necessário que essa dupla contribuição seja reconhecida pelos nossos parceiros internacionais, com o fim do protecionismo no comércio agrícola e a implementação de mecanismos que recompensem nossos produtores pelos serviços ambientais que prestamos ao mundo”, disse ela. “Os produtores rurais aderem às práticas de baixa emissão de carbono porque elas trazem eficiência e renda.”

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