Estiagem e as altas temperaturas podem reduzir em 11,3 milhões de tolenadas a safra 2021/22 de soja do Brasil

A quebra de safra só não é maior pelo fato de a área plantada do Brasil ter tido crescimento de 4,2%, para uma máxima de 40,6 milhões de hectares.

Da Reuters
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Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

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A estiagem e as altas temperaturas no Sul do Brasil e no sul de Mato Grosso do Sul reduziram a safra de soja 2021/22 do Brasil em 7,8% na comparação com a projeção de um mês atrás, para 133,4 milhões de toneladas, apontou hoje (6) a consultoria AgRural, registrando uma expressiva alta nos preços da commodity, notadamente no Rio Grande do Sul.

Com a redução de 11,3 milhões de toneladas na estimativa, um dos cortes mais drásticos feitos por consultorias privadas após os impactos da seca se revelarem, a AgRural indica que a safra no maior produtor e exportador de soja não mais será recorde. A marca histórica seguiria com os 137,3 milhões de toneladas da temporada passada.

A quebra de safra só não é maior pelo fato de a área plantada do Brasil ter tido crescimento de 4,2%, para uma máxima de 40,6 milhões de hectares, com o Mato Grosso, onde as condições climáticas estão boas, puxando o aumento.

“A região que mais cresceu foi a Centro-Oeste, que tirando o sul do Mato Grosso do Sul apresenta um potencial produtivo muito bom, já que as chuvas têm sido frequentes desde o início”, disse o analista da AgRural Adriano Gomes.

No restante do país, com exceção das áreas ao sul, a safra também se desenvolve bem, e a expectativa é de altas produtividades em Mato Grosso, onde as primeiras lavouras já estão sendo colhidas, comentou a AgRural.

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Ainda assim, a produtividade média do Brasil foi estimada em de 54,8 sacas por hectare, a mais baixa desde a safra 2015/16, devido à quebra no Sul, disse a consultoria. O potencial produtivo do país, não fosse a seca, seria de 145,4 milhões de toneladas.

“O Estado mais afetado até agora é o Paraná. Após as perdas iniciadas no oeste (ainda a região mais severamente atingida), a safra também viu seu potencial diminuir em outras regiões devido à piora da seca e do calor ao longo de dezembro”, afirmou a AgRural em nota.

“Não fossem as chuvas um pouco mais regulares na metade leste do Estado, a quebra seria ainda maior”, acrescentou.

A AgRural também cortou a produtividade esperada para os outros dois Estados do Sul.

No Rio Grande do Sul, importante produtor juntamente com o Paraná, houve um corte “agressivo” na estimativa apesar de a definição da safra ocorrer normalmente somente no começo do ano.

“O tempo muito quente e seco de dezembro resultou em encurtamento do ciclo em diversas áreas, que têm plantas de porte muito baixo já em floração e início de formação de vagens”, explicou a consultoria.

Chuvas e temperaturas mais amenas são necessárias imediatamente para evitar mais perdas no Estado, ressaltou. A expectativa é de mais umidade para o Sul este mês.

Por conta do tempo mais seco, Mato Grosso do Sul também teve corte em sua estimativa de produtividade, “mas menos severo que nos Estados do Sul do Brasil”.

PREÇOS EM MÁXIMAS

Os preços reagiram em diversas praças, especialmente onde as quebras foram mais expressivas, conforme dados da AgRural.

A soja cotada no porto de Rio Grande (RS) teve alta de R$ 13 por saca no último mês, para R$ 187, até ontem (5). O valor já supera a máxima de 2021 registrada no local no mês de abril de R$ 185.

Em outras regiões produtoras os preços também subiram. Em Dourados (MS), a saca de 60 kg foi cotada na véspera a R$ 167, uma alta de R$ 10 comparada há um mês.

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