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Setor Produtivo e Educação: a Parceria Que Pode Salvar o Brasil de um Colapso

O agronegócio é um exemplo de que quando a realidade do campo entra na sala de aula, os jovens respondem com entusiasmo

4 min

Nos últimos meses, tenho participado de encontros promovidos por grandes empresas brasileiras, especialmente do agronegócio, mas também em parceria com setores igualmente proeminentes da indústria, do comércio e dos serviços. São espaços potentes de diálogo, onde a educação precisa ser tratada não apenas como pauta estratégica, mas como motor fundamental para a sobrevivência social e econômica do Brasil.

Enquanto isso, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) expõem uma realidade preocupante: 9 milhões de jovens entre 15 e 29 anos não estudam, não trabalham e nem estão procurando emprego. É o maior contingente de “nem-nem” da história recente. Pela primeira vez, essa população supera o número de jovens que estudam e trabalham simultaneamente — um sinal claro da gravidade do desafio social e econômico que enfrentamos.

Os sinais desse colapso não são novos. Há pelo menos quatro décadas, a educação brasileira — e suas instituições de ensino em geral —, grande parte delas, seguem sem condições adequadas, sem valorização docente real e com materiais didáticos muitas vezes frágeis do ponto de vista técnico-científico. A escola pública, claro, é a que mais sofre com a falta de infraestrutura, segurança e recursos, mas o desafio é amplo e transversal.

Apesar disso, nas experiências que venho acompanhando junto ao setor produtivo, vejo sinais promissores. Há empresas e institutos promovendo formação profissional de excelência, conectando jovens ao mundo real do trabalho, levando inovação para dentro das escolas, apostando na escuta, na tecnologia, na prática — e, acima de tudo, no protagonismo da juventude.

O agronegócio é um exemplo emblemático: onde há vivência prática, há encanto. Onde há estímulo com propósito, há aprendizado com entusiasmo. Ǫuando a realidade do campo ou da indústria entra na sala de aula com linguagem adequada e metodologias eficazes, os jovens respondem. Se isso já é visível, imagine o que poderíamos fazer se essa mobilização fosse ampliada e institucionalizada.

O setor produtivo precisa estar envolvido em todas as etapas da melhoria da qualidade da educação. Isso inclui o incremento e a ampliação do apoio a programas de excelência desenvolvidos pelo terceiro setor, mas, principalmente, uma atuação mais forte e articulada no Congresso Nacional, onde as leis são formuladas e aprovadas. O setor produtivo, que já é conectado com a academia e promove inovação, deve levar essa experiência com mais impacto para a sociedade.

A agenda de sustentabilidade, já presente nas grandes empresas e setores econômicos, precisa incorporar de maneira mais enfática a dimensão social — e, neste ano em especial, o setor produtivo deve unir forças com a educação. Empresários e lideranças precisam apoiar muito mais a causa educacional. Por quê? Porque 2025 é o ano em que está sendo discutido o Plano Nacional de Educação que norteará a próxima década. Temos uma geração de jovens dependendo dessa ação imediata.

Essa é uma convocação emocionante para que o setor produtivo assuma mais o seu papel e una forças para ampliar seu protagonismo na reconstrução da educação, promovendo a melhoria de vida de milhões de brasileiros e a transformação urgente da realidade do país.

*Leticia Jacintho é presidente da associação De Olho no Material Escolar. Produtora rural, também é formada em Administração de Empresas. Atuou no mercado financeiro, na área de Captação e Fundos, e, no Agronegócio, integra o Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias de São Paulo (Cosag/Fiesp).

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