A TAG Investimentos, por meio do seu hub de inovação TAG Edge, lançou seu primeiro Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais), voltado à concessão de crédito direto para pequenos e médios produtores rurais. O fundo combina estrutura financeira e tecnologia embarcada, com meta de alcançar R$ 1 bilhão em patrimônio líquido até o fim de 2027.
A estrutura reúne um motor de crédito da Sette, startup especializada no setor agropecuário, e uma solução de pagamentos da E-ctare, por meio do cartão digital “Prazo Safra”. O arranjo permite que os recursos sejam liberados com rastreabilidade e alinhamento ao ciclo agrícola.
“Ao integrar um motor de crédito com inteligência embarcada e um arranjo de pagamento vinculado à produção, o Fiagro do TAG Edge inaugura uma nova lógica de financiamento, mais conectada à realidade do campo e mais eficaz na alocação de capital”, afirma Francisco Perez, diretor do TAG Edge. Fundada em 2004, a Teg Investimentos possui R$ 14 bilhões sob gestão.
A Sette, anteriormente chamada A de Agro, opera com inteligência artificial, big data e imagens de satélite. A plataforma realiza análises preditivas da capacidade de pagamento e monitoramento contínuo das áreas financiadas. Já foi utilizada por cooperativas e agroindústrias no Sul de Minas e no Centro-Oeste.
A E-ctare oferece o cartão “Prazo Safra”, que pode ser adotado de forma opcional pelos parceiros de originação. Com ele, o produtor tem acesso a insumos, bens e serviços, com rastreabilidade total dos recursos, além de programas de fidelidade. O pagamento é ajustado ao calendário agrícola.
Cooperativas, revendas e agroindústrias atuam como originadoras e avalistas das operações. Esse modelo busca aproximar o crédito das realidades locais, com interlocutores que conhecem o produtor e a dinâmica regional.
O lançamento do fundo ocorre num momento de desequilíbrio entre crédito disponível e crédito acessível no Brasil. Apesar do Plano Safra 2025/26 prever R$ 516,2 bilhões, o ciclo anterior terminou com R$ 298,4 bilhões efetivamente contratados, queda de 14% em relação ao período anterior, segundo o Banco Central. As taxas seguem elevadas: 14% para custeio, 13,5% no Moderfrota, 10% no Pronamp. A Selic está em 15% ao ano.
Com uma rede ativa de originadores e esteira modular de operação, o fundo pretende escalar ao longo dos próximos ciclos. “Este não é apenas um fundo de crédito, é uma nova plataforma de acesso ao mercado de capitais para o produtor rural”, diz Perez.
A proposta está alinhada a uma tendência de fundos de crédito estruturado ancorados em soluções desenvolvidas por startups do agro, com uso de tecnologia para reduzir riscos, ampliar a rastreabilidade e melhorar a alocação de capital.