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Peel Transforma Bananas Feias e Manchadas em Sorvete Premium

A marca de Valeria Alvarez, que já fez parcerias com a Gucci e a Crown Affair, dá um novo destino para bananas que eram descartadas pela sua aparência

6 min

É época de bananas. Mas para Peel, marca de sorvetes soft serve sediada em Miami, nos Estados Unidos, as bananas estão sempre na moda. Enquanto nomes como Jacquemus, a campanha de beleza da Prada com Sabrina Carpenter e a colaboração entre Glossier e Magnolia têm explorado recentemente o apelo lúdico da fruta, a Peel a transformou no coração de seu produto o ano inteiro.

As bananas não estão apenas em alta. Elas são transformadoras. E, na Peel, servem de base para o sorvete soft serve (mais leve, cremoso e aerado do que o sorvete tradicional). A marca já acumulou uma série de colaborações descoladas, com nomes como Crown Affair e Gucci. No centro da missão da Peel está a criação de algo bonito a partir de frutas “feias”.

O soft serve é feito com bananas machucadas ou com manchas, que normalmente seriam descartadas. Combinado ao leite de coco, o produto é naturalmente vegano, sem lactose e sem adição de açúcar (o escurecimento das bananas funciona, na prática, como o açúcar mascavo). As coberturas e os sabores frequentemente trazem ingredientes locais como manga e lichia.

Para a Peel, uma simples banana pode ser a base de um verdadeiro movimento. A fundadora, Valeria Alvarez, teve o primeiro estalo para a ideia durante uma viagem à Indonésia, em 2016. Na época, tornar-se empreendedora no setor de alimentos e bebidas não fazia parte dos seus planos.

Foi durante essa viagem ao Sudeste Asiático que ela notou a beleza e a ausência de desperdício na forma como vendedores locais preparavam bowls de smoothie. “Eles usavam o que tinham: bananas, mangas, abacaxis, pitayas”, lembra. “E montavam aqueles bowls vibrantes e lindíssimos, decorados com flores comestíveis. Aquilo não saía da minha cabeça.” A experiência plantou uma semente. Quando voltou para Miami, a ideia começou a amadurecer.

Na época, Alvarez trabalhava com tecnologia e marketing, mas o desejo por algo com mais propósito era inevitável. “Eu amava o lado criativo do meu trabalho, mas queria construir algo real. Algo que eu pudesse sentir.”

Seu marido, Marshall, hoje seu cofundador, trouxe para a mistura seu conhecimento em química e fermentação. Juntos, começaram a fazer testes com frutas e ingredientes, comprando de produtores locais. Foi assim que descobriram uma ineficiência gritante na indústria de hortifrútis: bananas com pequenas imperfeições eram rotineiramente descartadas, mesmo estando perfeitamente adequadas para o consumo. Em vez do desperdício, ela viu a oportunidade.

“Bananas têm a melhor consistência e as pessoas as jogam fora porque não estão visualmente perfeitas? Isso não faz sentido.”

E foi assim que nasceu a Peel. No cerne da história da marca está a ideia de que a imperfeição pode não só ser bonita, mas também deliciosa. O que começou como uma ativação de fim de semana na feira Legion Park Farmers Market, em 2019, rapidamente se transformou em algo maior. Com ingredientes simples e limpos e uma missão impactante, a marca foi recebida com forte demanda. Mas, quando a pandemia de COVID-19 chegou, o negócio teve de ser interrompido por sete meses.

Imagem sedida pela Peel, para Forbes EUAO sorvete da Peel combina bananas com leite de coco e não tem adição de açúcar

Nesse período, Alvarez e o marido passaram os meses refinando a receita, comprando uma máquina de soft serve e mergulhando mais fundo no universo da alimentação, apesar de não terem formação culinária. “Não sou chef”, ela admite, sorrindo. “Mas sou uma construtora. Queria construir algo alegre, algo que eu me orgulhasse de oferecer à minha própria filha um dia.”

Em 2020, a Peel foi relançada em um food truck. Em 2023, eles abriram a primeira loja física, em Miami Shores, um bairro familiar que caiu como uma luva para a proposta da marca. O sorriso em forma de banana no logotipo não é por acaso. É como Alvarez quer que as pessoas se sintam ao entrar e sair dali. “Não se trata de picos de açúcar. É sobre alegria”, diz ela.

Empresas de moda, beleza e lifestyle notaram o apelo estético da marca, minimalista, mas vibrante; irreverente, mas clean. Por isso, desde seu lançamento, a Peel colaborou com a Glow Recipe, a Sweetgreen e até com o Miami Dolphins (no nível corporativo, não com os atletas da NFL). Mas Alvarez faz questão de esclarecer: ela não aceita qualquer parceria.

“Existe intenção por trás de cada colaboração”, explica. “Se não houver alinhamento de valores, é não. Não estou fazendo isso apenas por visibilidade. Precisa parecer uma extensão natural da missão da Peel.”

Com a Crown Affair, foi utilizado capim-limão, uma referência à fragrância assinatura da marca de beleza clean, para criar um sabor exclusivo. Com a Glow Recipe, eles usaram a rara amora-das-nuvens para combinar com o novo lançamento da marca. Para a ativação de inverno da Gucci, a Peel criou um caminhão preto e um sabor de biscoito de canela com cobertura de coco e calda de cereja, tudo para combinar com a paleta de fim de ano da Gucci.

Até a colaboração com o Miami Dolphins foi um sucesso: usaram spirulina para criar um sabor de soft serve nas icônicas cores turquesa e laranja do time. A Peel também já fez parcerias com a Shopbop, com o clube de padel Reserve, de Miami, e com marcas locais de café, matcha e tacos, sempre com o mesmo filtro criativo: Os valores da marca se alinham?

Atualmente, a marca resgata cerca de 450 quilos de bananas por semana. O negócio também faz compostagem de todo o resíduo orgânico com uma empresa local, a Compost for Life, e usa embalagens sem plástico, compostáveis, e colheres de madeira. Mas Alvarez evita exagerar na mensagem da missão.

“Não estou aqui para salvar o mundo. Mas acho que sustentabilidade pode ser divertida. E começa com escolhas pequenas e conscientes.” Ela também é transparente sobre o desafio que vem pela frente: como manter os padrões de sustentabilidade conforme a Peel cresce. “À medida que você escala, na verdade, fica mais difícil ser sustentável. Mas estamos comprometidos em encontrar o caminho.”

Esse espírito se concretizou em uma ação colaborativa neste verão, convidando os clientes a trocar quatro mangas maduras por uma tigela gratuita. “Eu não planejava ser a garota do soft serve”, diz Alvarez. “Mas foi isso que me deu brilho nos olhos. E isso basta.”

* Karin Eldor é colaboradora da Forbes desde 2017, onde escreve sobre empreendedores da moda, beleza, bem-estar e tecnologia.

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