Esta histórica vinícola no Piemonte, na Itália, é reconhecida não apenas pelos vinhos Barbera e Barolo excepcionais, mas também por sua rede de adegas subterrâneas. O local é um destino obrigatório para entusiastas do vinho.
Com origem em 1892, a Vinícola Coppo figura entre as mais antigas da prestigiada região vinícola de Langhe/Monferrato, no Piemonte. Entretanto, as adegas da Coppo são únicas não apenas pelos rótulos, mas por serem reconhecidas como parte do Patrimônio Mundial da UNESCO.
A Coppo integra uma vasta rede subterrânea de 5 mil metros quadrados com túneis de teto abobadado (Cattedrali Sotterranee) produzidos no século 18. Escavadas em pedra tufo porosa, que um dia foi coberta pelo mar, as quatro catedrais do vinho são consideradas um prodígio da engenharia.
A vinícola fica na pequena cidade de Canelli (na província de Asti), considerada o berço do vinho espumante italiano (Asti Spumante), embora esta unidade histórica seja, talvez, mais conhecida pelos vinhos tintos de destaque, incluindo o Barbera.
A família Lanci-Soldadino: zeladores do legado da Vinícola Coppo

Gianfranco Lanci, um executivo de tecnologia de destaque em empresas como Texas Instruments, Acer e Lenovo, era um entusiasta da gastronomia e dos vinhos. Em 2021, quando se preparava para deixar o cargo executivo na Lenovo, ele e a esposa, Giuditta Soldadino, adquiriram a Coppo para preservar o patrimônio da marca.
“Gianfranco queria retribuir algo à Itália ao salvar a vinícola e sua história”, afirmou Giuditta Soldadino durante uma visita à propriedade.
A morte inesperada de Lanci aos 68 anos, em janeiro de 2023 (apenas 16 meses após a aquisição), impediu que ele realizasse os planos para a aposentadoria. No entanto, Giuditta e o filho, Alberto, assumiram a responsabilidade com o objetivo de salvar a vinícola e preservar a memória de Lanci.
Os vinhedos da Coppo

Os vinhedos da Coppo abrangem 86 hectares no coração do Piemonte, nas regiões de Alto Monferrato Astigiano e Langhe. Essa extensão permite à vinícola elaborar uma grande variedade de rótulos, incluindo dois dos tintos mais prestigiados da Itália: Barolo e Barbaresco. Ambos são produzidos integralmente com uvas Nebbiolo e frequentemente chamados de “Rei” e “Rainha” dos vinhos.
O solo argiloso marinho de Monferrato oferece um terroir fértil para a produção de Barbera (Nizza DOCG), o vinho mais prestigioso da Coppo. Vinhos de sobremesa Moscato d’Asti também são fabricados no local.
Mesmo não estando localizada na zona demarcada de Barolo, a Coppo possui direitos históricos para produzir Barolo DOCG com uvas Nebbiolo vindas do solo arenoso da zona vizinha de La Morra. A vinícola também fabrica espumantes de Método Clássico (Metodo Classico) bem avaliados, além de Chardonnay e Langhe Nebbiolo.
Marcos da renovação da Vinícola Coppo

Manter as antigas adegas e os recursos naturais da Coppo é uma tarefa desafiadora e dispendiosa, visto que a entrada de capital foi transformadora.
Como coproprietária e membro do Conselho de Administração, Giuditta Soldadino aliou o respeito pela história da empresa a uma visão de futuro. As ações incluíram a abertura de novas passagens nos túneis, a introdução de tecnologia e iniciativas de sustentabilidade, além da melhoria na experiência dos visitantes.
Consideradas uma obra-prima arquitetônica, as adegas da UNESCO são chamadas de “catedrais do vinho” pela aparência e ambiente solenes.
O local funciona como um museu subterrâneo da história e tradições vinícolas, escavado a profundidades de 30 a 40 metros nas encostas rochosas de Monferrato (o equivalente a dez andares abaixo do solo). Originalmente, os espaços eram dedicados ao armazenamento dos espumantes da região, gerados pelo Método Clássico, idêntico ao do Champagne.
Giuditta mencionou que o longo processo de envelhecimento dos vinhos permanece praticamente inalterado, com o ambiente subterrâneo regulando naturalmente a temperatura da adega para 14°C.
Embora a vinícola mostre empenho na preservação do ecossistema com práticas orgânicas, biodinâmicas e regenerativas desde 2001, Giuditta expandiu essa filosofia para as adegas. Em uma instalação onde tudo era feito sem máquinas, a Coppo introduziu um novo sistema de engarrafamento que traz economia de 90% em energia e 95% no consumo de água.
Ao mesmo tempo em que o competitivo setor vinícola depende do enoturismo, a proprietária realizou esforços para melhorar a experiência do visitante, incluindo acessibilidade para pessoas com deficiência. Em contraste com os túneis antigos, as salas de degustação possuem design moderno e acolhedor.
Giuditta convidou a reportagem para o terraço sobre as adegas, que exibe vistas amplas dos vinhedos, igrejas e castelos. Ela apontou para um dos edifícios mais antigos, do século 17, que está sendo reformado para estabelecer cinco novos apartamentos para visitantes interessados em explorar esta área menos conhecida do Piemonte.
Além disso, uma fábrica de bicho-da-seda do início do século 20 está em reforma para gerar espaços de reuniões e escritórios.
A vinícola fica a apenas meia hora de carro de Alba, centro gastronômico do Piemonte famoso pelas trufas brancas. O trajeto pelas estradas sinuosas que partem de Alba ou Asti oferece uma imersão na culinária, nos vinhos e na história piemontesa.
Se você for
As degustações e experiências na Coppo devem ser reservadas com antecedência. Elas oferecem visões sobre as variedades de uvas do Piemonte, gestão de vinhedos e métodos de vinificação. Uma loja de vinhos também funciona no local.