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Direitos humanos e meio ambiente são dois lados da mesma moeda ESG

Infelizmente, o “social” fica atrás de outros elementos do ESG no desenvolvimento de estratégias consistentes e eficientes para medir o desempenho da empresa de uma forma que seja útil para os investidores

Haroldo Rodrigues
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Colin Anderson Productions pty ltd/Getty Images
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A pandemia de coronavírus e a devastação socioeconômica deixada em seu rastro também reforçaram a importância do componente social da ESG

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Abrangendo uma gama complexa e ampla de questões, a maioria relacionada aos direitos humanos, o fator social do ESG, sem dúvida alguma, recebe menos atenção do que a “onda do momento” – a dimensão ambiental. A má qualidade dos dados disponíveis e a falta de conhecimento são as razões frequentemente citadas para isso.

Uma pesquisa da NYU Stern, em 2017, mostrou que os fatores sociais não têm sido o foco dos primeiros produtos ESG, particularmente aqueles desenvolvidos para uso do investidor. Dos 580 produtos de classificação agregados pela Iniciativa Global para Relatórios de Sustentabilidade, 97% dos esforços ambientais e 80% dos esforços de governança têm como público-alvo os investidores. Quando se trata de esforços sociais, apenas 14% têm como alvo os investidores.

Mas há sinais de inquietações à medida que o investimento sustentável se torna viral e os países adotam novos padrões e regulamentações. A pandemia de coronavírus e a devastação socioeconômica deixada em seu rastro também reforçaram a importância do componente social da ESG. Restaram evidências que os investidores não podem deixar de se envolver em questões de direitos humanos.

Os direitos humanos são o outro lado da mesma moeda das mudanças climáticas. Um afeta o outro e, portanto, essas agendas devem andar juntas. Precisamos conversar mais sobre sustentabilidade desde as questões exclusivamente ambientais até a inclusão dos aspectos sociais em um mundo que está cada vez mais preocupado com a desigualdade global. Agora é hora do setor financeiro também abordar esse problema.

Para destacar isso, há um estudo de caso que bem demonstra que direitos humanos e meio ambiente são lados de uma mesma moeda ESG. Dirigido por Dorothée Baumann-Pauly, o Centro de Genebra para Empresas e Direitos Humanos (GCBHR), apresenta o impacto do ABN AMRO, banco holandês que, por meio de suas práticas de empréstimo, se envolve com empresas produtoras de óleo de palma na Indonésia para garantir condições de trabalho decentes e respeito aos padrões ambientais nas plantações de óleo de palma.

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Outro ponto importante em consideração é que os investidores do amanhã buscarão investimentos que mantenham a integridade dos direitos humanos: a demanda está crescendo por negócios ESG, com ativos em fundos socialmente responsáveis ​​crescendo 76% nos últimos cinco anos, segundo a NYU Stern School of Business.

Essa tendência é melhor percebida na geração do milênio e na diversidade de gênero. Mulheres e LGBTQI+ são grupos que favorecem os investimentos eticamente sustentáveis e compreendem uma porcentagem cada vez maior de investidores individuais. Especificamente, com as mulheres projetadas para controlar metade de toda a riqueza privada nos Estados Unidos até 2025 e a geração do milênio projetada para herdar US$ 30 trilhões nos próximos 40 anos, um reservatório considerável de capital procurando por negócios e estratégias ESG.

Uma ambição clara e compartilhada da importância e garantia dos direitos humanos nos negócios é o desafio do presente.

Os critérios de avaliação que hoje existem não preparam os investidores para responder à crescente demanda por negócios e produtos de investimentos socialmente responsáveis.

Infelizmente, o “social” fica atrás de outros elementos do ESG no desenvolvimento de estratégias consistentes e eficientes para medir o desempenho da empresa de uma forma que seja útil para os investidores. As medições que visam os investidores tendem a omitir algumas das questões de direitos humanos mais urgentes em um determinado setor. Embora provavelmente haja uma demanda significativa de investidores da geração do milênio e mulheres por produtos financeiros que recompensem os líderes e contribuam para uma economia mais justa, os investidores são incapazes de entregar esse tipo de produto no ambiente atual.

Em face da crescente desigualdade econômica e das evidências crescentes das externalidades negativas das práticas de negócios, as empresas financeiras estão sob pressão para demonstrar que podem agregar valor na economia global de hoje de maneira que funcionem para pessoas e comunidades em todo o mundo.

No cerne dessa questão está o reconhecimento de que a escala e a complexidade de uma transição célere exigem a “construção de pontes” entre as várias partes interessadas na prosperidade social e nas relações humanas com seus territórios.

Haroldo Rodrigues é sócio-fundador da investidora in3 New B Capital S.A. Foi professor titular e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza e presidente da Fundação de Amparo a Pesquisa do Ceará.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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