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Cúpula do clima de Glasgow corre risco de fracasso, aponta secretário-geral da ONU

António Guterres apontou a falta de metas ambiciosas de economias emergentes como uma das causas do problema.

Redação
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Andrew Kelly/Reuters
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António Guterres [foto] atribuiu o risco à desconfiança mútua entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que uma reunião crucial sobre mudanças climáticas, marcada para acontecer neste ano na Escócia, está sob risco de fracassar, por conta da desconfiança mútua entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, e por falta de metas ambiciosas entre algumas das economias emergentes.

A COP26 em Glasgow tem o objetivo de pressionar por ações climáticas muito mais ambiciosas e por recursos para elas vindo de participantes de todo o planeta. Cientistas afirmaram no mês passado que o aquecimento global está perigosamente perto de sair fora do controle.

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“Eu acredito que estamos em risco de não conseguir sucesso na COP26”, disse Guterres à Reuters em entrevista na sede da ONU em Nova York ontem (15). “Há ainda um nível de desconfiança, entre Norte e Sul, entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, que precisa ser superado.”

“Estamos à beira do abismo e quando se está à beira do abismo, é preciso ser muito cuidadoso sobre qual será o próximo passo. E o próximo passo é a COP26 em Glasgow”, disse o português. 

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Guterres e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, irão sediar na segunda-feira (20)  uma reunião de líderes mundiais na semana da Assembleia Geral da ONU anual, em uma iniciativa para elevar as chances de sucesso da conferência climática, que acontecerá entre 31 de outubro e 12 de novembro. “Meu objetivo – e a razão pela qual estamos convocando uma reunião no dia 20 – é exatamente para construir confiança, para permitir que todos entendam que todos precisamos fazer mais”, disse Guterres. 

“Precisamos que os países desenvolvidos façam mais, principalmente em relação ao apoio a países em desenvolvimento. E precisamos que algumas economias emergentes sejam mais ambiciosas nas metas de redução de emissões no ar”, disse o chefe da ONU. 

A reunião de segunda-feira, que será híbrida virtual e presencial, será fechada, para permitir “discussões francas” sobre como atingir o sucesso em Glasgow, afirmou uma autoridade de alto escalão da ONU, que falou em condição de anonimato. O planeta continua atrasado na batalha para cortar emissões de carbono e o ritmo das mudanças climáticas não foi desacelerado pela pandemia global de Covid-19, afirmou a Organização Meteorológica Mundial hoje (16).

Cientistas disseram no mês passado que, a não ser que grandes medidas sejam tomadas para cortar emissões, a temperatura média global deve bater ou cruzar a marca de 1,5 grau Celsius de aquecimento dentro de 20 anos. “Até agora, eu ainda não vi comprometimento suficiente de países desenvolvidos para apoiar países em desenvolvimento… e para dar uma porção significativa desse apoio às necessidades de adaptação”, disse Guterres.

Os países em desenvolvimento tendem a ser os mais vulneráveis aos custosos impactos das mudanças climáticas, e os menos equipados com recursos para combatê-los. (Com Reuters)


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