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O Que Dizem os Americanos sobre o Impacto do El Niño no Brasil

Analistas dos Estados Unidos acompanham o que ocorre no país e assinalam as commodities mais sensíveis à intempérie

4 min

Um padrão climático de El Niño com potencial para estabelecer um novo recorde pode provocar novas altas nos preços de alimentos comuns, alguns dos quais já mais que dobraram de preço neste ano, segundo um relatório divulgado na quarta-feira (8). As preocupações com esse padrão climático também impulsionaram, no início desta semana, a maior alta diária dos preços do café em décadas.

Principais informações

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo indicaram que o atual evento de El Niño provavelmente atingirá uma “intensidade muito forte” e poderá se tornar o mais poderoso já registrado, de acordo com um relatório da GlobalData TS Lombard.

Os preços dos alimentos no Brasil já estavam sob pressão antes da intensificação do fenômeno climático. Os preços do tomate (alta de 103,8%), da cenoura (103,1%) e da batata (100,2%) dispararam, enquanto cebola (63,7%), feijão (50,8%) e leite (19,1%) também registraram fortes aumentos.

O El Niño pode provocar perdas de produção e atrasos no plantio de cebola, batata, tomate, cenoura, maçã e uva no Brasil. Além disso, a redução dos níveis dos reservatórios pode prejudicar as lavouras de manga, mamão e uva, escreveram os analistas.

Uma interrupção nas colheitas brasileiras pode reduzir a oferta global, elevar os custos das commodities e das importações e, potencialmente, pressionar ainda mais os preços dos alimentos nos supermercados dos Estados Unidos, que vêm aumentando nos últimos anos em razão da inflação.

Além disso, o Brasil já cumpriu 85% de sua cota anual de exportação de carne bovina para a China, aumentando o risco de uma interrupção temporária nas negociações comerciais, o que poderia obrigar o país a direcionar sua produção para outros mercados e provocar oscilações nos preços da carne, afirmaram os analistas.

As pressões climáticas relacionadas ao El Niño também podem elevar a inflação brasileira em até dois pontos percentuais até 2027, segundo o relatório, além de provocar possíveis impactos sobre a rede elétrica do país.

Fato surpreendente

Os contratos futuros de café dispararam na segunda-feira (6), registrando a maior alta intradiária desde 2000. A empresa de serviços financeiros StoneX afirmou que a commodity havia se aproximado de um comportamento típico das chamadas “ações meme”. Segundo a empresa, os operadores esperam possíveis interrupções na colheita por causa do El Niño e a oferta de café arábica premium está mais restrita. No entanto, os analistas afirmaram que “não existe nenhum problema climático efetivo” afetando as lavouras brasileiras e que “a qualidade continua sendo a principal preocupação”.

O custo médio de um quilo de café nos Estados Unidos já havia atingido um recorde histórico em abril, chegando a US$ 21,40 por quilo (R$ 116,80 na cotação atual), enquanto a inflação continuava avançando ao longo de seis anos

O contexto é esse

O El Niño, fenômeno climático associado a temperaturas acima da média e chuvas irregulares, se desenvolveu no Oceano Pacífico no início deste mês, segundo a NOAA. E o Brasil está entre os países mais vulneráveis a esse padrão climático, já que aproximadamente metade da oferta de energia elétrica do país é proveniente de usinas hidrelétricas.

Em 2023 e 2024, o fenômeno provocou incêndios que consumiram cerca de 2,6 milhões de hectares no Brasil e causou enchentes históricas no Rio Grande do Sul, deixando aproximadamente 660 mil pessoas desalojadas.

Um relatório das Nações Unidas publicado no ano passado concluiu que os impactos do El Niño sobre os preços do café normalmente chegam aos consumidores dos Estados Unidos cerca de oito meses depois. O efeito dos aumentos de preços pode permanecer por pelo menos quatro anos, à medida que os varejistas ajustam os preços gradualmente.

A forte inflação dos últimos meses também provavelmente afetou os preços dos alimentos para os consumidores norte-americanos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) concluiu, em 2013, que preços mais elevados dos combustíveis podem ter impactos “significativos” sobre os preços e a volatilidade dos alimentos. Em maio, os preços da gasolina nos EUA registraram aumento anual de quase 59%, a maior alta entre todos os itens monitorados pelo Bureau of Labor Statistics.

Publicada originalmente em Forbes EUA

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