Âmbar, da J&F, diversifica com projeto de R$150 milhões em usinas solares para Swift

O plano é ir além da simples oferta de energia, mas oferecer um pacote completo de soluções que permitam "limpar" a matriz energética de clientes.

Da Reuters
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Bruno Kelly/Reuters
Bruno Kelly/Reuters

Placas solares instaladas em Vila Nova do Amanã (AM)

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A Âmbar Energia, do grupo J&F, está investindo R$ 150 milhões em usinas de geração solar para abastecer as lojas da marca Swift, da JBS, num movimento que marca a reorientação de sua estratégia de crescimento para soluções de energia a clientes, afirmou a empresa à Reuters.

Localizados principalmente na região Sudeste, os empreendimentos somam 34 megawatts-pico (MWp) de potência e devem garantir que 100% do consumo de eletricidade da rede Swift seja atendido a partir de uma fonte renovável.

As usinas solares desenvolvidas pela Âmbar são de pequeno porte e se enquadram na modalidade de geração distribuída, com instalação nos telhados das próprias lojas, ou em unidades da JBS que estejam próximas, no modelo de “fazenda solar”.

A empresa já deu início ao projeto – cerca de 1 MWp está em operação. A previsão é que todas as usinas estejam em atividade até o segundo semestre de 2023.

A iniciativa está associada ao compromisso firmado pela JBS, também controlada da J&F, de zerar suas emissões líquidas de carbono até 2040. O plano prevê, entre outras iniciativas, a conversão de 100% da eletricidade consumida em toda a operação da JBS para fontes limpas – hoje, 80% do consumo já é renovável.

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O projeto para a Swift marca o primeiro investimento em geração renovável da Âmbar Energia e também uma mudança de posicionamento estratégico, com a empresa se preparando para ser uma provedora de soluções de energia para clientes.

A Âmbar é mais conhecida como investidora em ativos de infraestrutura de energia elétrica. No segmento de transmissão, a companhia detém linhas e subestações nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal.

Já em geração, é dona de uma usina termelétrica de 480 megawatts (MW) de potência em Cuiabá (MT), ligada a um conjunto de gasodutos que transportam gás natural desde Chiquitos, na Bolívia.

Em junho deste ano, a Âmbar fechou a compra da termelétrica Uruguaiana (RS), que foi por muitos anos operada pela AES Brasil e foi vendida em 2020 à argentina Seasa. Com 640 MW de capacidade instalada, Uruguaiana estava praticamente desativada desde 2009 e voltou a operar em fevereiro deste ano, com o restabelecimento do fornecimento de gás.

A Âmbar vem avaliando alternativas de diversificação do portfólio nos últimos anos e, com a aceleração da transição energética e o fortalecimento da agenda ESG, decidiu apostar também nas fontes renováveis de geração.

O plano é ir além da simples oferta de energia, mas oferecer um pacote completo de soluções que permitam “limpar” a matriz energética de clientes.

Nesse cardápio de opções, estão as usinas de geração distribuída solar, a compra de energia no ambiente de contratação livre (ACL), projetos de eficiência energética e o fornecimento de I-RECs, os certificados de energia renovável.

Além do projeto para a Swift, a Âmbar vem se movimentando para ampliar o percentual de fontes renováveis no consumo de outros braços da J&F. Com esse intuito, assinou no mês passado um contrato de compra de energia (PPA) com a Neoenergia que prevê o fornecimento, a partir de 2023, de 30 MW médios de energia eólica.

A intenção da Âmbar é começar a ofertar soluções energéticas para o mercado, não ficando restrita aos negócios da J&F.

Apesar do novo foco em energia limpa, a companhia não pretende se desfazer de seus ativos a gás, por considerar que o combustível é essencial em meio à transição energética para uma economia de baixo carbono.

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