Para a Zegna, a expressão “old is gold” nunca fez tanto sentido. A ideia de resgatar roupas e trajes do riquíssimo acervo da marca italiana, ressignificando o uso da alfaiataria clássica – atualizada por construções inteligentes, modelagens afastadas do corpo, texturas mil e um styling que flerta com as ruas e com o cotidiano funcional do homem de hoje –, conduz a coleção de inverno 2026, desenvolvida pelo diretor criativo Alessandro Sartori e apresentada na abertura da temporada de desfiles de Milão na sexta-feira (16/01).
Sinônimo de elegância masculina, a empresa enraizada na região do Piemonte é das mais empenhadas do mundo em aliar moda e sustentabilidade, e a ideia da nova coleção, de certa forma, promove a economia circular ao estimular o garimpo em um “Armário de Família”, título do desfile. Na passarela, ambientada como um grande closet, estava exposto o “ABITO No.1” o primeiro terno Zegna, confeccionado su misura em lã australiana 100% na década de 1930 para o Conde Ermenegildo Zegna. Simbólico e revelador.
Sabe o exercício tão comum de garimpar no armário do pai ou do avô as roupas que podem ser misturadas às produções de hoje para injetar uma elegância clássica e atemporal? Pois é mais ou menos esse o espírito proposto pela Zegna. O diálogo entre passado e presente foi constante nos 57 looks que caminharam sobre os tapetes persas dispostos no cenário da apresentação, que contou com a audiência de personalidades do cinema como o ator dinamarquês Mads Mikkelsen (embaixador da marca) e o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho (vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro com O Agente Secreto), entre outros.
“Assim como a nossa parte externa, a pele escolhida, as roupas são as páginas de um diário que escrevemos ao longo de toda a nossa existência. Nesta coleção, a passagem de bastão entre gerações acontece dentro de um armário de família, no qual os pertences são protegidos do desgaste para que outros membros da família possam usá-los. Busco o encantamento que surge ao encontrar uma peça que pertenceu ao pai, ao avô, ao tio; a descoberta que vem do estudo de outras formas de se vestir, que desperta a vontade de experimentar algo novo; o diálogo silencioso que se estabelece entre os corpos e as maneiras de se portar”, explica Alessandro Sartori.
Na prática, o conceito se traduz em uma coleção de cartela sóbria, na qual reinam as paletas de cinzas e marrons, com pitadas de preto, açafrão e verde militar. Parece boring, mas não é. Isso graças às ricas texturas de tweed, flanela, cashmere e lã – em especial a Trofeo, criada em 1965 exclusivamente pela Zegna. A silhueta, longa e fluida, também traz a ideia para os dias atuais, amparada pelas ótimas calças de cintura alta, gancho baixo e pernas amplas.
Nos paletós e blazers, destaque para o abotoamento duplo, outrora símbolo de formalidade, que se renova com a adição de botões e um sistema inteligente que permite o uso da peça em abotoamento reto, mais solto. A engenhosidade na construção das peças aparece também nos blazers de lapela dupla e nos blusões também com golas duplas. Bombers matadoras em couro matelassado ou nobuck, mais ajustadas, já nascem hit e exalam sofisticação.
Nos acessórios, surgem slippers de inspiração outdoor e mocassins em camurça, feltro de lã e nobuck, óculos de formato quadrado, chapéus impermeáveis em couro com forro de feltro, além de bolsas duffel e pastas de trabalho desestruturadas. Assim se completa o repertório desse homem que aprende com o passado para melhorar o presente. E o futuro.