Quem é feliz vive mais: a importância das conexões para além do virtual

Se existe alguma dúvida sobre o benefício das relações pessoais, a ciência explica

Marina Daineze
Compartilhe esta publicação:
Getty Images/Luis Alvarez
Getty Images/Luis Alvarez

Um dos principais ingredientes que compõem a fórmula da felicidade é a manutenção das relações interpessoais

Acessibilidade


Conexões. Relações. Ligações. Elo. Vínculo. Não importa o nome que você escolher, o encontro genuíno entre pessoas é fundamental para uma vida feliz. E se já tínhamos uma ideia dessa afirmação pela experiência de estarmos vivos, a ciência nos traz o respaldo.

No último mês, conheci o norte-amercando Robert Waldinger, pesquisador, professor de psiquiatria e um dos principais expoentes dos estudos sobre o desenvolvimento da vida humana, da Escola de Medicina da Universidade Harvard. Atualmente ele lidera o Harvard Study of Adult Development, um projeto que investiga o desenvolvimento adulto, conduzido desde 1938 nos Estados Unidos.

Dentre as descobertas ao longo das décadas, um dos principais ingredientes que compõem a fórmula da felicidade é a manutenção das relações interpessoais. Segundo Waldinger, não nascemos para ficar sozinhos, e as conexões nos deixam não apenas mais felizes, mas também mais saudáveis, aumentando a nossa expectativa de vida.

Os brasileiros, contudo, têm um olhar singular sobre o impacto das conexões na qualidade de vida – é o que mostra um estudo conduzido pela Telefónica na Espanha, no Brasil e em outros países da América Latina, inspirado no trabalho desenvolvido em Harvard.

Com a pesquisa, percebemos que o Brasil é um país altamente sociável (acima da média) e abraçou por completo as redes sociais. Quando comparado aos outros, é o que mais considera as relações pessoais como fundamentais – 85% para brasileiros contra 74% para respondentes de outros países latinoamericanos e 81% para espanhóis. Isso não quer dizer que o brasileiro não seja exigente. Apesar de estarem sempre rodeados de pessoas, 83% dos entrevistados se declaram bastante seletivos com seu círculo de relações – em média, os entrevistados dizem ter apenas quatro relações de qualidade.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Com base nessas revelações, compartilho a seguir algumas dicas e aprendizados que podem nos deixar mais conectados e, consequentemente, mais felizes e saudáveis.

Use as redes sociais a favor das conexões reais. O mundo digital nos oferece a possibilidade de conexão com pessoas e organizações de qualquer lugar do mundo. Se, por um lado, isso é maravilhoso, por outro, apresenta desafios. O uso passivo e exacerbado das redes sociais pode deprimir, gerar ansiedade e diminuir a autoestima, já que temos a tendência de comparar o que vemos ali com a própria realidade. Já o uso ativo das mídias sociais pode trazer diversos benefícios. Os brasileiros são os que mais enxergam a tecnologia como um aliado para manter as relações humanas – para nós, estar conectado tem muitos significados e aproxima as pessoas. Por isso, use o universo virtual como um encurtador de distâncias e aproveite suas ferramentas para manter o contato com amigos e familiares, marcar o encontro da turma do colégio que você não vê há anos ou para encontrar aquela amizade de infância que hoje mora em outro continente.

Intensifique relações. O vínculo entre as pessoas pode ser classificado em diferentes níveis e se transformar com o tempo, com base no grau de intimidade e na duração do contato. Contudo, todas elas têm sua importância e trazem algum benefício. Aposte na conexão com as pessoas que você se identifica e tem confiança em estreitar essas relações. Esteja próximo do que lhe faz bem.

Entenda a importância do presencial. Quando se trata de relações de qualidade, o encontro presencial ainda ultrapassa o virtual – é o que dizem os mais de 79% dos entrevistados. Especialmente após a pandemia, um período conturbado que transformou nossos padrões habituais de convívio, é possível observar uma valorização cada vez maior do tempo de qualidade e do olho no olho. Dispor de tempo para estar com amigos e familiares presencialmente é indispensável.

Desconecte-se. A ideia de se desconectar também é importante para 65% das pessoas. Para estarmos presentes nas interações, em alguns momentos, é preciso deixar de lado o mundo virtual. O que não quer dizer, necessariamente, desligar o celular. Para as novas gerações, por exemplo, sintonizar uma música, abrir um app de meditação, assistir a uma série em plataformas de streaming ou jogar videogame são formas de se desligar das atividades diárias. Encontre a sua e se desconecte para se conectar com você.

Cultive hábitos saudáveis. Todos os dias podemos fazer algo (grande ou pequeno) para melhorar o nosso bem-estar. Praticar exercícios regularmente, nos alimentar bem, cuidar da saúde e investir nas relações, por exemplo. É preciso compreender, também, que os momentos tristes e desafiadores fazem parte da vida. Não estaremos felizes o tempo todo, mas isso geralmente não aparece nas redes sociais. Respeite os seus momentos e faça o que lhe faz bem.

A conexão tecnológica pode ser um atalho para superar distâncias, conectar pessoas, marcas e tudo aquilo que gera bem-estar – nos levando mais perto da felicidade. Cabe a nós aprendermos, diariamente, a fazer um bom uso dos recursos que conquistamos.

Marina Daineze Keresztes, diretora de Imagem e Comunicação da Vivo, atua no setor de telecomunicações e na empresa há mais de 15 anos. A executiva é graduada em Comunicação Social com especialização em Relações Públicas pela Universidade de São Paulo, com MBA em Marketing na ESPM.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Compartilhe esta publicação: