O mundo deve enfrentar uma nova onda de recordes de temperatura nos próximos cinco anos — com o Ártico aquecendo a uma taxa mais de três vezes superior à média global. O alerta vem de um relatório divulgado nesta quarta-feira (28) pela OMM (Organização Meteorológica Mundial), agência da ONU especializada em clima.
Segundo o levantamento, há 80% de chance de que pelo menos um dos próximos cinco anos registre calor recorde. A probabilidade de que a média de aquecimento global ultrapasse os 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais também é alta — marca que representa o limite estabelecido no Acordo de Paris.
O ano de 2024, o mais quente já registrado, foi também o primeiro a ultrapassar esse limite temporariamente, desafiando o pacto climático assinado em 2015, que compromete os países a evitar um aquecimento global superior a 1,5 °C.
De acordo com a OMM, a temperatura média global próxima à superfície deve ficar entre 1,2°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais até o fim de 2029 — cenário que tende a intensificar eventos climáticos extremos. “Cada fração adicional de grau de aquecimento provoca ondas de calor mais prejudiciais, chuvas extremas, secas intensas, derretimento de mantos de gelo, calotas polares e geleiras, aquecimento dos oceanos e elevação do nível do mar”, afirmou a organização em comunicado.
O Ártico é uma das regiões mais vulneráveis: o relatório prevê que o aquecimento por lá será 2,4°C acima da média das últimas três décadas — mais de 3,5 vezes superior à média global — durante os próximos cinco anos. A consequência será o derretimento acelerado do gelo, tanto na região quanto no noroeste do Oceano Pacífico.
Ainda segundo o relatório, temperaturas globais devem permanecer em níveis recordes ou próximos disso até o final da década.
Entre 2025 e 2029, o período de maio a setembro deve registrar chuvas acima da média em regiões como o Sahel, o norte da Europa, o Alasca e o norte da Sibéria. Já na Amazônia, a previsão é de uma estação mais seca do que o normal.