As taxas de crescimento mais aceleradas em energias renováveis em nível global e um plano de eliminação do carvão até 2035, incluído na sua Nationally Determined Contribution (NDC), em português Contribuição Nacionalmente Determinada, compromisso formal que cada país apresenta no âmbito do Acordo de Paris.
Brasil, Chile e Colômbia se destacam como os líderes climáticos da América Latina, segundo o relatório anual do “Climate Action Tracker” (CAT), apresentado nesta quinta-feira (13) no âmbito da COP30.
Embora seus esforços sejam significativos na região, o relatório esclarece que nenhum país do mundo está “completamente alinhado” com a meta de se manter abaixo de 1,5 °C, que o Acordo de Paris estabelece como limite máximo.
Segundo o estudo, as projeções de aquecimento global permanecem em +2,6 °C para 2100, sem melhorias, pelo quarto ano consecutivo, apesar dos novos compromissos assumidos pelas nações para 2035.
Isso ocorre porque os compromissos assumidos pelos países para 2035 não conseguiram alterar as projeções de temperatura, e o cenário mais otimista, que parte da implementação total de todas as promessas, apenas reduz o aquecimento para 1,9 °C em 2100.
Avanços e desafios pendentes
O CAT, que se define como um projeto científico independente e recebe financiamento do governo alemão e de fundações como a European Climate Foundation, explica que os três países sul-americanos apresentam avanços importantes na região.
O Chile lidera com uma das taxas de crescimento mais aceleradas em energias renováveis em escala global e com um plano de eliminação do carvão até 2035 incluído na sua NDC.
A Colômbia, além de sua política de não autorizar novos projetos de exploração de petróleo e gás, impulsiona investimentos em energias limpas.
O Brasil, além de sua posição de destaque em energias renováveis, conta com um sistema nacional de transparência climática, criado para centralizar dados sobre emissões, riscos e projeções climáticas, com o objetivo de fortalecer a formulação de políticas públicas e atrair investimentos.
Em contraste, potências como os Estados Unidos apresentaram retrocessos, enquanto a China e a União Europeia se encontram em situação de estagnação.
Com Donald Trump novamente no poder, os EUA cancelaram projetos de energia eólica offshore e ampliaram a produção de petróleo e gás, decisões que, segundo o estudo, invalidaram suas metas climáticas anteriores e enfraqueceram sua contribuição para a redução global de emissões.
O relatório alerta que, com as políticas atuais, os Estados Unidos não estão no caminho para cumprir seus objetivos para 2030 nem suas metas de neutralidade de carbono para 2050.
China e União Europeia mostram sinais de estagnação, apesar de seu peso global na ação climática.
A China aumentou sua capacidade instalada de energias renováveis, mas suas emissões continuaram a crescer em 2023, e as metas do gigante asiático para 2035 não alteram sua trajetória de aquecimento.
No caso da União Europeia, o relatório indica que bloqueios políticos retardaram a aprovação de novas metas para 2035 e 2040, o que enfraqueceu sua liderança climática.
O CAT conclui que ainda é possível limitar o pico de aquecimento a 1,7 °C se forem adotadas medidas ambiciosas de imediato, como alcançar emissões líquidas zero de dióxido de carbono antes de 2050.
No entanto, adverte que “o que falta não são promessas, e sim ações concretas”.