Bom dia. Estamos na sexta-feira, 20 de março.
Cenário
Os mercados internacionais iniciam o pregão desta sexta-feira (20) em território negativo, pressionados pelo aprofundamento do conflito entre Israel e Irã e pelo avanço do petróleo, que amplia o temor de uma nova rodada de pressão inflacionária global.
Israel atacou Teerã durante a madrugada, mirando o que o exército israelense descreveu como “infraestrutura do regime terrorista iraniano”. Em resposta, o Irã disparou uma nova salva de mísseis contra Israel, acionando sirenes de alerta aéreo em Tel Aviv e gerando explosões dos sistemas de defesa antiaérea sobre a cidade.
O epicentro das preocupações dos mercados é a escalada dos ataques à infraestrutura energética da região. Na quinta-feira (19), o Irã atingiu a Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar, responsável pelo processamento de cerca de um quinto de todo o gás natural liquefeito (GNL) do mundo.
O CEO da Qatar Energy confirmou que os ataques interromperam um sexto da capacidade de exportação de GNL do país — avaliada em US$ 20 bilhões por ano — e que os reparos necessários devem levar até cinco anos. A empresa declarou força maior nas exportações, sinalizando o tamanho do rombo na cadeia global de energia.
Também na quinta-feira, o principal porto saudita no Mar Vermelho foi atacado, e uma refinaria de petróleo no Kuwait foi atingida por um drone iraniano. Os Emirados Árabes Unidos também registraram uma “ameaça de míssil” no início desta manhã.
A ofensiva iraniana contra a infraestrutura energética regional — que Teerã classifica como “uma nova fase na guerra” — visa explicitamente instalações ligadas aos Estados Unidos e seus aliados. O porta-voz militar iraniano deixou claro: enquanto os ataques ao Irã continuarem, os contra-ataques à infraestrutura energética dos aliados “não cessarão até que ela seja completamente destruída”.
O cenário que emerge é desafiador: a combinação de oferta de energia comprimida e preços do petróleo em alta reacende o fantasma da inflação nos Estados Unidos e na Europa — exatamente quando os bancos centrais das duas regiões lutavam para trazer os índices de preços de volta às metas.
Isso pressiona os juros. Na quarta-feira (18), o Federal Reserve (FED), o banco central americano, decidiu por 11 votos a 1 manter os juros inalterados na faixa entre 3,50 e 3,75 por cento ao ano. Os investidores já refazem seus cálculos e esperam uma atitude mais dura do FED ao longo do ano, precificando a possibilidade de altas de juros caso o choque energético se consolide na inflação ao consumidor.
Na quinta-feira (19) os bancos centrais também optaram por manter as taxas estáveis na Europa e os investidores já consideram a possibilidade de alta de juros neste ano. A resistência dos principais aliados europeus dos EUA em participar militarmente do conflito aumenta a incerteza sobre como a crise será resolvida e por quanto tempo os mercados de energia permanecerão sob pressão.
Perspectivas
Os contratos futuros dos principais índices americanos — S&P 500, Nasdaq e Dow Jones — operam em queda de cerca de 1 por cento no pré-mercado, refletindo o nervosismo dos investidores diante de um cenário geopolítico que não dá sinais de arrefecimento. O barril do petróleo tipo Brent, referência para o mercado global e para a Petrobras, avança quase 2 por cento, sendo negociado a cerca de 110 dólares pressionado pela crescente ameaça à oferta global de energia.
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