Na América Latina, o Brasil elevou as tarifas sobre as exportações de petróleo bruto para desacoplar parcialmente os preços internos, enquanto a Colômbia adotou um congelamento nos preços dos combustíveis.
Embora o fechamento do Estreito de Ormuz tenha provocado uma disparada nos preços da energia em todo o mundo, há grandes diferenças no ranking dos países que registraram os maiores reajustes, de acordo com a estratégia adotada por cada governo.
Enquanto algumas economias optaram por deixar o mercado agir livremente e absorveram aumentos superiores a 50%, outras recorreram a subsídios, congelamentos, redução de impostos ou controle de preços para amenizar o impacto. Nesse cenário global, a Argentina ficou em um grupo intermediário, com reajustes em torno de 24%, longe dos casos mais extremos.
Os países que registraram os maiores aumentos no preço da gasolina foram, principalmente, economias altamente dependentes da importação de energia e com menor regulação estatal. As Filipinas lideraram o ranking, acompanhadas por outros mercados asiáticos, como Camboja e Paquistão, onde as altas superaram 50%.
Na sequência apareceram grandes economias, como Estados Unidos e Peru, com reajustes próximos de 45%, impulsionados pelo forte repasse dos custos internacionais ao consumidor final. Mais abaixo surgiu um amplo grupo formado por Chile, Argentina, China, Coreia do Sul, Austrália e boa parte da Europa, onde as altas ficaram pouco acima de 20%.
O caso chileno foi particularmente relevante para a região devido à rapidez do ajuste, enquanto a Argentina conseguiu conter parcialmente o impacto, embora ainda tenha enfrentado um aumento significativo nos postos de combustíveis em meio a um processo gradual de liberalização dos preços internos.
No extremo oposto ficaram países que praticamente neutralizaram o choque internacional. A Colômbia registrou inclusive queda no preço dos combustíveis por meio de um modelo de congelamento implementado pelo governo, enquanto a Bolívia apresentou comportamento semelhante. Já Uruguai, Brasil, Espanha e Itália mantiveram reajustes bem mais moderados, entre 4% e 7%.
O diesel, porém, foi o combustível que sofreu os maiores impactos. Em alguns mercados, os aumentos foram extraordinários: Mianmar e Lagos chegaram a registrar altas de até 150%. Também se destacaram os Estados Unidos, com aumento de 58%; Peru, de 65%; Chile, de 46%; e Austrália, de 55%.
Por trás dessas diferenças está uma combinação de fatores ligados à política energética de cada país. Um relatório da consultoria Economía & Energía analisou as principais medidas adotadas para reduzir os efeitos do conflito.
Na Ásia, a China estabeleceu preços máximos para os combustíveis, enquanto o Japão decidiu liberar reservas estratégicas de petróleo, ampliar temporariamente o uso de carvão e aumentar subsídios. A Coreia do Sul, por sua vez, criou um fundo de assistência financeira para refinarias.
A Europa avançou com diferentes mecanismos de alívio fiscal. A França impôs limites aos reajustes, enquanto Itália e Alemanha reduziram impostos sobre combustíveis durante dois meses. No Reino Unido, a estratégia foi direcionada a subsídios específicos para famílias que dependem de derivados de petróleo para aquecimento.
Na América Latina, o Brasil aumentou as tarifas sobre as exportações de petróleo bruto para desacoplar parcialmente os preços internos, enquanto a Colômbia avançou com o congelamento dos preços dos combustíveis.
A resposta mais agressiva veio dos Estados Unidos, que liberaram 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo, flexibilizaram regulações ambientais e suspenderam por 60 dias a chamada Lei Jones — que obriga o transporte de mercadorias entre portos americanos em embarcações fabricadas e operadas no país — para reduzir custos logísticos e aliviar a pressão sobre o mercado interno. (I)