ANestléampliouparaoBrasilumaparceriacoma Organização Internacional do Trabalho (OIT) voltada ao setor de café,comfocoem”recrutamento justo” de trabalhadores nas lavouras pelos cafeicultores, disseram executivos dacompanhia e autoridades da agência da ONU, nesta quinta-feira.
O projeto noBrasil, que será implementado nos Estados da Bahia e do Espírito Santo, terá duração de dois anos e faz parte de uma expansão daparceriadaNestlécomaOITparaa América Latina, incluindo também Colômbia e México, após iniciativas anterioresempaíses asiáticoscomo Vietnã e Indonésia.
NoBrasil, que responde por cerca de 30% do café consumido globalmente, o trabalho será concentrado nos dois importantes Estados produtores de grãos canéforas (robusta e conilon), variedadecomumente usada na produção de café solúvel,como o clássico Nescafé. Espírito Santo e Bahia também produzemcafé arábica,emboraemuma parcela menorcomparativamente ao canéfora.
O projeto buscará mapear corredores de migração de trabalhadores usados na atividade cafeeira, além de desenvolver estratégiascomgovernos federal, estaduais e municipais, disse Rafael Costa, gerente jurídico daNestléBrasil.
“Temos obtido avanços, o nível de maturidade de respeito aos direitos trabalhistas está aumentando, mas reconhecemos que há alguns desafios estruturais que ainda persistem, por exemplo, orecrutamento justoe acesso limitado à proteção social de trabalhadores”, afirmou.
Paralidarcoma questão, disse ele, aNestlénão pode trabalhar sozinha, e a tarefa demanda parceiroscomexpertise,como aOIT. “Por causa disso, decidimos expandir a nossaparceriade longo prazocomaOITparaa América Latina, especificamenteparaoBrasil.”
Segundo o executivo, a iniciativa pretende fortalecer agências locais envolvidas na intermediação de mão de obra rural e elevar a proteção de trabalhadores no setor. Executivos daNestlénãocomentaram sobre investimentos envolvidos.
Acompanhia afirma que jácompra café certificado por terceiros independentes noBrasil, realiza visitas anuais a fazendas por meio de equipes agrícolas e fornecedores, conduz verificações de conformidade e incentiva produtores ligados ao Nescafé Plan a divulgar canais de denúncia.
A necessidade de envolvimento daOIT, segundo os executivos, está ligada também à tentativa de atacar temas que vão além das práticas agrícolas ou da relação diretacomfornecedores. A agência atuacomnormas internacionais do trabalho, diálogo social, segurança e saúde ocupacional,recrutamento justo, prevenção de trabalho forçado e fortalecimento institucional.
Andrea Davila, oficial técnica daOIT, disse que noBrasilo projeto terá três áreascomplementares: promover processos de recrutamento mais transparentes e estruturados; melhorar a coordenação entre autoridades públicas,empregadores e organizações de trabalhadores; e desenvolver modelos que possam ser testados no café e eventualmente replicadosemoutras cadeias rurais.