A moeda americana começou a quinta feira (18) em alta ante ao real, refletindo uma combinação de fatores externos e domésticos que aumentaram a demanda no mercado. Próximo das 13h da tarde, o dólar registrava alta de 1,15% sendo negociado a R$ 5,17.
No Brasil, o mercado reagiu à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Embora a decisão do Banco Central fosse esperada pelo mercado, a comunicação da instituição trouxe algumas dúvidas sobre a os próximos capítulos da trajetória do juros no Brasil.
“Dada a incerteza lá fora, havia a expectativa do mercado de que o Copom mostrasse que novos cortes estariam em cheque e não aconteceriam. Quando o BC alonga o horizonte de inflação, ele demonstra não vê essa urgência como o mercado imaginava. Isso ajuda a trazer mais volatilidade pra nossa moeda hoje”, comentou Marcela Rocha, CIO da Avenue.
Quando a expectativa do mercado não se confirma, ocorre um ajuste de posições que costuma gerar oscilações mais fortes no câmbio. Parte dos investidores reduz posições em reais ou busca proteção em dólar, o que aumenta a volatilidade e pode pressionar a moeda americana para cima.
No cenário internacional, a repercussão é a decisão do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, que manteve os juros inalterados, dentro do intervalo de 3,50% e 3,75%, e sinalizou cautela em relação ao combate à inflação.
A estreia de Kevin Warsh, indicado por Donald Trump, teve um tom hawkish – considerado duro, mas visto com bons olhos pelos investidores, de acordo com Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue. “O mercado questionava muito se a nova indicação do Trump implicaria em alguma influência política. E houve dúvidas sobre as instituições americanas, sobre a independência do Banco Central americano. Com isso a gente vê que o Fed se mantém forte e que as instituições ainda prevalecem, o Banco Central americano continua independente”, explicou.
Analistas sinalizam a necessidade de pelo menos mais uma alta de juros ainda este ano para combater a inflação, o que empurra os rendimentos dos títulos americanos para cima e atraiu capital para a moeda norte-americana.
Nesse contexto, agentes financeiros ajustam suas posições no mercado e monitoram um ambiente internacional marcado por incertezas econômicas e geopolíticas. Em momentos de maior aversão ao risco, investidores costumam buscar ativos considerados mais seguros, como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o próprio dólar, contribuindo para a valorização da moeda americana frente ao real.