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Toyota interrompe três anos de Ferrari e vence Le Mans pelo sexto vez

94ª edição reuniu 62 carros, 186 pilotos e 40 estreantes ao longo de três categorias, disputadas no Circuit de la Sarthe

4 min

O Toyota #7 largou na 14ª posição da grade, a mais baixa já registrada por um vencedor em toda a história das 24 Horas de Le Mans, e cruzou a linha de chegada neste domingo (14), em Le Mans, na França, com 10,9 segundos de vantagem sobre o BMW #20. Kamui Kobayashi, Mike Conway e Nyck de Vries encerraram um jejum de quatro anos da Toyota e interromperam três vitórias consecutivas da Ferrari na prova mais longa do automobilismo mundial.


No final da corrida, Kobayashi levou o carro à linha de chegada com 11 segundos de vantagem. Essa foi a margem mais apertada desde que Le Mans passou a medir o resultado em tempo, e não em voltas.
A vitória representa o sexto título de Le Mans para a Toyota, o primeiro com o Hypercar TR010 Hybrid e o primeiro desde 2022, ano anterior à chegada dos regulamentos LMDh que reconfigurou a categoria de topo do WEC. Conway e Kobayashi já haviam vencido juntos em 2021. De Vries chegou ao seu primeiro título na prova. O pódio ficou completo com o BMW #20, de Frijns, Sheldon van der Linde e René Rast, em segundo, e o Toyota #8 em terceiro. Para a BMW, o resultado representa o melhor desempenho geral em Le Mans desde 1999, quando venceu com o V12 LMR.


Sete carros terminaram na mesma volta do vencedor, o segundo maior número já registrado na história da corrida. Nas categorias de apoio, a Inter Europol Competition conquistou o título na LMP2 pelo terceiro vez em quatro anos, com Tom Dillmann, Nick Yelloly e Jakub Smiechowski no carro #43, seguida pelo carro irmão #343. A liderança da categoria pertencia ao #30, com a pilota júnior da Mercedes Doriane Pin, até a manhã de domingo, quando o carro abandonou com falha nos freios. Na LMGT3, o Corvette #33 da TF Sport, com Ben Keating, Jonny Edgar e Nicky Catsburg, venceu após largar da 17ª posição.

Também sete brasileiros largaram na 94ª edição. São eles Pipo Derani, Pietro Fittipaldi, Daniel Schneider, Eduardo (Dudu) Barrichello, Augusto Farfus, Daniel Serra e Custódio Toledo, distribuídos pelas três categorias. Dudu Barrichello, filho de Rubens Barrichello, disputou o pódio na LMGT3 até a última hora com o Aston Martin #23 da Heart of Racing, mas não ficou em primeiro lugar.

As 24 Horas de Le Mans são disputadas em três categorias. No topo estão os Hypercars, protótipos desenvolvidos exclusivamente para a competição pelas grandes montadoras, como Toyota, BMW, Ferrari e Cadillac. A LMP2 reúne protótipos de menor potência, com custos controlados e tripulações mistas de profissionais e amadores. Na base da pirâmide está a LMGT3, categoria formada por superesportivos derivados diretamente de modelos de produção, como o Corvette Z06, o Aston Martin Vantage e o BMW M4, preparados para a competição mas reconhecíveis para qualquer entusiasta que circula pelas ruas. É nessa classe que o Brasil concentra a maior parte de seus representantes em Le Mans.


Os números da corrida e do negócio


A 94ª edição reuniu 62 carros, 186 pilotos e 40 estreantes ao longo de três categorias, disputadas no Circuit de la Sarthe, 13,6 quilômetros de asfalto e estradas públicas fechadas ao trânsito, onde os carros atingem mais de 340 km/h na reta de Mulsanne. O circuito tem capacidade para 263,5 mil espectadores e as arquibancadas estavam esgotadas, na sequência de públicos de 329 mil em 2024 e 325 mil em 2023. Os números oficiais de 2026 ainda não foram divulgados pelo Automobile Club de l’Ouest (ACO), organizador da prova desde sua primeira edição, em 1923.

A edição do centenário, em 2023, injetou 162,1 milhões de euros na economia francesa, com 89% dos gastos direcionados a fornecedores localizados em até 200 quilômetros do circuito, sustentando até 1.060 empregos de tempo integral na região. A audiência global chegou a 113 milhões de espectadores em 196 países naquela edição, 2,5 vezes mais do que no ano anterior. Os dados de 2026 serão divulgados pelo ACO nas próximas semanas.

O TR010 Hybrid foi desenvolvido como resposta direta ao Ferrari 499P, com redesenho da dianteira e da asa traseira em alinhamento com a linguagem dos modelos de rua da montadora. Desde o retorno ao automobilismo de elite com tecnologia híbrida, em 2012, a Toyota acumulou 293.796 quilômetros percorridos em corridas do WEC, o equivalente a sete voltas ao redor da Terra. Le Mans 2026 acrescenta o sexto título a essa trajetória.

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