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Petróleo Atinge Máxima de Cinco Semanas com Ameaça de Bloqueio dos Houthis e Ataques entre EUA e Irã

Ibovespa fecha estável; Dólar acompanha exterior e tem baixa leve ante o real

7 min

Os preços do petróleo subiram cerca de 2% nesta terça-feira (21), para a maior cotação em cinco semanas, devido a temores de que as interrupções no abastecimento de energia possam se agravar no Oriente Médio, em função de novos ataques entre os Estados Unidos e o Irã e da ameaça de bloqueio naval à Arábia Saudita por parte dos houthis do Iêmen.

Os futuros do Brent subiram US$1,79, ou 2%, fechando a US$91,01 o barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos subiu US$1,68, ou 2%, fechando a US$84,91.

Esse foi o maior fechamento do Brent desde 10 de junho e do WTI desde 11 de junho. Isso também manteve o Brent em território tecnicamente sobrecomprado pelo sétimo dia consecutivo, pela primeira vez desde junho de 2025.

“A alta não se deve necessariamente aos barris perdidos hoje, mas sim ao fato de o mercado atribuir uma probabilidade maior de que a logística permaneça instável ao longo da semana, especialmente se as exportações sauditas para a Ásia ou o trânsito pelo Mar Vermelho enfrentarem interrupções adicionais”, afirmaram analistas da consultoria Gelber & Associates em uma nota.

Dois petroleiros que transportavam petróleo saudita para a Ásia mudaram de rota no Mar Vermelho nesta terça-feira, após ameaças dos houthis, alinhados ao Irã. As forças americanas bombardearam alvos no sul e no oeste do Irã durante a madrugada; Teerã atacou instalações americanas no Barein, no Kuweit e na Jordânia, e pelo menos um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz.

Os houthis anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita na segunda-feira, ampliando o conflito e aumentando a ameaça ao abastecimento energético global e ao comércio para além do Golfo Pérsico.

Os dois petroleiros, que carregaram petróleo saudita com destino à China e à Índia nesta semana, deram meia-volta e seguiram em direção ao Canal de Suez, segundo dados de navegação da LSEG. No entanto, fontes afirmaram que o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, na Arábia Saudita, estava operando normalmente.

As exportações de petróleo da Arábia Saudita caíram pelo terceiro mês consecutivo em maio, atingindo uma mínima histórica, segundo dados divulgados nesta terça-feira pela Joint Organizations Data Initiative.

À medida que a guerra da Rússia contra a Ucrânia se expande para além das fronteiras ucranianas, o Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC) parou de receber petróleo do Cazaquistão após suspender os carregamentos na segunda-feira devido a ataques a petroleiros em seu terminal no Mar Negro, segundo três fontes do setor.

A Rússia acusou a Ucrânia de ter como alvo os petroleiros do CPC. A Ucrânia não se pronunciou sobre os ataques.

Ibovespa

O Ibovespa encerrou o dia estável após mais um dia de volume de negócios reduzido, em meio a sinais contraditórios vindos do conflito no Oriente Médio, enquanto investidores também aguardam a divulgação do relatório de produção da Vale.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou com oscilação negativa de 0,03%, a 173.325,65 pontos, após marcar 172.218,88 na mínima e 173.719,5 na máxima do dia.

O volume financeiro no pregão somou R$17,9 bilhões, abaixo da média diária de R$33,7 bilhões no ano.

Localmente, os investidores aguardam a divulgação do relatório de produção de segundo trimestre da Vale, que será publicado nesta terça, após o encerramento das negociações.

“Para os próximos dias, o foco dos mercados permanece dividido entre dois grandes temas: a evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã, que continuará determinando o comportamento do petróleo, e a temporada de balanços das grandes empresas de tecnologia norte-americanas, que deverá oferecer novas sinalizações sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial e sobre a continuidade do movimento de recuperação do setor”, escreveu Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil.

Destaques

•PETROBRAS PN subiu 1,24% e PETROBRAS ON avançou 1,43%, em linha com a alta do petróleo no exterior.

•VALE ON subiu 0,43%, antes da divulgação do relatório de produção do segundo trimestre. Na contramão, o contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China caiu 1,12%, para US$110,74.

•ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,54%, após uma sessão volátil para os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN avançou 0,76% e SANTANDER BRASIL UNIT ganhou 0,74%, enquanto BANCO DO BRASIL ON subiu 3,52%.

•MARFRIG ON disparou 4,06%, liderando os ganhos do Ibovespa. Mais cedo, a companhia divulgou que seu conselho de administração aprovou o cancelamento de 21,4 milhões de ações ordinárias mantidas em tesouraria, sem redução do valor do capital social.

•HYPERA ON caiu 5,51%, liderando as perdas da bolsa, em dia negativo para ações ligadas ao setor de saúde, com RD mostrando recuo de 3%. O segmento reage a sanção, na segunda-feira, da lei que institui a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). “A estratégia busca utilizar o poder de compra do SUS para reduzir a dependência externa do Brasil em medicamentos, vacinas e dispositivos médicos, fortalecer laboratórios públicos e ampliar o acesso da população a tecnologias estratégicas de saúde”, segundo nota publicada no site do Ministério da Saúde.

•EMBRAER ON teve queda de 0,77%. A companhia anunciou pela manhã acordos com companhias, incluindo um com o Grupo Abra para adquirir até 45 aviões E195-E2, além de outro com a Azorra para até 30 E-Freighters.

Dólar

O dólar fechou com leve baixa ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, em um dia de notícias conflitantes sobre o Oriente Médio e alta do petróleo.

O dólar à vista encerrou com queda de 0,31%, aos R$5,0737. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 7,57%.

Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,38% na B3, aos R$5,0865, em uma sessão de liquidez reduzida, com apenas cerca de 140 mil contratos negociados até o momento.

Após marcar a cotação máxima intradia de R$5,0914 (+0,04%) às 9h00, na abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0668 (-0,45%) às 15h30. Da máxima para a mínima a variação foi de apenas 0,48%, o que indica que as oscilações ocorreram em margens estreitas.

“O real está se valorizando na esteira da alta de mais de 2% do petróleo, por conta do (cenário) geopolítico”, comentou à tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, chamando também a atenção para a agenda esvaziada de indicadores econômicos.

A queda do dólar ante o real ocorreu a despeito de, no campo comercial, os EUA voltarem a inspirar preocupações após anunciarem, na noite de segunda-feira, uma tarifa de 50% sobre um conjunto de produtos canadenses. Na semana passada, o Brasil havia sido alvo de uma nova tarifa de 25% dos EUA.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.

Às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,22%, a 101,170.

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