A Natura (NATU3) firmou um acordo de acionistas com um fundo ligado à gestora americana Advent International, que passa a integrar o grupo que influencia as decisões estratégicas da fabricante de cosméticos.
Para viabilizar a entrada da Advent na Natura, os acionistas aprovaram em assembleia dispensar o fundo da obrigação de realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), o processo pelo qual quem amplia uma participação relevante teria de comprar ações dos demais sócios, desde que o investidor não ultrapasse um limite de participação previsto no estatuto da companhia.
No mesmo movimento, foi aprovado ampliar o conselho de administração (grupo que define os rumos da empresa) para até dez membros, com a entrada de Juan Pablo Zucchini, managing partner da Advent International, e de Rafael Patury Carneiro Leão, managing director da Advent no Brasil, ambos indicados pela gestora.
Os acionistas também decidiram que o comitê de auditoria (responsável por fiscalizar as contas) passará a ser coordenado por um conselheiro independente, além de terem aprovado um novo programa de opções de compra de ações destinado a funcionários e executivos.
As deliberações encerram um processo iniciado em março de 2026, quando a Advent fechou acordo com os principais acionistas da Natura, entre eles os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, para ingressar no capital comprando entre 8% e 10% das ações no mercado secundário, tendo como referência um preço-alvo médio de R$ 9,75 por papel.
No início de agosto, a gestora atingiu a fatia mínima de 8% que lhe dava direito a indicar dois conselheiros, o que tornou necessárias as assembleias para liberar a OPA e formalizar sua entrada na governança. Apesar do reforço, a companhia reforça que a Advent não assume o controle, que permanece concentrado nos blocos dos fundadores e demais acionistas de referência, detentores de cerca de 38,8% do capital.