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Dólar Sobe; Ibovespa Amplia Série de Altas com Ajuda da Petrobras

Kevin Warsh, presidente do banco central do EUA, influenciou no cenário doméstico e internacional ao falar sobre juros

8 min

O Ibovespa fechou com um acréscimo modesto nesta sexta-feira, mas assegurou a oitava alta seguida, com Petrobras novamente entre os suportes.

Após ultrapassar os 176 mil pontos nos primeiros negócios, o índice perdeu força com declarações do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que o banco central dos Estados Unidos tem “trabalho a fazer” se a inflação na maior economia do mundo continuar acima de 2%.

A principal referência do mercado acionário brasileiro acabou terminando o dia com elevação de 0,3%, a 175.664,62 pontos, tendo marcado 176.420,61 na máxima e 173.893,63 na mínima da sessão. O volume financeiro somou R$21,8 bilhões.

Na semana, o Ibovespa acumulou uma alta de 2,71%, reduzindo a perda em agosto para 1,31%, conforme as informações preliminares. No ano, agora sobe 9,02%.

Em um discurso preparado para simpósio econômico do Fed em Jackson Hole, no Wyoming, Warsh afirmou que o BC norte-americano tem “trabalho a fazer” se os formuladores de política monetária não estiverem confiantes de que a inflação subjacente está voltando à meta de 2% da instituição.

“Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho… nosso mandato… e nossa responsabilidade”, afirmou.

Após a publicação da fala do titular do BC norte-americano, operadores ampliaram as apostas em um aumento da taxa de juros em setembro nos EUA.

O S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou com declínio de 0,25%. O título de 10 anos do Tesouro dos EUA registrava um rendimento de 4,724% no final da tarde, de 4,672% na véspera.

No Brasil, o último pregão da semana também mostrou que o país abriu 58.568 vagas formais de trabalho em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no pior resultado para o mês da série iniciada em 2020.

Números da B3 continuam mostrando entrada líquida de estrangeiros na bolsa paulista, com o saldo no último 26 positivo em R$1,3 bilhão, o quarto pregão seguido com fluxo positivo. No mês, o saldo segue negativo em R$18,7 bilhões.

DESTAQUES

  • PETROBRAS PN e PETROBRAS ON subiram 1,99% cada, resistindo à fraqueza dos preços do petróleo no exterior. Analistas do Bradesco BBI elevaram a recomendação dos papéis da estatal para “outperform”, destacando que a recente queda das ações, impulsionada pela baixa dos preços do petróleo, combinada com o desempenho acima do esperado no crescimento da produção da companhia, resulta em uma relação risco versus retorno bastante favorável.
  • ITAÚ UNIBANCO PN fechou com variação positiva de 0,23%, em sessão que contou com dados de crédito do Banco Central mostrando nova piora na inadimplência no país em julho. Fontes também afirmaram à Reuters que o BC está estudando uma série de medidas para conter o endividamento da população, mas planeja primeiro implementar limites para os bancos antes de se debruçar sobre um eventual teto para o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas. No final do dia, BRADESCO PN subiu 0,89%, BANCO DO BRASIL ON apurou elevação de 1% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 1,83%.
  • VALE ON recuou 0,67%, apesar da alta dos futuros do minério de ferro na China. A sexta-feira também contou com declarações do presidente-executivo da mineradora, Gustavo Pimenta, incluindo que está “otimista” com a possibilidade de edição de um decreto que trata das cavidades no setor de mineração, que poderia liberar investimentos ao tornar mais célere o licenciamento ambiental. Em paralelo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta sexta-feira destaque e suspendeu o julgamento virtual sobre a cobrança de IRPJ e CSLL sobre lucros auferidos por controladas da companhia no exterior.
  • B3 ON subiu 1,97%, retomando a tendência postiva após uma pausa na véspera, que interrompeu uma série de quarto altas. Analistas do UBS BB reiteraram recomendação de compra para a ação em relatório publicado nesta semana, avaliando que a atividade de negociação pode continuar se recuperando no curto prazo à medida que o ciclo eleitoral se aproxima, com números de agosto já mais encorajadores. “Embora a visibilidade para os volumes negociados no médio prazo permaneça limitada, acreditamos que o preço atual da ação já incorpora parte das incertezas relacionadas ao cenário operacional futuro”, afirmaram, citando ainda que também veem o papel com valuation atrativo.
  • MAGAZINE LUIZA ON caiu 4,55%, perdendo o fôlego após cinco altas seguidas, período em que acumulou uma valorização de quase 25%. No mês, o papel perde 8,15%, tendo de pano de fundo preocupações com a situação financeira no setor de varejo dado o ambiente macro desafiador, com juros em níveis elevados.
  • MRV&CO ON perdeu 5,12%, em pregão negativo para construtoras, tendo no radar a alta nas taxas dos contratos de DI. CYRELA ON fechou com declínio de 3,28%, também na ponta negativa do Ibovespa, tendo também no radar notícia envolvendo o memorando assinado pela companhia para venda de cerca de R$2,14 bi em ativos para TRX. O índice do setor imobiliário na B3 recuou 0,89%.

Dólar fecha perto dos R$5,20 após discurso duro de Warsh sobre inflação nos EUA

O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar durante o simpósio de Jackson Hole que a instituição terá “trabalho a fazer” caso a inflação dos EUA siga acima da meta.

Após superar os R$5,23 durante a sessão, o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$5,1961, com alta de 0,62%. Na semana, a divisa acumulou elevação de 1,06% e, no ano, queda de 5,34%.

Às 17h11, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,67% na B3, aos R$5,1995.

Em seu discurso de estreia em Jackson Hole, Warsh afirmou no fim da manhã que o Fed “terá trabalho a fazer” se seus membros não estiverem confiantes de que a inflação subjacente dos EUA está voltando à meta de 2%.

“Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho… nosso mandato… e nossa responsabilidade”, disse Warsh.

Os comentários foram a senha para que os rendimentos dos Treasuries subissem, com os investidores globais elevando as apostas de que o Fed poderá elevar os juros em setembro.

Nos mercados de moedas, isso se traduziu na alta do dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo moedas pares do real como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.

Após marcar a menor cotação do dia de R$5,1581 (-0,12%) às 9h02, logo após a abertura da sessão, o dólar à vista atingiu o pico de R$5,2315 (+1,30%) às 13h18, já depois da fala de Warsh.

O nível da taxa de juros nos EUA, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, impacta diretamente os fluxos de investimentos globais, incluindo para o Brasil, o que se reflete na taxa de câmbio.

Com a Selic em 14% no Brasil, ainda bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, o diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o país. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da possibilidade de alta de juros nos EUA e da perspectiva de novas baixas no Brasil.

“A moeda americana se valoriza não só contra o real, mas praticamente em relação a todas as divisas do mundo. Isso porque se o Fed sobe juros e tem esse tom mais ‘hawkish’, a tendência é o fluxo de capital se concentrar na economia americana, valorizando o dólar”, resumiu Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital.

A perspectiva de novos cortes da Selic, aliás, foi ampliada no início da tarde. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que seriam divulgados apenas às 14h30, vazaram bem antes disso e apontaram a criação de 58.568 vagas formais em julho. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam 112.000 novas vagas.

Os números reforçaram no mercado a leitura de que o Banco Central cortará a Selic em setembro, podendo promover nova redução também em novembro.

No exterior, às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,57%, a 99,668.

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